Pergunta
É verdade que o medo mente?
Resposta
Uma canção popular de Zach Williams, “Fear Is a Liar” (O Medo é um Mentiroso), personifica o medo e atribui-lhe a falsidade. É claro que o medo em si não é uma entidade pessoal, mas as letras de músicas e a poesia costumam usar a personificação para transmitir um tema ou enfatizar uma ideia. No caso da canção de Williams, o medo é referido como um “ele” que nos conta várias mentiras e ao qual devemos resistir.
O refrão de “Fear Is a Liar” descreve algumas das coisas que o medo faz:
Receio que ele seja um mentiroso
Ele vai te deixar sem fôlego
Fazer você parar
Receio que ele seja um mentiroso
Ele vai roubar o seu descanso
Roubar a sua felicidade
Em seguida, Williams nos explica o que fazer com o medo e por quê:
Jogue o seu medo no fogo
Porque ele é um mentiroso
A afirmação de que “o medo é mentiroso” é ampla, e devemos nos perguntar: todo medo é mentiroso? Em outras palavras, todo medo provém de uma fonte maligna que deve ser rejeitada? Não. Existe um tipo de medo bom (que não é abordado na música de Williams) e um tipo de medo ruim (contra o qual Williams está certo em se posicionar).
Temos um temor legítimo a Deus e temos um temor legítimo das coisas perigosas (estradas escorregadias, morcegos raivosos, os efeitos do abuso de álcool, etc.), no sentido de que agimos com cautela e sabedoria. Um homem que desconhece as cascavéis pode vagar pela vegetação de tobosa do Arizona sem medo de ser picado, mas está sendo imprudente; é melhor ter respeito ou um temor saudável pelo que o veneno da cascavel pode causar. A Bíblia nos adverte sobre as consequências do pecado para que desenvolvamos um temor saudável de pecar. Compreender a profundidade do ódio de Deus pelo pecado e Sua intenção de destruí-lo deve ser assustador para todos, inclusive para os crentes.
Há situações em que o medo definitivamente não mente; ou seja, às vezes devemos sentir medo e buscar ajuda ou uma maneira de escapar da fonte desse medo. Por exemplo, quando um caminhão vem direto em sua direção a 160 km/h, não é pecado sentir medo; na verdade, esse medo é um dom que o leva a evitar o caminhão e salvar a sua vida. Da mesma forma, quando um pecador tem medo do inferno, sabendo que não é um lugar onde ele queira estar, esse medo é justo, correto e bíblico. Às vezes, permitir um pouco de medo é melhor do que tentar aliviar todo o medo: a afirmação “O inferno é um lugar real de tormento” pode ser assustadora para alguns, mas é verdadeira; “Não existe inferno” pode dissipar o medo, mas é uma mentira.
Portanto, nem todo medo é uma ilusão. O medo nem sempre é um “mentiroso”. É claro que existem medos de origem demoníaca. O medo de que Deus não seja verdadeiramente bom é um desses medos. Quando o medo diz que Deus se esqueceu de Seus filhos ou lhes virou as costas, então ele é um “mentiroso”, porque essas afirmações contradizem diretamente as promessas de Deus.
A verdade é que o amor perfeito expulsa o medo (1 João 4:18), e a Bíblia exorta repetidamente o povo de Deus a não temer. Satanás é o pai da mentira (João 8:44) e o enganador do mundo inteiro (Apocalipse 12:9). Quando nos dizem qualquer mentira, ela vem de Satanás, que não tem verdade em si. O diabo tentará desanimar-nos com mentiras, e o medo injustificado é uma de suas ferramentas.
Embora existam muitos medos que são mentiras utilizadas por Satanás, há também muitos medos empregados por homens piedosos para tentar levar as pessoas a Deus. Deus mostrou sinais temíveis e poderosos aos israelitas para que eles se voltassem para Ele. Elias invocou fogo do céu para que Israel se afastasse de seus falsos deuses e se voltasse para o único Deus verdadeiro. O apóstolo Paulo repreendeu severamente os coríntios e ameaçou com a excomunhão aqueles que se deleitavam no pecado impenitente, na esperança de despertar neles o temor de Deus.
A diferença entre o medo justificado e o medo injustificado é importante: quando Deus usa o medo, ele se baseia na verdade; mas quando o diabo usa o medo, ele se baseia em mentiras. Quando Jesus falou do inferno de maneira a inspirar temor, foi para mostrar a verdade sobre o castigo de Deus pelo pecado. O inferno não é um lugar onde queremos estar, e o medo dele é justificado. Quando Satanás nos incita a temer o homem em vez de temer a Deus, ele está promovendo a mentira de que devemos mais respeito aos nossos semelhantes do que a Deus. O medo do homem é injustificado; é um “mentiroso” e arma uma armadilha (Provérbios 29:25).
Outras mentiras comuns que o diabo usa para instigar o medo nas pessoas incluem: “A morte de Jesus não foi suficiente para cobrir o seu pecado”, “Mesmo que você confie em Cristo, você não é bom o suficiente para estar com Deus” e “Deus não te ama, e essa tragédia prova isso”. O medo induzido por essas afirmações poderia ser chamado, com razão, de “mentira”, pois esse medo é biblicamente injustificado. A fé na Palavra de Deus dissipará tal medo.
Nossos sentimentos não devem determinar se algo é de Deus ou do diabo. Por exemplo, não podemos dizer: “Isso me deixa com medo, então deve ser do diabo”. Em vez disso, nosso discernimento do certo e do errado deve estar firmemente enraizado na verdade da Palavra de Deus. Sabemos que a morte de Jesus foi suficiente para cobrir nossos pecados porque Deus assim o disse (Hebreus 10:10; João 3:16). Sabemos que não devemos ter medo de encontrar Deus porque Cristo nos dá a Sua justiça (2 Coríntios 5:21). Sabemos que Deus não deixará de nos amar porque nada jamais poderá nos separar do amor de Deus em Cristo (Romanos 8:38–39).
O medo é um mentiroso? Às vezes, sim. O diabo usa o medo baseado no engano para tentar desviar nossos olhos do Autor e Consumador da nossa salvação. O medo infundado é um mentiroso. Mas nem todo medo vem do diabo, e alguns medos são biblicamente justificados.
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É verdade que o medo mente?
