Pergunta
O que é a terapia da realidade e ela é bíblica?
Resposta
Os profissionais de saúde mental frequentemente discordam sobre a legitimidade das teorias seculares de aconselhamento; os cristãos têm se mostrado ainda mais céticos. Muitas teorias seculares se baseiam em filosofias não bíblicas que são inaceitáveis para os cristãos. No entanto, nem tudo o que essas teorias postulam é inerentemente não bíblico. Quando os conselheiros cristãos refletem criticamente sobre as teorias às quais aderem e aplicam cuidadosamente os conceitos dessas teorias, eles conseguem integrar com sucesso a verdade bíblica às teorias psicológicas. A terapia da realidade é uma forma relativamente nova de aconselhamento. Abaixo está uma explicação e uma avaliação bíblica de seus conceitos:
Explicação da Terapia da Realidade
A terapia da realidade foi fundada por William Glasser e baseia-se em sua teoria da escolha. A teoria da escolha afirma que os indivíduos têm cinco necessidades inerentes: sobrevivência, amor e pertencimento, poder ou realização, liberdade ou independência e diversão. De acordo com os terapeutas da realidade, a necessidade de amar e pertencer é a mais importante, pois outras pessoas são essenciais para satisfazer as necessidades do outro. Os problemas de um cliente têm origem na falta de relacionamento ou na falta de um relacionamento saudável. No entanto, o problema não é externo, mas tem a ver com as escolhas do cliente. A teoria da escolha pressupõe que as pessoas escolhem seus comportamentos a fim de satisfazer necessidades ou de mitigar a dor causada por necessidades não atendidas.
Além disso, a teoria da escolha fala de um “mundo de qualidade”, composto por memórias de coisas que fizeram uma pessoa se sentir bem no passado. Um mundo de qualidade é o conceito pessoal de como o mundo deveria ser, com base em desejos e necessidades. Os terapeutas da realidade ajudam os clientes a descobrir e priorizar esses desejos e necessidades. Eles também desenvolvem um relacionamento pessoal com o cliente para ajudá-lo a aprender como se conectar melhor com os outros.
Como os terapeutas da realidade acreditam que o comportamento é escolhido e intencional, eles não se referem às pessoas como estando deprimidas ou ansiosas. Em vez disso, para aumentar o senso de responsabilidade pessoal, eles falam de uma pessoa que está “se deprimindo” ou “se ansiando”. Em outras palavras, a pessoa escolhe esses resultados. Ela pode não escolher diretamente sentir-se deprimida, mas “se deprime”, indiretamente, como forma de lidar com a situação ou de buscar satisfazer uma necessidade anteriormente não atendida. O comportamento é um ato que envolve pensamento, sentimento e fisiologia.
Os terapeutas da realidade enfatizam os aspectos do relacionamento que o cliente pode controlar. Eles falam de escolha e responsabilidade e mantêm o foco no presente, particularmente nos relacionamentos atuais. Discutir sintomas é, de certa forma, desencorajado, a menos que seja para fins de construção de relacionamentos. O objetivo da terapia da realidade é ajudar os clientes a aprender a satisfazer suas necessidades básicas. Os terapeutas da realidade são mentores, defensores e comunicadores de esperança. Eles também confrontam os clientes e trabalham com um senso de urgência.
Comentário Bíblico sobre a Terapia da Realidade
A ênfase da terapia da realidade em desejos e necessidades pode desanimar muitos cristãos. A Bíblia fala de autossacrifício e da necessidade de confiar em Deus para suprir nossas necessidades. Nosso objetivo principal não é a satisfação, mas viver uma vida piedosa — o que levará à satisfação. Além disso, a terapia da realidade não impõe limites à forma como as necessidades de uma pessoa são supridas. É claro que muitas pessoas se esforçam para satisfazer a necessidade de “diversão” de maneiras não bíblicas.
No entanto, a Bíblia afirma que os seres humanos têm necessidades. Fomos criados para o relacionamento e para pertencer — Deus disse que não era bom que o homem estivesse sozinho (Gênesis 2:18), e Ele enviou o Seu Filho a fim de restaurar um relacionamento conosco (João 17:24). Ele nos adota em Sua família; não somos mais estranhos (Efésios 1:4-6). O mandamento de amar a Deus e amar os outros (Mateus 22:37-40) afirma ainda mais a importância do relacionamento. A Bíblia também fala das necessidades de sobrevivência (Mateus 6:31-33), da liberdade em Cristo (Gálatas 5:1), da realização por meio do cumprimento do propósito que Deus nos deu (Efésios 2:10) e do deleite em Deus (Salmo 37:4).
A Bíblia afirma definitivamente a escolha e a responsabilidade pessoal. Cada mandamento que Deus dá requer uma escolha subsequente de nossa parte — obedecer ou desobedecer. Somos instruídos a levar cativo todo pensamento (2 Coríntios 10:5), a não nos conformarmos com este mundo (Romanos 12:2), a viver em paz com os outros, na medida do possível (Romanos 12:18), a buscar a reconciliação nos relacionamentos (Mateus 18:15-17), a trabalhar como para o Senhor (Colossenses 3:23), a zelar pela nossa doutrina (1 Timóteo 4:15-16) e assim por diante. Os cristãos são participantes ativos na vida, e nossas escolhas realmente importam.
Um senso de urgência também é muito real no Novo Testamento. Hoje é o dia da salvação (2 Coríntios 6:2), pois não sabemos quando nosso Senhor voltará (Mateus 24:42-44).
Onde a terapia da realidade falha é em não reconhecer a necessidade humana primordial — a da salvação e de um relacionamento restaurado com Deus. Podemos encontrar amor e pertencimento nesta terra, mas, a menos que sejamos adotados na família de Deus, nunca seremos verdadeiramente realizados.
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O que é a terapia da realidade e ela é bíblica?
