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Pergunta

Quais são as consequências de blasfemar contra Deus?

Resposta


A palavra blasfêmia, que significa “o ato de demonstrar desprezo ou desrespeito a Deus”, vem da palavra grega blasphemia, que aparece repetidamente no Novo Testamento (por exemplo, João 10:36; Romanos 2:24). As Escrituras também usam expressões como “amaldiçoar a Deus” (por exemplo, Apocalipse 16:11) e “falar contra” Ele (por exemplo, Malaquias 3:13) para descrever esse pecado. O significado bíblico da transgressão refere-se a difamar Deus, incluindo profanar o Seu nome, denegrir o Seu caráter e caluniar as Suas obras. A blasfêmia pode ocorrer por meio de palavras, ações e atitudes. As consequências de blasfemar contra Deus são severas.

As Escrituras expõem o caráter daqueles culpados pelo pecado da blasfêmia, revelando a corrupção espiritual e moral presente em seus corações e mentes obscurecidos. Eles são cheios de orgulho (2 Reis 19:22), destituídos de fé (Salmo 73:11), mergulhados na insensatez (Salmo 74:18), tomados pela ira (Isaías 8:21), dedicados à idolatria (Daniel 11:36–37), cheios de mentiras (Oséias 7:13) e envolvidos em heresias (Salmo 10:11). Em vez de refletirem a imagem e semelhança de Deus, os blasfemadores escolhem espelhar a natureza adversária e antagonista de Satanás (Gênesis 1:26–28; cf. Apocalipse 13:1, 6).

Quanto à manifestação dessa corrupção, blasfemar contra Deus pode ocorrer de inúmeras formas. Alguns O difamam com palavras (por exemplo, Salmo 139:20), enquanto outros o fazem por meio de ações (por exemplo, Provérbios 30:8–9). A Bíblia também registra casos em que indivíduos incentivaram outros a blasfemar. Por exemplo, a esposa de Jó o incentivou a amaldiçoar Deus (Jó 2:9), e Paulo — antes de sua conversão ao cristianismo — tentou forçar cristãos a blasfemar contra Deus (Atos 26:11).

As consequências de blasfemar contra Deus correspondem à gravidade da ofensa. O livro de Levítico relata a história de um homem que amaldiçoou e “blasfemou o Nome” de Yahweh (Levítico 24:11). Em resposta a esse pecado, Deus instruiu Moisés a remover o ofensor da comunidade e “toda a congregação o apedrejar” até a morte (Levítico 24:14). Esse incidente estabeleceu um precedente para futuros blasfemadores sob a lei dada por Deus a Moisés (Levítico 24:16).

A primeira carta de Paulo a Timóteo revela uma mudança em relação à pena de morte como punição para a blasfêmia sob a Nova Aliança estabelecida por Jesus Cristo (Jeremias 31:31–34; Lucas 22:20). Contudo, as consequências para a blasfêmia sem arrependimento continuam severas. O apóstolo menciona a excomunhão de dois homens, Himeneu e Alexandre, da comunidade cristã, descrevendo a sua punição como terem sido “entregues a Satanás para que aprendam a não blasfemar” (1 Timóteo 1:20). Assim, ao contrário do blasfemador executado em Levítico, Himeneu e Alexandre permaneceram vivos. Como um blasfemador transformado pela graça (1 Timóteo 1:12–14), Paulo provavelmente esperava que esses homens experimentassem uma conversão transformadora semelhante à sua (cf. 2 Timóteo 2:25–26). Ainda assim, a consequência para a blasfêmia deles não era irrevogavelmente final, mas potencialmente redentora.

Além da natureza, das manifestações e das consequências da blasfêmia contra Deus, uma das passagens mais marcantes da Bíblia sobre o tema trata do pecado imperdoável. Depois que Jesus curou um homem possesso por demônios, os fariseus O acusaram de usar poderes demoníacos para realizar o milagre (Mateus 12:22–24). Jesus respondeu que é ilógico afirmar que Satanás estaria agindo contra si mesmo ao expulsar demônios. Ele argumentou: “Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo; como, então, o seu reino subsistirá?” (Mateus 12:26).

Jesus então explicou que “todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada” (Mateus 12:31). Ele acrescentou: “Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, isso não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mateus 12:32).

Rejeitar o Filho do Homem, o que pode ser perdoado, significa não se arrepender do pecado nem confiar em Jesus para a salvação (cf. Marcos 1:15). De fato, nem todos decidem imediatamente seguir Jesus ao ouvirem o evangelho pela primeira vez. Tal ignorância inicial, confusão e dúvida podem ser perdoadas se a pessoa eventualmente se arrepender e crer.

Em contraste, os fariseus cometeram blasfêmia contra o Espírito Santo ao acusarem Jesus de estar possesso por demônios em vez de cheio do Espírito. Eles tinham a Lei e os Profetas, tinham o Espírito Santo agindo em seus corações, tinham o próprio Filho de Deus diante deles e viram com os seus próprios olhos os milagres que Ele realizou. Ainda assim, escolheram a rebeldia. Deliberadamente atribuíram a obra do Espírito ao diabo, mesmo conhecendo a verdade e tendo provas. Jesus declarou que essa cegueira voluntária era imperdoável. Não acreditamos que esse tipo específico de blasfêmia possa ser repetido hoje.

Blasfemar contra Deus é um pecado grave. Contudo, para aqueles que responderam ao evangelho com fé, essa ofensa, assim como todas as outras, pode ser perdoada por causa do sangue derramado de Jesus na cruz, que purifica do pecado (1 João 1:7, 9). As consequências da blasfêmia foram pagas por Jesus na cruz em favor de todos os que nasceram de novo pela fé em Cristo. Cooperar com a obra completa e contínua de santificação realizada pelo Espírito Santo (1 Tessalonicenses 5:23) transforma as palavras, ações e atitudes do crente, capacitando-o a viver de maneira que reverencie o santo nome de Deus (cf. Mateus 6:9).

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