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Pergunta

Um cristão deve ser um justiceiro?

Resposta


Um justiceiro é uma pessoa que assume a responsabilidade de fazer cumprir as leis ou de fazer justiça em situações em que a justiça parece impossível. Os justiceiros agem sem autoridade legal adequada e, muitas vezes, baseiam-se em suas próprias noções do que é certo e errado, sem se preocupar com o que é verdadeiramente justo. Os justiceiros ignoram o devido processo legal, às vezes acreditando que as autoridades policiais são inadequadas ou inexistentes e que a sua intervenção é necessária para manter a paz. A ironia é que, ao tentar levar os infratores à justiça, o justiceiro acaba se tornando ele próprio um infrator.

Muitos super-heróis populares da ficção, como o Homem-Aranha, o Batman e o Justiceiro, não passam, na verdade, de justiceiros extravagantes. Por combaterem o crime e levarem à justiça vilões que, de outra forma, ficariam impunes, são aclamados como heróis; a sua popularidade demonstra que o senso de justiça está profundamente enraizado na psique humana. Ansiamos por justiça.

A Bíblia contém exemplos de justiceiros em ação. Notavelmente, Simeão e Levi vingaram o estupro de sua irmã, Diná, matando todos os homens da cidade onde vivia o estuprador (Gênesis 34). Fineias poderia ser considerado um justiceiro quando defendeu a honra do Senhor e pôs fim à imoralidade e à idolatria que grassavam no acampamento dos israelitas (Números 25). A Lei Mosaica estipulava as limitações impostas aos justiceiros (“vingadores do sangue”) e concedia ao acusado o direito a um julgamento perante a assembleia (Números 35). Durante o tempo dos juízes, antes do estabelecimento da monarquia em Israel, “cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos” (Juízes 17:6), e homens como Sansão praticavam o vigilantismo. Mais tarde, Absalão, agindo como um justiceiro, assassinou seu meio-irmão Amnom (2 Samuel 13). Deve-se observar que a inclusão na Bíblia de relatos históricos sobre os atos de justiceiros não constitui uma aprovação generalizada do vigilantismo.

Os justiceiros eram comuns durante os anos da expansão do Oeste ao longo da fronteira americana. A lei e a ordem muitas vezes demoravam a chegar aos postos avançados da civilização. Na ausência de uma aplicação confiável da lei, a justiça — ou o que era percebido como justiça — era frequentemente feita por cidadãos que, para o bem ou para o mal, tomavam a lei nas próprias mãos. Após a Guerra Civil, grupos de justiceiros, como a Ku Klux Klan, usaram táticas de violência e intimidação para resistir às novas leis que libertaram os escravos. Em tempos mais modernos, justiceiros atacaram locais de extração de madeira, clínicas de aborto e outros pontos focais de controvérsia, na crença de que seguem uma lei superior àquela estabelecida no código legal dos EUA.

Há casos em que intervir em uma situação de crime em andamento é a única escolha correta. Por exemplo, um homem vê uma idosa sendo assaltada. Os mandamentos bíblicos de defender os fracos exigem que o homem vá em socorro da idosa (Salmo 82:3). Mas será que esse mandamento vai além da defesa reativa para incluir o vigilantismo proativo?

A essência da maioria dos atos de vigilantismo é contrária às Escrituras. Os justiceiros agem fora dos limites da lei, o que é problemático para os cristãos. Além disso, o vigilantismo frequentemente abre espaço para a justiça pelas próprias mãos, e as ações descontroladas de uma multidão dificilmente — ou nunca — conduzem à verdadeira justiça.

“Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores” (Romanos 13:1). A autoridade nos países livres é a lei, à qual até mesmo os líderes e juízes de uma nação devem obedecer. Na maioria dos casos, contornar o devido processo legal é desrespeitar a lei. É dever do governo “castigar o malfeitor” (Romanos 13:4; cf. 1 Pedro 2:14); é dever do cristão “submeter-se às autoridades” (Romanos 13:5; cf. 1 Pedro 2:13). Os cristãos devem ser exemplares em seu comportamento de obediência à lei. Exceto em situações raras, não há necessidade de recorrer ao vigilantismo. Existem maneiras melhores de resolver a injustiça percebida. O cristão é obrigado a “mostrar o devido respeito a todos, [...] temer a Deus, honrar o imperador” (1 Pedro 2:17), e ele ora “em favor dos reis e de todos os que exercem autoridade, para que vivamos vida mansa e tranquila, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2:2).

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