Pergunta
O que a Bíblia diz sobre ter um testamento vital?
Resposta
Todos nós morremos. A morte física é uma certeza para todos nós, a menos que sejamos um daqueles crentes que “estão vivos e permanecem” no momento do arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:15). Como disse o salmista: “Quem é que pode viver e não ver a morte? Ou quem pode livrar a sua alma do poder da sepultura?” (Salmo 89:48). Devido à certeza da morte, é bom estar preparado para ela. Como parte dessa preparação, muitas pessoas redigiram diretivas antecipadas na forma de testamento vital ou procuração duradoura para cuidados de saúde.
A Bíblia não menciona testamentos vitais nem a procuração duradoura para cuidados de saúde, mas apresenta alguns exemplos de pessoas que se anteciparam. Quando o rei Ezequias estava doente e “à beira da morte”, Deus enviou-lhe o profeta Isaías com uma mensagem: “Assim diz o Senhor: 'Ponha em ordem a sua casa, porque você morrerá; você não vai escapar'” (Isaías 38:1). O rei não chamou um advogado para redigir um testamento vital nem nomeou uma procuração duradoura, mas foi instruído a se preparar para o dia de sua morte. Hoje, ter algum tipo de diretiva antecipada em vigor pode ser considerado parte de “colocar a casa em ordem”.
Devemos fazer uma distinção entre um testamento vital e uma procuração duradoura para cuidados de saúde. Um testamento vital é um documento legal que fornece instruções a um médico no que diz respeito a tratamentos médicos destinados a prolongar a vida. No caso de uma pessoa ficar incapacitada ou não poder se expressar por si mesma, o testamento vital transmite os desejos dessa pessoa de recusar ou interromper o tratamento médico. Os testamentos vitais só entram em vigor quando o signatário estiver sofrendo de uma doença terminal ou estiver permanentemente inconsciente, sem esperança de recuperação. Essas condições geralmente devem ser verificadas por outro médico, e um testamento vital isenta o(s) médico(s) que tomar(em) a decisão de “desligar os aparelhos” de toda e qualquer responsabilidade.
A procuração duradoura para cuidados de saúde, por outro lado, confere a autoridade para tomar decisões relativas aos cuidados de saúde a um membro da família ou a um amigo de confiança. Ou seja, alguém que não seja um médico tem o direito de tomar decisões relativas ao tratamento médico. Às vezes, a procuração duradoura para cuidados de saúde é chamada de documento de “vontade de viver” ou de “decisões médicas de proteção”.
Grupos cristãos pró-vida recomendam este último documento em vez do testamento vital, com base no argumento de que um ente querido provavelmente terá em mente o melhor interesse da pessoa. Um testamento vital tende a regulamentar como encerrar uma vida, enquanto uma pessoa com procuração duradoura para cuidados de saúde estará mais preocupada em salvar uma vida. Com a crescente aceitação da eutanásia pela sociedade, parece mais sensato confiar a um ente querido tais decisões de vida ou morte. Um médico autorizado por um testamento vital pode ou não compartilhar da visão de santidade da vida da pessoa. Além disso, expressões contidas em um testamento vital, como “meios artificiais”, “medidas heróicas” e “terminal”, estão abertas a uma gama perturbadoramente ampla de interpretações.
O fim da vida pode ser um momento complicado. Muitas pessoas se deparam com questões sobre que tipo de tratamento buscar, se devem ou não procurar tratamento e como ponderar os riscos em relação aos benefícios de cada opção. Um testamento vital ou um documento de vontade de viver pode ajudar a pessoa e sua família a esclarecer essas questões antes que chegue a hora. Esse documento pode ser de grande benefício para o representante de cuidados de saúde da pessoa — as decisões difíceis já foram tomadas, e tudo o que resta é respeitar os desejos da pessoa que o designou.
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