Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a violência contra as mulheres?
Resposta
A violência contra as mulheres é uma realidade trágica no mundo de hoje, assim como sempre foi desde a queda da humanidade. Vivemos em um mundo corrompido pelo pecado, o que inclui a agressão sexual e de gênero. Não deve ser surpresa que muitas histórias bíblicas contenham relatos de violência contra as mulheres, assim como qualquer registro da sociedade atual também poderia incluir.
Alguns leitores da Bíblia têm interpretado os maus-tratos infligidos às mulheres na Bíblia como justificativa para abusar delas e subjugá-las. No entanto, as Escrituras não promovem a violência contra as mulheres, nem a apresentam como uma opção atraente. Embora algumas histórias bíblicas pareçam neutras em relação ao tema, a maioria dos relatos retrata os maus-tratos às mulheres sob uma perspectiva crítica, seja de forma aberta ou indireta.
Os leitores que desejam interpretar corretamente o que a Bíblia diz sobre a violência contra as mulheres devem compreender o contexto cultural que serve de pano de fundo para a narrativa bíblica. O antigo Oriente Próximo e o mundo greco-romano da Bíblia eram sociedades patriarcais dominadas pelos homens, nas quais estes detinham todo o poder social, econômico, jurídico e doméstico. O papel principal das mulheres era tornar-se esposa e mãe. Assim, a maioria das mulheres dependia dos homens — fossem seus pais, maridos, irmãos ou filhos — durante toda a vida, o que as deixava particularmente vulneráveis a abusos e exploração.
No Antigo Testamento, Deus chamou o Seu povo para proteger, cuidar e promover a justiça aos membros vulneráveis da sociedade, como viúvas, órfãos, pobres e estrangeiros (Êxodo 22:22; Deuteronômio 24:19; 27:19; Isaías 1:17; Zacarias 7:10). No entanto, em questões jurídicas, financeiras e domésticas, a lei quase sempre favorecia os interesses dos homens (Deuteronômio 22:13–21, 28–29; Números 5:11–31). Em casos de estupro, o agressor deveria receber a pena de morte (Deuteronômio 22:25–27).
Na época do Novo Testamento, a Bíblia se dirige aos homens de forma mais direta no que diz respeito à violência contra as mulheres. Colossenses 3:19 ordena: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa e não a trate com amargura” (NAA). Em Efésios 5:25–33, Paulo condena o maltrato às mulheres, exortando os homens a amar e cuidar de suas esposas da mesma forma que “amam seus próprios corpos” . Pedro ensina aos maridos crentes a tratarem suas esposas com honra e respeito como “coerdeiras da mesma graça da vida” (1 Pedro 3:7).
Nessa época, as mulheres já estavam conquistando um papel um pouco mais influente na sociedade. Jesus incluiu mulheres em sua equipe ministerial (Mateus 27:55; Lucas 8:1–3), e as mulheres eram mencionadas como figuras influentes na igreja primitiva (Romanos 16:1–3, 7, 12; Filipenses 4:2–3; 1 Coríntios 16:19).
A violência física e sexual contra as mulheres é mencionada em várias passagens bíblicas:
Agar foi forçada a servir de mãe de aluguel para Abraão e Sara. A serva sofreu ainda mais abusos por parte de sua senhora, Sara, que ficou com ciúmes e a tratou com dureza. Por fim, Agar e seu filho foram expulsos da casa e enviados para o deserto. Mas Deus resgatou, cuidou e abençoou Agar e Ismael (Gênesis 16:1–16; 21:8–21).
A filha de Jacó, Diná, foi sequestrada e estuprada por Siquém (Gênesis 34:1–31). A filha de Jefté foi vítima da falta de fé do pai e de um voto equivocado (Juízes 11:12–40). Em uma cena horripilante de violência contra as mulheres, os homens de Gibeá estupraram em grupo e assassinaram brutalmente a concubina de um levita (Juízes 19:11–30). Essa história ilustra a crescente violência que se espalhava por toda a terra nos dias em que “Israel não tinha rei” (Juízes 19:1; 21:25), à medida que a nação se afastava cada vez mais de Deus.
O caso de adultério de Davi com Bate-Seba envolveu, sem dúvida, um desequilíbrio de poder e é mais um exemplo de uma mulher sendo vitimizada. Como rei, Davi usou a sua posição de poder para tomar o que queria, e Bate-Seba não teve escolha real na questão (2 Samuel 11:1—12:31). O descontentamento e a condenação de Deus foram dirigidos a Davi, não a Bate-Seba (2 Samuel 12:1–15). Amnom, filho de Davi, perpetuou a violência contra as mulheres, estuprando sua meia-irmã Tamar (2 Samuel 13:1–39).
Embora possa parecer que Deus permanece em silêncio sobre os abusos em muitos desses relatos, a gravidade das ofensas torna-se evidente quando analisadas dentro do contexto geral das Escrituras. No caso da mulher apanhada em adultério (João 8:2–11), Jesus revelou de forma inequívoca o sentimento de Deus em relação à violência contra as mulheres. Leitores atentos notarão a vulnerabilidade da mulher quando os homens da história a trazem à frente e a apontam como a única transgressora — desumanizando-a como se ela fosse a personificação do pecado sexual. Mas Jesus defendeu a mulher, tratando-a com dignidade e compaixão.
A violência contra as mulheres (ou contra qualquer pessoa) na Bíblia deve ser compreendida e interpretada à luz da condenação e da proibição de Deus de todo tipo de comportamento abusivo. Deus odeia a violência (Salmo 11:5; Jeremias 22:3; Ezequiel 45:9; Malaquias 2:16). Ele chama os crentes a amar e proteger os inocentes e vulneráveis (Lucas 10:30–37; Efésios 4:2; Filipenses 4:5). O Senhor vem em auxílio daqueles que são ameaçados pela violência (2 Samuel 22:49; Salmo 18:48; Mateus 2:13; Lucas 22:50–51). As Escrituras demonstram de forma contundente que a violência contra as mulheres é inaceitável aos olhos de Deus e entre o Seu povo (2 Samuel 22:3; Salmo 72:14; Gálatas 5:14; Romanos 13:10).
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O que a Bíblia diz sobre a violência contra as mulheres?
