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Pergunta

Como posso aprender a confiar mais em Cristo quando estou sofrendo?

Resposta


Muitos cristãos têm dificuldade em confiar em Cristo em meio a um sofrimento intenso. Todos nós lutamos contra sentimentos de dúvida e desânimo quando Deus não nos salva ou nos livra de provações dolorosas como perdas, desgostos, doenças ou dificuldades. Às vezes, podemos até ficar com raiva e culpar Deus pelo nosso sofrimento. No entanto, as Escrituras nos ensinam a esperar o sofrimento como parte inevitável desta vida e de nosso chamado como crentes (Mateus 5:10–12; 10:17, 22; Atos 14:22; 2 Timóteo 3:12; Filipenses 1:29; 1 João 3:13). Então, como podemos aprender a confiar em Cristo em meio às dificuldades que enfrentamos?

Primeiro, podemos nos encorajar ao saber que muitas figuras bíblicas passaram por sofrimentos extremos. Seus exemplos nos ensinam como enfrentar momentos dolorosamente desafiadores com confiança, esperança, fé e confiança em Jesus, que disse: “Falei essas coisas para que em mim vocês tenham paz. No mundo, vocês passam por aflições; mas tenham coragem: eu venci o mundo” (João 16:33).

Além de Jesus, talvez nenhuma outra pessoa na Bíblia tenha sofrido mais do que Jó. Ele passou por intensa dor física, luto e perda material. Assim como nós, Jó teve dificuldade em compreender o propósito de seu sofrimento. Ele era um “homem íntegro e reto”, justo e irrepreensível, que “temia a Deus e se afastava do mal” (Jó 1:1). Ele não merecia o caos e o desastre que Satanás foi autorizado a infligir a ele. No fim das contas, Jó nunca recebeu uma explicação definitiva de Deus sobre a causa de seu sofrimento. No entanto, apesar de tudo isso, Jó permaneceu tenazmente fiel ao Senhor.

Uma lição que aprendemos com a história de Jó é que o sofrimento pode não ter relação com nada que tenhamos feito. No entanto, uma vez que Deus permite o sofrimento em nossas vidas por qualquer motivo, não devemos deixar que isso nos leve a questionar o Seu amor por nós (Romanos 8:35–39). Devemos confiar em Cristo na escuridão. Tal sofrimento prova a autenticidade de nosso compromisso com Cristo e produz justiça no verdadeiro crente (Filipenses 3:8; Romanos 5:3–4; 2 Coríntios 4:16—5:4; 1 Pedro 1:6–7).

José é outra pessoa que encarnou a confiança absoluta em Deus, apesar de passar por grande sofrimento e perda. Ele foi vendido como escravo por seus irmãos, jogado na prisão injustamente e separado de seus entes queridos durante a maior parte de sua vida. Mas José suportou essas circunstâncias dolorosas dependendo de Deus para obter força (Hebreus 11:22). No final, José aprendeu que seu sofrimento fazia parte do plano de Deus para trazer um bem maior: "Vocês, na verdade, planejaram o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como estão vendo agora, que se conserve a vida de muita gente" (Gênesis 50:20).

O apóstolo Paulo teve sua parcela de sofrimento (Atos 9:29; 16:23; 2 Coríntios 6:5; 11:23–27; 1 Tessalonicenses 2:2), mas encorajou os crentes a “estarem sempre alegres. Orem sem cessar. Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” (1 Tessalonicenses 5:16–18). Paulo havia compreendido que Deus é soberano e, em última instância, controla nossas vidas. Por essa razão, Paulo pôde dizer: “Sei o que é passar necessidade e sei também o que é ter em abundância; aprendi o segredo de toda e qualquer circunstância, tanto de estar alimentado como de ter fome, tanto de ter em abundância como de passar necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12–13). A confiança de Paulo em Deus era total. Certa vez, o apóstolo implorou a Deus três vezes para que o curasse de um doloroso “espinho na carne”, mas quando Deus não o fez, Paulo resolveu, em sua fraqueza, confiar no recurso totalmente suficiente da graça de Deus (ver 2 Coríntios 12:8–9).

Embora possamos não entender por que sofremos, podemos confiar no propósito de Deus ao permitir isso. Às vezes, o sofrimento é a maneira de Deus nos disciplinar como Seus filhos (Hebreus 12:6, 11; Salmo 119:67). Deus pode escolher trazer correção pelo pecado por meio de uma provação dolorosa (ver Isaías 38:17). “Porque o Senhor repreende a quem ama, assim como um pai repreende o filho a quem quer bem” (Provérbios 3:12).

Jesus compara a disciplina corretiva do Pai à poda dos ramos. Às vezes, a poda necessária é severa (ver João 15:1–17). O Pai deve cortar a madeira morta e os brotos que não estão produzindo fruto. Ele poda o crescimento improdutivo para que o fruto espiritual possa crescer. O processo pode ser doloroso, mas é para o nosso bem.

Se nos encontrarmos em uma provação desconfortável, em vez de culpar a Deus, a nossa primeira reação deve ser examinar nossas vidas para ver se Deus deseja nos disciplinar e corrigir algum comportamento pecaminoso. Podemos nos alegrar e ser gratos por sermos Seus filhos.

O sofrimento chama nossa atenção (Salmo 119:71). C. S. Lewis expressou isso de maneira excelente: “Deus sussurra para nós em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores: é o Seu megafone para despertar um mundo surdo” (O Problema do Sofrimento, Bles, 1940, p. 81 em inglês). O sofrimento nos obriga a abandonar a confiança em nossa própria força e suficiência e a nos lançarmos à misericórdia e à graça de Deus (ver 2 Coríntios 1:9; 1 Pedro 4:19).

Quando sofremos, Satanás quer que culpemos a Deus. Esse era o seu plano com Jó. Em vez disso, como Jó, que nossa dor nos aproxime do Senhor (ver Jó 13:15; 42:5). Que possamos colocar nossa esperança nEle para disciplinar, corrigir e redirecionar nossas vidas. Que possamos examinar nossos corações em busca de pecado e nossa caminhada espiritual em busca de áreas onde Deus possa desejar desenvolver nosso caráter, estimular nosso crescimento ou nos conduzir por um caminho diferente. Não importa o que soframos, que possamos sempre confiar que Deus está fazendo com que todas as coisas contribuam para o nosso bem e para o Seu propósito maior, sabendo que sairemos vitoriosos no final (Romanos 8:28–39).

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