Pergunta
Como posso superar o luto pela perda de um animal de estimação?
Resposta
A perda de um animal de estimação querido pode ser traumática. Isso é especialmente verdadeiro quando o dono já convive com o animal há vários anos ou quando o animal nos lembra de um ente querido que já se foi. A morte de um animal de estimação é motivo de verdadeiro luto e deve ser respeitada como tal. A morte de um animal de estimação se enquadra na categoria às vezes chamada de “perdas indescritíveis”. Não nos importamos que todos saibam o quanto sentimos falta de um parente ou amigo que se foi. Mas pode ser constrangedor admitir o quanto um animal de estimação falecido significava para nós. Muitas vezes, donos de animais de estimação enlutados precisam lidar com o luto em silêncio e se perguntam como algum dia conseguirão superar a morte de seu animal.
A perda de um animal de estimação é traumática porque, muitas vezes, ele nos deu amor e aceitação incondicionais quando ninguém mais o fez. Eles geralmente ficavam felizes em nos ver quando chegávamos em casa ou nos faziam companhia nos momentos de maior solidão. Sua inocência e seus modos engraçados nos proporcionaram anos de alegria e risadas. Quando algo importante para nós se vai, cria-se um vazio que leva tempo para ser preenchido. Sentir luto por qualquer tipo de perda, incluindo a morte de um animal de estimação, é normal e saudável, e é normal permitir-se sentir essas emoções.
Mesmo ao lamentar a perda de um animal de estimação, devemos manter os pés no chão. Existe uma tendência em nossa cultura de humanizar os animais, então parte do luto que sentimos pode ser devido à perda da relação fantasiosa que fingíamos ter com nosso animal de estimação. Podemos ter assumido subconscientemente que o Fido ou o Fofinho sentiam por nós tão profundamente quanto nós sentíamos por eles, e nosso luto pode rivalizar com o que sentiríamos pela perda de um amigo querido. Ao longo dos anos, atribuímos pensamentos, valores e até conversas imaginárias a esse animal de estimação. Se vestíamos nosso animal com roupinhas, dávamos a ele um nome humano e o cobríamos de amor e guloseimas, então nosso luto pode ser mais intenso do que seria por um animal que tratássemos apenas como animal. Superar esse tipo de luto também pode envolver admitir ao Senhor que buscamos consolo em um animal em vez de nEle. Podemos pedir a Ele que nos mostre como encontrar o verdadeiro consolo e preencher esse vazio com a Sua presença (Hebreus 13:5).
O luto pode ocorrer em fases, mesmo quando estamos de luto pela perda de um animal de estimação. A visão de uma tigela de comida vazia ou de um chinelo meio mastigado pode provocar lágrimas. Permitir-se estar no momento e vivenciar essa dor da perda é, na verdade, uma maneira saudável de processá-la. Podemos fazer uma pausa por um momento e, em meio às lágrimas, agradecer a Deus pelos anos que passamos com nosso amado amigo peludo. Muitas pessoas pensam que não querem outro animal de estimação após a morte de um, mas a fase do luto não é o momento para fazer declarações definitivas. Também não é o momento para parentes ou amigos bem-intencionados empurrarem outro animal de estimação em nossos braços quando não expressamos esse desejo. Pessoas de fora podem concluir que tudo o que precisamos é de outro animal de estimação, mas, para um amante de animais que está de luto pela perda de um companheiro fiel, não há outro igual. O animal perdido era único, e é normal dedicar tempo para lamentar a perda dessa singularidade.
Assim como em qualquer dor profunda da alma, Deus é a nossa fonte de consolo. Ele está “perto dos quebrantados de coração e salva os que estão abatidos de espírito” (Salmo 34:18). A quem melhor expressar nossa tristeza do que Àquele que criou os animais para nosso prazer? Jesus disse que nem mesmo um pardal cai no chão sem que o nosso Pai saiba disso (Mateus 10:29). Ele criou esses pardais e conhece cada um deles. Ele também criou nossos animais de estimação e compreende o lugar que eles ocupam em nossos corações. Como Ele também se importa com os animais, Ele é um porto seguro para onde podemos recorrer com nossos sentimentos avassaladores.
A morte, seja de que tipo for, é sempre um lembrete da brevidade da vida. A vida não foi feita para morrer. O pecado causou isso (Gênesis 2:16–17). Quando nossos animais de estimação morrem, a nossa tristeza pode ser um lembrete sóbrio dos efeitos do pecado neste mundo. Isso também nos lembra que nossas próprias vidas são curtas. Nós também morreremos e enfrentaremos o julgamento (Hebreus 9:27). Para aqueles que pertencem a Cristo, o nosso julgamento já foi satisfeito por Sua morte e ressurreição em nosso favor (2 Coríntios 5:21). Para aqueles que não conhecem a Cristo, a morte de um animal de estimação pode ser um chamado de Deus para acordarmos. Ele quer chamar a nossa atenção. Muito mais grave do que a morte de um animal de estimação é a morte eterna de uma alma humana.
O luto é uma fase e não dura para sempre. Pessoas saudáveis se dão tempo para lamentar e, então, deixam a ferida cicatrizar. Seguir em frente não significa que a morte não tenha importado. Significa que a vida é para os vivos. Não estamos beneficiando ninguém — incluindo o ente querido que se foi — ao continuar a lamentar. Seguir em frente após a morte de um animal de estimação pode significar adquirir outro animal, descobrir um novo hobby ou iniciar um novo relacionamento. A morte de um animal de estimação pode, na verdade, marcar o início de uma nova fase sem a responsabilidade de ter um animal de estimação. Podemos abraçar essa nova fase, seja o que for que ela implique, e buscar maneiras de nos concentrarmos no que é eterno, para que nossas vidas dêem frutos para o reino de Deus (Colossenses 1:10).
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