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Pergunta

O que são frequências sagradas?

Resposta


O movimento Nova Era, na década de 1970, popularizou o conceito de frequências sagradas — a crença de que ouvir sons em determinadas frequências pode levar à cura espiritual, emocional e física. Apesar das alegações de alguns mestres da Nova Era e de alguns depoimentos populares nas redes sociais, não há base histórica ou científica para a eficácia terapêutica de determinadas frequências. Mais importante ainda, como todos os ensinamentos associados ao movimento Nova Era, não há base bíblica para a natureza milagrosa ou o poder de cura de frequências específicas.

O movimento Nova Era é uma mistura de espiritualidades orientais e pagãs, frequentemente incorporando crenças e práticas como astrologia, reencarnação, meditação, cartas de tarô, leituras psíquicas e cura com cristais. Embora se inspire em religiões indianas como o hinduísmo e o budismo e em sistemas de crenças chineses como o taoísmo e a medicina tradicional chinesa, ele continua sendo um fenômeno ocidental. O movimento da Nova Era popularizou a crença em frequências sagradas com base na tradição de sons sagrados encontrados em várias religiões e visões de mundo. No entanto, a ideia de que sons sagrados correspondem a frequências específicas é original do movimento da Nova Era.

Na década de 1990, o professor da Nova Era Joseph Puleo afirmou ter descoberto as chamadas frequências Solfeggio — hertz específicos que ele acreditava terem propriedades de cura espiritual e física. O termo Solfeggio, derivado da combinação das sílabas sol e fa, vem de uma palavra italiana que descreve a prática de atribuir sílabas a notas musicais, como em do-re-mi-fa-sol-la-ti. Por exemplo, a frequência de 396 Hz supostamente elimina a culpa e o medo, 528 Hz possibilita a transformação pessoal e 639 Hz melhora as relações interpessoais. Os praticantes acreditam que essas frequências estão entre aquelas que podem se alinhar aos chakras ou centros de energia do corpo, purificando-os de impurezas e promovendo o bem-estar.

Puleo alegou que Deus lhe disse que Números 7:12–83, no Antigo Testamento, continha códigos ocultos que revelavam hertz específicos com poder de cura. Ignorando o conteúdo da passagem, que trata de ofertas apresentadas no tabernáculo, Puleo procurou padrões nos números mencionados na passagem, incluindo os números dos versículos. Puleo concluiu que as frequências sobrenaturais ocultas na passagem eram 396, 417, 528, 639, 741 e 852. Para ser claro, Moisés, o autor de Números, não escreveu nada sobre frequências sagradas na passagem. Além disso, as divisões atuais em capítulos e versículos não são inspiradas, não tendo aparecido nas Bíblias modernas até a Idade Média. Ademais, a medição de frequências em hertz só foi desenvolvida no final do século XIX, com o trabalho do físico alemão Heinrich Rudolf Hertz (1857—1894). Apesar desses fatos, Puleo acreditava ter feito uma descoberta milagrosa.

Outra história bíblica que alguns professores da Nova Era citam em defesa de suas crenças está em 1 Samuel 16. Lá, “Davi pegou a lira e tocou-a com a mão”, exorcizando um demônio de Saul, aliviando assim o sofrimento do rei (versículo 23). Muitos que acreditam no poder de cura de frequências específicas presumem que Davi sabia que certos hertz poderiam desintoxicar espiritualmente Saul, o que explicaria por que o espírito maligno o abandonou. No entanto, o contexto da passagem atribui o impacto da música sobre Saul à unção de Deus sobre Davi, à presença do Espírito Santo em Davi e ao fato de que o Senhor estava com Davi (1 Samuel 16:3, 13, 18).

Outra afirmação histórica falsa feita por Puleo foi que os cantos gregorianos, uma forma de canto desenvolvida nos séculos IX e X e batizada em homenagem ao Papa Gregório I (540—604 d.C.), utilizavam frequências sagradas. O ensino da Nova Era argumenta que os monges gregorianos conheciam o poder sobrenatural de frequências específicas centenas de anos antes de os cientistas descobrirem essa medida, mas que o Vaticano suprimiu o conhecimento sobre elas. Não há base histórica para essas alegações além do ensino de Puleo.

A Bíblia ilustra que a música pode ter um profundo impacto espiritual no coração e na mente das pessoas. Por exemplo, Davi designou levitas para cantar e tocar instrumentos no templo (1 Crônicas 15:16), o salmista encorajou as pessoas a louvarem a Deus com instrumentos (Salmo 33:1–3) e João ouviu um som como o de harpistas tocando no céu (Apocalipse 14:2). Embora a Bíblia indique que a música usada no louvor e na adoração pode estar associada a bons sentimentos (por exemplo, Isaías 51:3), a crença de que certas frequências têm poderes místicos independentes de Deus, conforme proposto no conceito de frequências sagradas, não tem base bíblica.

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