Pergunta
Qual é a origem da teoria do arrebatamento?
Resposta
Todo seguidor de Jesus Cristo anseia pelo tempo de Seu retorno. A crença na segunda vinda do Senhor Jesus para julgar a maldade e estabelecer o Seu reino baseia-se em uma interpretação literal das Escrituras. Interpretar a Bíblia contextual, gramatical e historicamente levou alguns crentes a acreditar em uma vinda de Cristo Jesus (referida como o “arrebatamento”) que é inteiramente diferente de Seu retorno em glória e poder.
A palavra “arrebatamento” não é encontrada nas traduções portuguesa da Bíblia. O termo deriva do latim rapere, na Vulgata, para traduzir a palavra grega harpazó (“arrancar, levar”), cuja forma é usada em 1 Tessalonicenses 4:17. Arrebatamento é um termo teológico que utiliza terminologia latina para expressar uma doutrina bíblica. De acordo com a doutrina do arrebatamento, Jesus virá nas nuvens para arrebatar a Sua igreja da terra e, posteriormente, retornará com os Seus santos em glória e poder.
Os cristãos não concordam entre si a respeito da segunda vinda. Ao longo da história da igreja, houve três principais visões sobre a natureza do retorno do Senhor: (1) amilenismo, (2) pós-milenismo e (3) pré-milenismo. As diferenças de interpretação são a razão dessas três visões, como, por exemplo, a questão de entender os mil anos em Apocalipse 20 de forma literal ou simbólica. Os amilenistas e os pós-milenistas não acreditam em um reinado de mil anos de Cristo; portanto, entendem a segunda vinda como um único evento que culminará em uma ressurreição geral e no julgamento de todas as pessoas. Entre os pré-milenistas, há três principais pontos de vista sobre o retorno de Cristo em relação ao reino: o mid-tribulacionismo (e o arrebatamento pré-ira como uma variação), o pós-tribulacionismo e o pré-tribulacionismo.
A visão mid-tribulacionista é relativamente nova e ganhou certa proeminência no século XX. Os pós-tribulacionistas frequentemente se referem à sua visão como “pré-milenismo histórico”. Contudo, essa terminologia não é precisa, porque as crenças proféticas da igreja primitiva são difíceis de classificar. Essa complexidade resulta das frequentes perspectivas contraditórias por parte dos pais da igreja primitiva. Em vez de afirmarem uma forma contemporânea de pós-tribulacionismo, a igreja primitiva sustentava mais precisamente uma posição de “intra-tribulacionismo iminente”. Em meio à perseguição contínua, a igreja primitiva acreditava que um período de tribulação já estava sobre eles, e aguardavam o retorno iminente de Jesus Cristo dentro desse contexto. A crença dos pais da igreja no retorno iminente do Senhor Jesus é, de fato, um aspecto central do pensamento pré-tribulacionista.
O pré-tribulacionismo é a crença de que a igreja será arrebatada antes do início de um período de sete anos de tribulação. Os opositores do pré-tribulacionismo frequentemente afirmam que esse entendimento é uma novidade e que a doutrina era desconhecida até 1830, quando John Nelson Darby aceitou uma profecia pronunciada por uma menina de treze anos chamada Margaret MacDonald. A verdade é que foram as Conferências de Powerscourt, realizadas entre 1831 e 1833, que influenciaram Darby. A transição da atual era da igreja para o reino milenar, no qual Israel terá destaque sob o governo de Cristo, foi compreendida ao interpretar a septuagésima semana de Daniel 9 como futura. Com base em uma firme crença na interpretação literal das Escrituras, Darby desenvolveu um esquema detalhado dos eventos escatológicos. Ele acreditava em uma distinção entre Israel e a igreja que se estende até a eternidade. Também ensinava que as dispensações são administrações de Deus e que a era da igreja é um parêntese. Darby começou a articular suas ideias sobre um arrebatamento pré-tribulacional e a desenvolver seu pensamento dispensacionalista durante um período de convalescença (dez. de 1826 — jan. de 1827). Em 1833, ele já havia desenvolvido uma sistematização completa do dispensacionalismo pré-milenista.
Embora o dispensacionalismo não tenha sido sistematizado como doutrina até o século XIX com John Nelson Darby, houve indivíduos ao longo da história da igreja que afirmaram algum tipo de sistema dispensacionalista. Entre eles estão o batista James R. Graves (1820—93) e o presbiteriano James H. Brookes (1830—97). O dispensacionalismo foi amplamente divulgado por meio de conferências bíblicas anuais, como a Conferência Bíblica de Niagara (1878—1909), e por numerosas publicações.
Aspectos ainda não desenvolvidos da teologia dispensacionalista podem ser identificados nos escritos da igreja primitiva e nos séculos anteriores a Darby. Como já foi mencionado, aspectos da iminência — uma afirmação central do pensamento pré-tribulacionista — são evidentes entre os pais da igreja primitiva. Durante o período medieval, evidências de ideias pré-tribulacionistas podem ser encontradas em um sermão atribuído a Efraim, o Sírio, intitulado “Sermão sobre os Últimos Tempos, o Anticristo e o Fim do Mundo”, e em um texto do século XIV chamado A História do Irmão Dolcino.
Durante a Reforma Protestante, evidências de indivíduos que distinguiam o arrebatamento da vinda de Cristo à terra são encontradas nos escritos de Peter Jurieu, Increase Mather, Joseph Mede (entre outros), e mais tarde em um tratado do século XVIII escrito pelo ministro batista Morgan Edwards. Também anterior a Darby foi Pierre Poiret (1646—1719), que articulou um sistema completo de teologia pré-milenista e dispensacionalista. Isaac Watts (1674—1748) apresentou um extenso esboço das dispensações em suas obras. O dispensacionalismo de C. I. Scofield (1843—1921) é mais semelhante ao ensino de Watts do que ao de Darby. Portanto, a conclusão evidente é que indivíduos anteriores a Darby já ensinavam conceitos dispensacionalistas.
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