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Pergunta

O que a Bíblia diz sobre resgatar pessoas das consequências de seus pecados?

Resposta


O ato de resgatar, também chamado de “habilitar”, acontece quando alguém sente a responsabilidade de minimizar as consequências das más escolhas de outra pessoa. Quem resgata tem uma necessidade psicológica de se sentir necessário e tende a atrair pessoas que precisam ser resgatadas. Embora seja certo e bom ajudar pessoas em situações de perigo que não podem se salvar sozinhas (Provérbios 24:11), a necessidade emocional de resgatar todos não é saudável.

Resgatar pessoas pode encorajá-las a continuar no pecado, fortalecendo a sua capacidade de pecar ou facilitando que continuem a errar. Quando removemos ou diminuímos as consequências naturais de um mau comportamento, incentivamos a repetição desses atos. Resgatar muitas vezes é erroneamente chamado de misericórdia, mas quão misericordioso é, de fato, tirar alguém da cadeia continuamente (por exemplo) sem permitir que aprenda com os seus erros?

Muitas vezes, quem resgata cresceu em lares onde ganhava aceitação e identidade sendo o “resolver de problemas” da família. Mesmo quando crianças, algumas pessoas precisaram assumir responsabilidades para cobrir os erros dos pais. Quem resgata geralmente era o filho mais velho ou mais responsável e aprendeu cedo que era o seu dever manter todos felizes. Esse senso de pertencimento e valor vinha de resgatar os familiares, e assim continuam fazendo na vida adulta. Problemas surgem quando entram em relacionamentos disfuncionais com pessoas irresponsáveis que gostam de ter alguém para arcar com as consequências de seus atos.

Exemplos de resgate estão por toda parte. Pais que tiram do filho adolescente rebelde da cadeia esperando que ele finalmente os valorize; mulheres que se casam com homens irresponsáveis, na esperança de que o seu cuidado se transforme em amor verdadeiro; amigos que emprestam dinheiro que não têm a pessoas inadimplentes na esperança de comprar amizade. Essas situações são trágicas, e o sofrimento que geram é prolongado pelos próprios resgatadores. Eles podem acreditar que estão sendo altruístas, mas, na realidade, podem estar resgatando para ganhar amor e lealdade.

Resgatar os outros é uma maneira equivocada de tentar “comprar” afeto, mas raramente funciona. Quando resgatamos alguém de consequências justas, tiramos de Deus o instrumento de ensino. Deus usa consequências para nos ensinar lições de vida (Jeremias 35:12–15). Quando o resgatador minimiza essas consequências, nega à pessoa irresponsável uma lição valiosa que ela precisa aprender. A frustração do resgatador aumenta depois de muitas intervenções porque o beneficiário não aprendeu nada. A ironia é que ele não aprende justamente porque as suas escolhas não têm custo; sempre há alguém para salvá-lo, e ele vive uma vida sem consequências.

Podemos superar a nossa necessidade de resgatar reconhecendo o motivo por trás dela. Resgatar nem sempre é realmente no melhor interesse do outro. Geralmente, não acontece pelo bem do outro, mas para fazer o resgatador se sentir bem. “Não suporto pensar que eles fiquem em uma casa sem aquecimento”, diz um resgatador. “Sei que gastaram todo o salário no jogo, mas está frio. Paguei a conta de luz mês passado, então posso pagar de novo, mesmo com minhas próprias dívidas acumulando.” Esses sentimentos parecem nobres, mas, na prática, permitem que os envolvidos continuem no erro sem enfrentar as consequências. Algumas noites de frio podem ser o que eles precisam para aprender responsabilidade.

Também podemos parar o hábito de resgatar estabelecendo limites saudáveis para nós mesmos. Enquanto acreditarmos que o nosso trabalho é salvar todos que nos procuram, seremos explorados por tolos. Toda decisão deve se basear em dois critérios: obediência ao Senhor e o benefício a longo prazo do outro. Interesses imediatos nem sempre promovem mudanças de vida necessárias. Por exemplo, Joana tem notas baixas, e a mãe confisca o seu celular como consequência. Mas a avó sente pena e compra outro aparelho. Em vez de permitir que Joana aprenda com a consequência, a avó se sentiu melhor. Ao resgatar Joana das consequências imediatas, a avó reduziu o benefício que ela poderia obter no longo prazo.

A Bíblia é um livro de limites e consequências. Do Jardim do Éden (Gênesis 1—3) ao Apocalipse, vemos Deus dizendo “não farás”. Mas Ele não cercou o fruto proibido e permitiu que Adão e Eva fizessem suas escolhas; no entanto, havia consequências naturais para essas escolhas. No Antigo Testamento, Deus instrui claramente o povo de Israel a seguir os Seus mandamentos e, por meio dos profetas, alerta sobre as consequências da desobediência (Zacarias 1:6; Josué 23). Eles desobedeceram, então Deus trouxe consequências: quarenta anos no deserto (Números 14:28–35) e setenta anos de cativeiro na Babilônia (Jeremias 25:3–11). Embora não gostasse de punir, o Senhor não os resgatou das consequências justas.

Devemos, sim, nos apressar para socorrer viúvas e órfãos em aflição (Tiago 1:27), proteger vidas inocentes de aborto e tráfico humano. Ajudar é sempre adequado, mas o ajudante oferece um suporte temporário para que o outro consiga se manter por conta própria. Resgatar permite que outros nos manipulem enquanto continuam no mesmo caminho imprudente. Eles não aprendem nada e não se beneficiam. Muitas vezes, quem resgata torna-se alvo de manipuladores, visto como alvo fácil. Quando permitimos que outros ultrapassem nossos limites e tomem de nós o que não podemos dar, deixamos de agir como resgatadores justos e passamos a habilitar injustamente. Interferir nas consequências que alguém merece não é ajudar; é participar de sua queda.

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