Pergunta
O que a Bíblia tem a dizer que se aplicaria aos testes em animais?
Resposta
A experimentação em animais é, de certa forma, uma questão bastante controversa. Seus defensores exaltam os benefícios dos testes em animais, medidos em termos de progresso científico, avanços médicos, prevenção de danos aos seres humanos e conhecimento adquirido. Os opositores citam casos de crueldade contra animais, a disponibilidade de métodos alternativos, o sofrimento animal e os direitos dos animais. A Bíblia toma partido nessa questão da experimentação em animais?
Gênesis 1 descreve a criação dos animais por Deus. Em Gênesis 1:28, Deus concede à humanidade domínio sobre o restante da criação: “Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e sujeitem-na. Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” Esse domínio não deve ser uma ditadura abusiva; pelo contrário, trata-se de uma administração fiel. Deus confiou Sua criação à humanidade para que dela cuidasse, permitindo inclusive que Adão desse nomes aos animais (Gênesis 2:19–20).
Quando Adão e Eva pecaram, toda a criação sofreu. Romanos 8:19–21 diz: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” Vemos implicações específicas dessa frustração e decadência na relação humana com os animais. Logo após o primeiro pecado, ocorreu o primeiro sacrifício animal, descrito em Gênesis 3:21.
Depois que Noé e sua família foram resgatados do Dilúvio, a relação da humanidade com os animais mudou ainda mais. “Deus abençoou Noé e os seus filhos, dizendo: — Sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra. Todos os animais da terra e todas as aves dos céus terão medo e pavor de vocês. Tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar serão entregues nas mãos de vocês. Tudo o que se move e vive servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei a erva verde, agora lhes dou todas as coisas” (Gênesis 9:1–3). Os animais sempre estiveram sujeitos ao domínio humano, mas, após a Queda, passaram a ser utilizados para sacrifícios. Após o Dilúvio, eles passaram a ser utilizados como alimento. O domínio do homem não se transformou em tirania; contudo, o plano de Deus envolvia, sim, o sacrifício de animais para expiar o pecado humano. Essa foi uma provisão graciosa de Deus — ainda que temporária — até que o Seu plano definitivo de redenção se concretizasse por meio de Cristo (Hebreus 10:4–5).
Em um mundo perfeito, não haveria necessidade de testes em animais. Não teríamos de combater a degeneração que os produtos desenvolvidos por meio de testes em animais buscam retardar. Não estaríamos fabricando itens para melhorar nossas vidas e, antes disso, tendo de testá-los em animais para garantir que não causaríamos danos involuntários aos seres humanos. Não precisaríamos submeter animais a testes psicológicos para determinar por que as mentes e os corações das pessoas adoecem. Mas vivemos em um mundo caído. E Deus, em Sua graça, permitiu-nos utilizar os animais para nos ajudar a compreender melhor o sofrimento e a aliviá-lo.
Isso não significa que os seres humanos tenham carta branca ou que os animais devam ser tratados como objetos inanimados. Na verdade, a Bíblia faz menção ao cuidado adequado para com os animais. Em Gênesis 9:4, Deus proíbe o consumo de carne que ainda contenha o sangue que lhe dá vida. Em Gênesis 9:8–17, Deus inclui os animais em Sua aliança de jamais destruir a terra inteira por meio de um dilúvio. Deuteronômio 25:4 declara: “Não amarrem a boca do boi quando estiver pisando o trigo.” Provérbios 12:10 oferece um resumo: “O justo cuida dos seus animais, mas o coração dos ímpios é cruel.” Os animais existem para nos auxiliar em nosso trabalho e são úteis de muitas maneiras; contudo, não devem ser maltratados. Deus nos confiou a administração sobre os animais, e Ele espera que sejamos mordomos zelosos e fiéis.
Devemos abordar as decisões relativas aos testes em animais com sobriedade e com o firme propósito de agradar a Deus. Estamos utilizando os animais simplesmente por serem a opção mais fácil, ou por serem, de fato, a melhor opção? Estão os animais sendo tratados de maneira humanitária? Os testes em questão trarão, efetivamente, algum benefício necessário para as pessoas? Estão os animais sendo encarados meramente como objetos de consumo, ou como criaturas que nos foram confiadas para que, ao administrá-las, cumpramos o mandato divino de honrá-lo em tudo o que fazemos?
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O que a Bíblia tem a dizer que se aplicaria aos testes em animais?
