Pergunta

O que é a sinalização de virtude?

Resposta
A sinalização de virtude é um termo relativamente novo (surgido no início dos anos 2000) que pode ser definido como a expressão de uma opinião “moral” sobre um determinado assunto, com o objetivo de fazer com que o indivíduo pareça uma “boa pessoa” aos olhos de um grupo específico de pessoas. Um exemplo de sinalização de virtude seria quando alguém critica uma forma de vestimenta — taxando-a de imprópria ou imodesta — a fim de parecer virtuoso perante um grupo religioso. Ou, ainda, a sinalização de virtude poderia assumir a forma de publicar no Facebook o comprovante de uma doação beneficente, para se apresentar como uma pessoa generosa. A sinalização de virtude também é utilizada por políticos com o intuito de angariar apoio.

O problema das pessoas que exibem publicamente a sua virtude vem de muito tempo atrás, e o Senhor Jesus abordou essa questão em Mateus 6:1–4, muito antes de se lhe dar esse nome. O Senhor refere-se aos hipócritas que adoram dar esmolas diante de uma multidão (versículo 2). O conselho que o nosso Senhor dá no versículo 3 é para não deixar que a mão direita saiba o que a esquerda está fazendo. Em outras palavras, mantenha suas atividades beneficentes em segredo. A exibição de virtude é vedada ao seguidor de Cristo. Se, por acaso, as pessoas o virem dando dinheiro aos pobres, que assim seja; mas a motivação nunca deve ser a de que as pessoas o notem. Deus olha para o coração, não para o homem exterior (1 Samuel 16:7). Como escreve um comentarista: “O sigilo de nossa caridade é uma boa evidência de sua sinceridade” (William Burkitt, Comentário sobre o Novo Testamento, entrada referente a Mateus 6:1).

A Bíblia não deixa espaço para a sinalização de virtude. Somos instruídos a nos esforçar para sermos “quietos” (1 Tessalonicenses 4:11) e a “fazer o bem a todas as pessoas” (Gálatas 6:10). Não nos é dito para falar sobre as nossas boas obras, mas apenas para realizá-las. Provérbios 27:2 diz: “Deixe que outros o louvem, e não a sua própria boca; um estranho, e não você mesmo.” A sinalização de virtude e a busca por elogios são maneiras indiretas de nos elogiarmos a nós mesmos.

E quanto a Mateus 5:16? Jesus disse: "Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus." Será isto uma ordem para nos dedicarmos a exibir a nossa virtude? Não, isto não é uma referência a gabar-nos ou a anunciar as nossas boas obras (no mesmo sermão, Jesus adverte contra tal ostentação — ver Mateus 6). As palavras do Senhor em Mateus 5:16 dizem-nos que, ao vivermos uma vida obediente, os outros não podem deixar de notar (cf. 1 Pedro 1:15). A glória é de Deus Pai, não nossa.

É a nossa natureza humana decaída que cria a tendência para fazer ostentação de virtudes. É natural que queiramos que os outros tenham uma boa opinião de nós, e é tão fácil nas redes sociais divulgar as nossas boas ações ou proclamar os nossos valores elevados. Mas fomos chamados a ser fiéis perante Deus, não a procurar a aclamação do mundo: "Muitos proclamam a sua própria bondade, mas alguém que é digno de confiança, quem o achará?" (Provérbios 20:6).

Devemos proclamar não a nossa própria justiça, mas a de Cristo (ver 1 Coríntios 3:21; Filipenses 3:9; 1 Pedro 3:18). Paulo diz em Gálatas 6:14: "Mas longe de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu estou crucificado para o mundo." Quando forçado a enumerar as suas credenciais segundo a carne, Paulo introduziu as suas observações com estas palavras: "O que falo nesta confiança de gloriar-me, não o falo segundo o Senhor, mas como por loucura" (2 Coríntios 11:17). A ostentação de virtudes é vaidosa e é tolice.

João Batista, o maior dos profetas (Lucas 7:28), teve a oportunidade de demonstrar suas virtudes ao ser abordado pelos sacerdotes e levitas em João 1:19–21. Quando perguntaram a João: “Quem é você?” e “O que você diz a respeito de si mesmo?”, ele poderia ter discorrido eloquentemente sobre a sua moral, apontado para as grandes obras que realizava ou, de alguma outra forma, sinalizado a sua virtude. Em vez disso, João disse: “ Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitem o caminho do Senhor” (versículo 23). Em seguida, ele desviou a atenção das pessoas de si mesmo e a dirigiu para Jesus Cristo, “mas não sou digno de desamarrar as correias das suas sandálias” (versículo 27). Que possamos aprender a mesma humildade.