Pergunta
Se alguém negar a Cristo após contrair a doença de Alzheimer, essa pessoa ainda estará salva?
Resposta
A doença de Alzheimer é uma doença cerebral degenerativa que afeta de 2% a 4% da população com mais de 65 anos. É a forma mais comum de demência, resultando em perda progressiva de memória, comprometimento do raciocínio, desorientação, alterações de humor e personalidade, e diminuição do funcionamento das habilidades sociais, ocupacionais, linguísticas, de resolução de problemas e motoras. Em média, a doença dura sete anos ou mais a partir do diagnóstico e acaba levando à morte. Nos estágios finais do Alzheimer, a pessoa pode ficar completamente acamada e incapaz de se comunicar.
Cuidar de uma pessoa com a doença de Alzheimer pode ser um fardo pesado, repleto de questões espirituais confusas. Uma preocupação frequente envolve um versículo bíblico no qual Jesus diz aos Seus seguidores: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos outros, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante das pessoas, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32–33).
Às vezes, um crente firme em Jesus Cristo negará conhecer o Senhor após contrair Alzheimer ou alguma outra forma de demência, como a doença de Huntington, a demência com corpos de Lewy ou a demência vascular. Um cristão cuidador pode se perguntar se o versículo em Mateus se aplica a crentes que anteriormente fizeram uma confissão de fé e viveram autenticamente, mas que depois negam Jesus enquanto sofrem de demência.
Vamos primeiro considerar Mateus 10:32–33 no contexto do ensinamento de Cristo. Jesus estava se preparando para enviar os Seus discípulos a ministrar por conta própria pela primeira vez. O medo da perseguição pesava em suas mentes. O Senhor os encorajou a não temer o que as pessoas pudessem fazer a eles e a não hesitar em confessar a sua fé em Jesus (Mateus 10:26–28). Deus, que os conhecia e valorizava suas vidas, estaria com eles para cuidar deles (Mateus 10:29–31). Jesus estaria defendendo-os diante do Pai. Portanto, eles não precisavam ter medo do que poderia lhes acontecer. Eles deveriam ir corajosamente e confessar Jesus Cristo como Senhor diante dos outros.
Quando Jesus falou sobre a negação, Ele se referia a um tipo de negação que ocorre quando uma pessoa cede ao medo sem fé. Alguém que tem a doença de Alzheimer não está cedendo a um medo sem fé; está passando por um comprometimento cognitivo ou perda de memória.
O apóstolo Paulo afirmou: “Fiel é esta palavra: 'Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar a si mesmo'” (2 Timóteo 2:11–13). Jesus é um representante voluntário perante o Pai no céu para todos os crentes. Aqueles que O negam sob pressão podem perder parte de sua recompensa em reinar com Ele, mas não perderão o seu lugar no céu. Assim, no caso de um paciente com Alzheimer negar ou rejeitar Cristo, Mateus 10:32–33 não se aplica.
À medida que os neurônios do cérebro se degeneram, uma pessoa com doença de Alzheimer vai esquecendo progressivamente. Esquecer não é o mesmo que rejeitar ou negar. O salmista declara: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73:26). No processo de morrer, podemos perder a saúde física, a capacidade mental, a habilidade de tomar decisões, traços de personalidade e a memória, mas Deus nunca nos abandonará. O nosso valor para o Senhor, como Seus filhos, não depende de lembrarmos de Deus, mas de Ele se lembrar de nós. O nosso Pai celestial conhece os nossos corações (1 João 3:20; Romanos 8:27; Provérbios 15:11). Ele se lembra de nossa confissão de fé e de nossa devoção a Ele ao longo de nossas vidas. Ele nunca nos deixará ir.
Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo, e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (João 10:27–29). Se uma pessoa é salva por Deus por meio da fé em Jesus Cristo, nada — nem mesmo a doença de Alzheimer — pode tirá-la de Seu abraço amoroso (Romanos 8:31–39). 1 Pedro 1:5 afirma que somos “protegidos pelo poder de Deus” para a salvação. Deus não deixará Seus filhos partirem, jamais.
Podemos ter certeza de que, se uma pessoa creu no evangelho e nasceu de novo verdadeiramente por meio da fé em Jesus Cristo, ela está eternamente segura nos braços de Deus. Não importa o que a doença de Alzheimer ou qualquer outra doença possa levar uma pessoa a dizer ou fazer.
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Se alguém negar a Cristo após contrair a doença de Alzheimer, essa pessoa ainda estará salva?
