Pergunta
O que é um pária?
Resposta
Um pária é alguém marginalizado ou que deve ser evitado. A palavra não aparece na Bíblia, mas o conceito está presente.
No tradicional sistema de castas hindu, os párias são membros da casta mais baixa, chamada Paraiyan, e eram considerados intocáveis pelos membros das outras castas. A palavra “pária” foi incorporada a outras línguas, e parece que toda sociedade tem seus marginalizados. Frequentemente, nas sociedades modernas, o status de marginalizado é menos claramente definido do que na Índia, e uma pessoa tem a oportunidade de superar essa condição. Por exemplo, uma pessoa que seja membro de uma minoria étnica vivendo na pobreza pode ser considerada um pária pela elite rica, mas se essa pessoa se tornar um atleta de sucesso, artista, autor, cientista, político, empresário, etc., ela pode, na verdade, ser aceita na sociedade de elite. No entanto, isso não ocorre porque as elites mudaram seus padrões para se tornarem mais inclusivas, mas porque o pária abandonou as características que o identificavam como tal desde o início. Existem outras coisas que podem fazer com que alguém seja um pária. Ser acusado de um crime hediondo, mesmo que não haja condenação, pode conferir o status de pária. Da mesma forma, os filhos de alguém acusado de um crime ou que cumpre pena na prisão podem ser rejeitados por seus colegas. Às vezes, atores politicamente conservadores afirmam que, socialmente, são tratados como párias em Hollywood.
O Antigo Testamento fala de pessoas marginalizadas que são consideradas cerimonialmente impuras. Havia pessoas que, devido a algum tipo de impureza, eram tratadas como párias por um período limitado; outras ficavam isoladas da sociedade por toda a vida. O exemplo mais notável na Lei é o das pessoas que tinham lepra.
Na Bíblia, a lepra é qualquer tipo de doença de pele que parecesse ser contagiosa. Ela era identificada de várias maneiras, como descoloração branca ou descamação. Levítico 13 apresenta uma extensa lista de sintomas cutâneos que tornariam alguém “impuro”. Se alguém fosse diagnosticado com tal doença de pele pelo sacerdote, teria que viver fora do acampamento até que a condição melhorasse. Nesse momento, a vítima deveria se apresentar novamente ao sacerdote para ser declarada “pura”. Em alguns casos, a condição da pele nunca melhorava, e essas pessoas se tornavam párias permanentes: “As roupas do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e os seus cabelos deixados sem pentear; com a mão sobre a boca, gritará: Impuro! Impuro! Será impuro durante os dias em que a praga estiver nele; está impuro, habitará só; a sua habitação será fora do arraial” (Levítico 13:45–46). Essas pessoas eram verdadeiros párias; podiam se relacionar entre si, mas não com as pessoas da sociedade saudável.
Aos ouvidos de hoje, esse tratamento dispensado a pessoas que sofrem de alguma doença soa especialmente severo. Mas é importante notar que, na ausência da medicina moderna, tais precauções eram necessárias para controlar doenças contagiosas. Mesmo hoje, com uma ciência mais precisa, ainda colocamos pessoas em quarentena por motivos semelhantes.
Mais importante ainda, havia um significado teológico na prática de colocar os “párias” fora do acampamento em Israel. Era Deus quem definia quem estava dentro e quem estava fora. Essa é também uma noção que incomoda muitos nas culturas modernas, pois a ideia de um Deus soberano que profere o julgamento final vai contra as concepções modernas de individualismo, liberdade libertária, autonomia pessoal e realização pessoal. Devemos também observar que as sociedades modernas ainda têm párias, apenas por razões diferentes. Uma doença não é considerada motivo para excluir uma pessoa, mas suas crenças são. Cada vez mais, os cristãos são considerados “intolerantes” e, portanto, merecedores de serem excluídos. O politicamente correto transforma pessoas em párias; os defensores da ortodoxia progressista são hábeis em identificar quem se qualifica como pária.
No Novo Testamento, vemos Jesus derrubando as barreiras entre o “puro” e o “impuro”. Essas normas tiveram sua utilidade em certa época, mas, com a Sua vinda, o tempo delas estava chegando ao fim. Assim, Jesus declarou que todos os alimentos são puros (Marcos 7:19). Ele curou leprosos e, ao fazê-lo, tocou-os (Mateus 8:3). Ele comeu com coletores de impostos e “pecadores”, que eram os párias sociais e espirituais da época (Marcos 2:16). Ele ministrou aos samaritanos, que também eram párias (João 4). Por fim, os gentios crentes foram trazidos para o reino de Deus em pé de igualdade com os judeus crentes. O céu estará cheio de antigos párias.
Efésios 2:11–18 explica: “Portanto, lembrem-se de que no passado vocês eram gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisão, que é feita na carne por mãos humanas. Naquele tempo vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz. De dois povos ele fez um só e, na sua carne, derrubou a parede de separação que estava no meio, a inimizade. Cristo aboliu a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo uma nova humanidade, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por meio da cruz, destruindo a inimizade por meio dela. E, quando veio, Cristo evangelizou paz a vocês que estavam longe e paz também aos que estavam perto; porque, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai em um só Espírito.”
Em Cristo, não há párias. As divisões entre judeus e gentios foram derrubadas. Anteriormente, um judeu nem sequer tinha permissão para comer com um gentio (Atos 10:29). Mas Atos 10 relaciona claramente a abolição das leis alimentares com a entrada dos gentios no reino. Todos aqueles que têm fé em Cristo são “aceitos no Amado” (Efésios 1:6). “O mistério é que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Efésios 3:6).
Os cristãos não devem excluir ninguém. Devemos levar a boa nova de Jesus Cristo a todos. No entanto, cabe a Deus decidir quem será acolhido e quem será rejeitado. Em última análise, qualquer pessoa que não venha a conhecer a Cristo será rejeitada por Deus (Mateus 7:23; Apocalipse 20:15). Enquanto isso, devemos amar o próximo como a nós mesmos (Lucas 10:27) e levar o evangelho a todos os tipos de pessoas, independentemente de etnia ou status (Mateus 28:19–20) ou dos pecados em que possam estar envolvidos. Quando os cristãos esquecem que somos salvos pela graça — quando começamos a tratar outras pessoas como párias por causa de seus pecados — deixamos de seguir o exemplo de Jesus e esquecemos que, em algum momento, estávamos na mesma posição.
Tito 3:3–7 nos lembra: “Pois nós também, no passado, éramos insensatos, desobedientes, desgarrados, escravos de todo tipo de paixões e prazeres, vivendo em maldade e inveja, sendo odiados e odiando-nos uns aos outros. Mas quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor por todos, ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia. Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.”
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O que é um pária?
