Pergunta
O que é o torahismo?
Resposta
R. L. Solberg, do Williamson College, criou o termo “torahismo” (ou toraísmo) para resumir o que é conhecido como Movimento das Raízes Hebraicas, ou cristianismo observante da Torá. Basicamente, os torahistas ensinam que os cristãos devem guardar as regras e regulamentos encontrados na Torá — ou seja, os livros de Moisés, os cinco primeiros livros da Bíblia.
Assim, o torahismo ensina que precisamos voltar a viver sob a Aliança Mosaica, guardando as leis civis, cerimoniais e morais do Antigo Testamento, juntamente com as festas. Uma característica marcante do torahismo é o ensino de que os cristãos devem guardar o sábado e observar as leis alimentares. Qualquer pessoa que não guarde essas leis, ou que celebre a Páscoa e o Natal, estaria vivendo em pecado. Além disso, os torahistas acreditam que Jesus foi o Messias, mas que não devemos adorá-lo. O torahismo nega a Trindade.
Por aceitarem Jesus como o Messias e negarem a Trindade, o torahismo não é nem judaísmo nem cristianismo. Em vez disso, existe em um ponto intermediário entre os dois. Busca apegar-se à tradição da lei, demonstrar respeito por Jesus e rejeitar o que considera a infiltração da filosofia pagã na igreja (isto é, a ideia de que Jesus é divino).
Os cristãos pregam Cristo e este crucificado (1 Coríntios 2:2). Cremos que o próprio Jesus leu o Antigo Testamento — a Torá, os Profetas, etc. — à luz dEle mesmo. Jesus apresentou-Se como o ponto central e a chave interpretativa do Antigo Testamento (Lucas 24:27). De fato, Ele passa muito tempo corrigindo as interpretações do Antigo Testamento feitas pelos discípulos em torno desse fato.
Cremos que o Antigo Testamento é absolutamente a Palavra de Deus, mas o lemos sob a nova lei, o novo sacerdócio e a Nova Aliança:
Primeiro, estamos sob a lei de Cristo, e a Lei Mosaica já não está em vigor (Hebreus 7:12). Até mesmo Paulo, um ex-fariseu, diz em Gálatas 6:15: “Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura.” A circuncisão fazia parte da Lei Mosaica (Levítico 12:3), e claramente Paulo não se via debaixo da Lei de Moisés (1 Coríntios 9:9), mas sob a “lei de Cristo” (1 Coríntios 9:21). Veja também Colossenses 2:16–17 e Romanos 14:5.
Segundo, o sacerdócio levítico da Torá tornou-se obsoleto, e “quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei” (Hebreus 7:12). Jesus veio da tribo de Judá e é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (que existia antes da lei), pelo poder da ressurreição. Jesus “[se tornou sacerdote] não conforme a lei de mandamento carnal, mas segundo o poder de vida que não tem fim” (Hebreus 7:16). Agora Ele é “o fiador de uma aliança superior” (versículo 22). Ele é “um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus” (versículo 26).
As palavras de Jesus em Mateus 5:17, de que Ele veio cumprir a lei, contradizem as alegações do torahismo. Não estamos presos aos regulamentos da Torá. A observância da lei jamais poderia tornar uma pessoa justa diante de Deus: “Portanto, por um lado, se revoga a ordenança anterior, por causa de sua fraqueza e inutilidade, pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma; e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hebreus 7:18–19).
Terceiro, a Aliança Mosaica cumpriu o seu propósito, que era conduzir-nos a Cristo: “De maneira que a lei se tornou nosso guardião para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé” (Gálatas 3:24). A lei ainda tem valor porque expõe nosso pecado e imperfeição (Romanos 2:14) e, como um pêndulo, nos conduz ao nosso sacerdote permanente (Salmo 110:4) e mediador da Nova Aliança. “Mas agora Jesus obteve um ministério tanto mais excelente, quanto é também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hebreus 8:6).
As Escrituras contêm muitos alertas para não voltar à lei nem buscar justificação por meio dela. Cada um desses alertas é uma refutação do torahismo. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Por isso, permaneçam firmes e não se submetam, de novo, a jugo de escravidão” (Gálatas 5:1).
Nossa responsabilidade como seguidores de Cristo é cumprir a lei por meio deste único mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Gálatas 5:14).
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