Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a criônica ou a criogenia?
Resposta
A criônica, uma aplicação da criogenia, é o processo de armazenamento de corpos humanos a temperaturas ultrabaixas, com o objetivo de preservá-los por longos períodos. O suposto objetivo da criônica é manter o corpo intacto até que a ciência médica avance o suficiente para curar qualquer doença que o tenha afetado e restaurar a saúde plena da pessoa. O custo do congelamento criogênico é astronômico — muito superior ao de transplantes de órgãos vitais — devido às despesas envolvidas em manter o corpo armazenado suficientemente frio por um longo período.
É difícil resfriar um corpo usando técnicas criogênicas sem destruí-lo. Legalmente, o processo de criônica só pode ser realizado quando o indivíduo estiver clinicamente morto — ou seja, quando o coração e o cérebro tiverem cessado suas funções. A razão para essa regulamentação é que, segundo os padrões médicos atuais, o processo de preservação criogênica torna o corpo permanentemente incapaz de sustentar a vida. O congelamento criogênico mataria uma pessoa viva.
Empresas do setor da criônica, como a Alcor Life Extension Foundation, têm se esforçado bastante para tranquilizar aqueles que se opõem à criogenia por motivos morais. Grupos pró-criogenia frequentemente citam ressurreições na Bíblia e passagens das Ecfcscrituras em que a vida é escolhida em detrimento da morte, mesmo quando a morte levaria a pessoa ao céu. Alguns fazem distinção entre “morte clínica” e “morte absoluta”. Além disso, os defensores da criogenia podem minimizar a ideia de que as pessoas que se submetem à criogenia estejam buscando a imortalidade.
Os argumentos a favor da criogenia contam com algum grau de respaldo bíblico e factual. A vida, como um dom de Deus, deve ser valorizada e protegida (Êxodo 20:13; Deuteronômio 30:19). A medicina avançou o suficiente para que algumas pessoas que teriam sido abandonadas como mortas há duzentos anos possam ser curadas hoje. Há questões teológicas legítimas sobre o momento exato em que uma pessoa se torna “realmente morta”, em oposição a apenas “clinicamente morta”.
Ao mesmo tempo, a maioria dos argumentos a favor da criônica não resiste a uma análise mais cuidadosa, e por um bom motivo. A esperança de restauração corporal por meio da criônica parece ser uma distração da esperança da restauração definitiva com Deus. As analogias com os milagres de Jesus não captam a essência do que são os milagres. Certamente, não há nada de errado em buscar avanços na tecnologia médica. No entanto, um milagre e um avanço médico são duas coisas diferentes. Só porque Deus fez algo não significa que o homem possa esperar reproduzir os Seus resultados por meio da tecnologia futura.
Os custos associados à criônica são significativos. Considerando que a reversão da suspensão criogênica não foi comprovada — na verdade, é impossível segundo os padrões atuais —, o custo exorbitante levanta questões sobre as prioridades financeiras. A morte é inevitável para todos nós; portanto, o enorme gasto com a criogenia parece inadequado, tendo em vista as muitas outras necessidades financeiras da humanidade.
A criônica não pode prometer a ressurreição. Ninguém sabe se a ciência algum dia permitirá que um corpo congelado criogenicamente seja trazido de volta à vida. Embora não haja nada de errado em tentar curas improváveis, a criônica representa um nível diferente de improbabilidade. No que diz respeito à ciência médica moderna, a criônica torna o corpo incapaz de sustentar a vida. Nenhuma tecnologia, atual ou futura, pode descongelar um corpo sem destruí-lo. O descongelamento bem-sucedido após a criopreservação continua sendo ficção científica.
Em outras palavras, a criônica é uma aposta extremamente improvável, e o apoio à criogenia baseia-se em uma fé cega. A Bíblia define a morte física como o momento em que a alma deixa o corpo (Tiago 2:26; 2 Coríntios 5:8). Em essência, aqueles que apoiam a criônica devem acreditar que o único requisito para a vida humana é um corpo funcional — a existência ou a localização da alma não tem importância. De acordo com essa crença, uma vez que o corpo seja descongelado, reparado e “reanimado”, o indivíduo estará tão vivo quanto estava antes do congelamento.
Grande parte da motivação por trás da criônica, abertamente ou não, é o desejo de imortalidade. Os defensores da criônica não buscam apenas o alívio de lesões ou doenças fatais. Em geral, eles estão tentando substituir a eternidade de Deus pela eternidade do homem. A criônica seduz o homem com a ideia de que a ciência é nosso curador definitivo e que a vida eterna pode ser encontrada no armazenamento criogênico. A Bíblia ensina que a imortalidade se encontra somente em Deus e que a existência física perpétua em um mundo caído não é o plano de Deus para ninguém.
Nada no processo da criônica é, por si só, indiscutivelmente contrário à Bíblia. Não é errado congelar um corpo humano após a morte. Algumas das premissas básicas por trás da criogenia, no entanto, estão em contradição com as crenças cristãs fundamentais. No fim das contas, o armazenamento criogênico de seres humanos é, muito provavelmente, uma perda de tempo, emoção e dinheiro que só serve para distrair.
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O que a Bíblia diz sobre a criônica ou a criogenia?
