Pergunta
É verdade que os cristãos devem “pregar o evangelho e, se necessário, usar palavras”?
Resposta
A frase “pregar o evangelho e, se necessário, usar palavras” é tradicionalmente atribuída ao frade católico medieval Francisco de Assis (1181—1226). No entanto, não há evidências históricas ou literárias de que ele tenha dito isso. Apesar da falta de clareza quanto à sua origem, a frase continua popular em discussões que promovem as missões cristãs e o evangelismo. Ela destaca a importância de praticar boas obras como um testemunho eficaz do cristianismo. No entanto, a frase não reflete adequadamente o ensinamento bíblico sobre como divulgar o evangelho, pois o Novo Testamento enfatiza que as palavras são necessárias para compartilhar as boas novas de Jesus Cristo.
Nos Evangelhos, Jesus dá um exemplo claro da importância de pregar o evangelho com palavras. Por exemplo, Marcos relata que, no início do ministério de Jesus, Ele “foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus”. Jesus fez mais do que simplesmente realizar boas obras para os galileus. Ele também falou, dizendo: “O reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!” (Marcos 1:14–15). Paralelamente à Sua pregação, Jesus também realizou boas obras na Galiléia, como expulsar um demônio e curar os enfermos (Marcos 1:23–26, 29–34). No entanto, esses milagres apoiavam as Suas palavras — eles não as substituíam.
Além disso, Jesus instruiu especificamente os Seus discípulos a usarem palavras ao pregar o evangelho. Por exemplo, quando Jesus enviou os doze discípulos, Ele lhes disse para proclamarem a mensagem verbalmente e reforçá-la por meio de suas ações. Ele disse: “Pelo caminho, preguem que está próximo o Reino dos Céus” (Mateus 10:7). Em seguida, Ele lhes disse para realizarem boas obras, dizendo: “Curem enfermos, ressuscitem mortos, purifiquem leprosos, expulsem demônios. Vocês receberam de graça; portanto, deem de graça” (versículo 8).
Da mesma forma, Jesus disse aos Seus discípulos: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mateus 28:19–20). A ordem “ensinando-os” destaca a ênfase de Jesus na necessidade de usar palavras ao divulgar o evangelho. Devemos pregar o evangelho, e é necessário usar palavras.
Seguindo o exemplo de Jesus e obedecendo às Suas instruções, os apóstolos também usaram palavras para pregar o evangelho. Pedro proclamou as boas novas em Jerusalém, dizendo: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Da mesma forma, Filipe usou palavras para pregar o evangelho, que ele apoiou com boas obras. De acordo com Atos, “Filipe foi à cidade de Samaria e anunciava Cristo ao povo dali” (Atos 8:5). Então, “quando as multidões, unânimes, davam atenção às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele fazia” (versículo 6). Mais tarde, na estrada para Gaza, Filipe compartilhou o evangelho mais uma vez com um viajante etíope. Usando palavras, ele “anunciou-lhe as boas novas a respeito de Jesus” (versículo 35).
Da mesma forma, o exemplo e os ensinamentos de Paulo demonstram a importância de usar palavras ao pregar o evangelho. Pouco depois de sua conversão, Paulo começou a proclamar Jesus como o Filho de Deus usando palavras (por exemplo, Atos 9:20; 13:16–41). Paulo também testemunhou verbalmente em uma discussão filosófica e teológica em Atenas sobre o “deus desconhecido” e a ressurreição de Jesus (Atos 17:22–31). Em Corinto, ele dedicou uma quantidade significativa de tempo ao ensino da Palavra de Deus (Atos 18:1–11). Em Éfeso, ele argumentou de forma persuasiva sobre o reino de Deus, primeiro na sinagoga e depois na sala de Tirano (Atos 19:8–10). O uso de palavras foi fundamental para os esforços evangelísticos de Paulo.
Da mesma forma, em suas cartas, Paulo instruiu os cristãos a usarem palavras ao pregar o evangelho. Aos romanos, ele escreveu: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14; cf. 2 Timóteo 4:2).
As boas obras desempenham um papel importante no evangelismo, mas não podem substituir as palavras. Ações como suprir as necessidades físicas de alguém ou fazer amizade com uma viúva são, sem dúvida, atos de amor e, de certa forma, “pregam”. No entanto, essas ações por si só não comunicam a mensagem crucial de que o destinatário é um pecador separado de Deus, nem revelam que Deus enviou Jesus ao mundo para redimir a humanidade (Romanos 3:23; João 3:16). É impossível que nossas ações transmitam que a morte de Jesus na cruz serviu como expiação pelo pecado ou que Ele ressuscitou dos mortos três dias depois (1 João 4:10; Mateus 28:5–6).
A frase “pregue o evangelho e, se necessário, use palavras” é um bom lembrete de que nossas ações são importantes. Não podemos permitir que o nosso comportamento contradiga a nossa mensagem. Mas as ações por si só são insuficientes sem o uso essencial das palavras na proclamação do evangelho.
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É verdade que os cristãos devem “pregar o evangelho e, se necessário, usar palavras”?
