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Pergunta

Qual é a visão cristã sobre o ascetismo e o monaquismo?

Resposta


O ascetismo e o monaquismo são duas disciplinas religiosas destinadas a minimizar os prazeres do mundo, para que o praticante possa concentrar-se na vida espiritual. Tanto o ascetismo quanto o monaquismo têm sido adotados por fiéis de várias religiões. Em geral, o ascetismo é a prática de uma abnegação rigorosa como meio de alcançar um plano espiritual superior. O monaquismo é o estado de reclusão do mundo para cumprir votos religiosos. Embora a maioria dos monges seja ascética, os ascetas não precisam ser monges.

O ascetismo deriva da palavra grega askesis, que significa “exercício, treinamento, prática”. Os ascetas renunciam aos prazeres mundanos que os distraem do crescimento espiritual e da iluminação, e levam uma vida de abstinência, austeridade e extrema abnegação. O ascetismo é comum no hinduísmo, no jainismo, no budismo, no judaísmo e no islamismo. O ascetismo não deve ser confundido com o estoicismo. Os estoicos acreditavam que a santidade só pode residir no reino espiritual, e que toda a matéria física é maligna. Os ascetas não acreditam necessariamente que a carne seja maligna, mas se esforçam ao máximo para negar a carne a fim de transformar a mente ou “libertar” o espírito. Historicamente, o ascetismo envolveu jejum, exposição ao calor ou ao frio, privação de sono, flagelação e até mesmo automutilação. O ascetismo é geralmente associado a monges, padres e iogues, e é ilustrado, de forma bastante perturbadora, pelo personagem Silas, o monge albino em O Código Da Vinci.

O voto nazireu voluntário poderia ser visto como uma forma moderada de ascetismo. As pessoas do Antigo Testamento que faziam esse voto se consagravam a Deus e se abstinham de beber vinho e cortar o cabelo (Números 6:1-21). Os ascetas cristãos modernos usam passagens como 1 Pedro 2:11 e 1 Coríntios 9:27 para fundamentar o seu estilo de vida e demonstram a sua austeridade de diversas maneiras. Alguns optam pelo celibato. Outros praticam disciplinas religiosas, como meditação, vigília e jejum.

O monaquismo é semelhante ao ascetismo, mas com um enfoque ligeiramente diferente. Enquanto os ascetas praticam uma abnegação extrema, os monges isolam-se de todas as influências terrenas na tentativa de levar uma vida piedosa e cumprir seus votos religiosos pessoais. O monaquismo cristão baseia-se em uma interpretação extrema dos ensinamentos de Jesus sobre a perfeição (Mateus 5:48), o celibato (Mateus 19:10-12) e a pobreza (Mateus 19:16-22). Monges e freiras procuram controlar seu ambiente e cercar-se de devotos com ideias semelhantes. Muitas religiões orientais também praticam o monaquismo, sendo o monge budista talvez o mais reconhecível.

O monaquismo cristão tem suas raízes na influência da tradição judaica. Os essênios, uma seita mística judaica, eram semelhantes aos monges. Eram tão devotos quanto os fariseus, mas viviam isolados, muitas vezes em cavernas no deserto. É possível que João Batista fosse um essênio, e muitos estudiosos acreditam que os Manuscritos do Mar Morto tenham sido escritos por essênios. O monaquismo no cristianismo tornou-se popular durante a época de Constantino. Com o apoio do governo ao cristianismo, muitos crentes passaram a achar mais difícil levar uma vida piedosa. Alguns deles deram as costas à sociedade e fugiram para o deserto, onde acreditavam que a quietude e as privações autoimpostas tornariam mais fácil seguir Jesus. Hoje, a maioria dos monges e freiras ocidentais é católica, embora exista um movimento entre os protestantes para que indivíduos e famílias vivam em comunidade.

Os seguidores de Cristo são exortados a negar a si mesmos (Lucas 9:23), mas o ascetismo leva esse mandamento ao extremo. A Bíblia nunca sugere que um cristão deva buscar propositalmente o desconforto ou a dor. Pelo contrário, Deus nos abençoou ricamente “com tudo para o nosso prazer” (1 Timóteo 6:17). A Bíblia adverte contra aqueles que “proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com gratidão pelos que creem e conhecem a verdade” (1 Timóteo 4:3); portanto, é errado acreditar que os celibatários que se abstêm de certos alimentos sejam “mais santos” do que as outras pessoas. Estamos sob a graça, não sob a lei (Romanos 6:14); portanto, o cristão não vive segundo um conjunto de regras, mas segundo a orientação do Espírito Santo. Cristo nos libertou (João 8:36). Em muitos casos, o asceta pratica a abnegação a fim de ganhar o favor de Deus ou, de alguma forma, purificar-se do pecado. Isso demonstra um equívoco sobre a graça; nenhuma austeridade, por maior que seja, pode garantir a salvação ou merecer o amor de Deus (Efésios 2:8-9).

O monaquismo não é bíblico, pois ignora a nossa responsabilidade de ir a todas as nações e pregar o evangelho (Mateus 28:19). Embora não façamos parte do mundo, estamos nele, e a igreja nunca teve a intenção de se isolar das pessoas que precisam de Cristo (1 Coríntios 5:9-10).

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