Pergunta

O que a Bíblia diz sobre segundas chances?

Resposta
Deus não é apenas o Deus da segunda chance; Ele é o Deus de mais uma chance. Isso é uma boa notícia, porque a maioria de nós acaba falhando rapidamente na segunda oportunidade. Um dos aspectos mais impressionantes do caráter de Deus é a Sua incrível paciência conosco. O Salmo 86:15 diz isso muito bem: “Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade.” Miqueias 7:18 diz: “Quem é semelhante a ti, ó Deus, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do remanescente da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.”

A Bíblia está repleta de pessoas que receberam uma segunda chance, e até mesmo uma terceira e uma quarta chance: Pedro, Jonas, Marcos, Sansão, Davi e outros. Todos são testemunhos da graça de Deus.

Assim como Deus é paciente e misericordioso, Ele deseja que os Seus filhos sejam pacientes e misericordiosos com os outros. “Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência” (Colossenses 3:12). Ele nos dá segundas chances, e devemos fazer o mesmo com os outros. Jesus faz uma severa advertência àqueles que se recusam a perdoar, dizendo que, se não perdoarmos os outros, Deus não nos perdoará (Mateus 6:15; veja também Efésios 4:32; Colossenses 3:13; e Provérbios 19:11). Se alguém estiver verdadeiramente arrependido, então somos obrigados a perdoar (Mateus 18:21-22).

Oferecer perdão não é o mesmo que reconciliação. Muitas pessoas têm dificuldade em encontrar o equilíbrio entre demonstrar misericórdia e permitir que uma pessoa prejudicial continue causando danos. Devemos estar dispostos a perdoar todos aqueles que nos ofendem, assim como Jesus nos perdoa. Mas, quando alguém continua a violar impenitentemente os limites de outra pessoa, uma pessoa sábia aprende a estabelecer limites mais firmes. Se um homem lhe deu repetidos socos no rosto, você pode oferecer o seu perdão; mas não fique ao alcance de um braço dele até que essa pessoa tenha provado, ao longo do tempo, que mudou.

Dar a alguém uma segunda chance significa oferecer outra oportunidade para que essa pessoa reconquiste nossa confiança. Mas isso não quer dizer que devemos esquecer imediatamente o que a experiência nos ensinou. A confiança precisa ser construída ao longo do tempo, e é imprudente concedê-la de forma precipitada. Podemos ter um coração amoroso e perdoador, ao mesmo tempo em que exercemos cuidado e sabedoria na proteção da nossa vida.

Quando prejudicamos alguém, não temos o direito de exigir outra chance. Mas devemos nos esforçar para merecer outra chance, demonstrando continuamente arrependimento e mudança.

Até mesmo Deus estabelece um limite para o perdão. Em Romanos 1:18–32, o apóstolo Paulo nos alerta sobre o que acontece quando continuamos rejeitando a paciência de Deus e recusando o Seu chamado ao arrependimento. Três vezes aparece a expressão “Deus os entregou”. Quando insistimos em viver do nosso próprio jeito, em vez do modo que Deus deseja, Ele permite. Com o tempo, quando o nosso coração se endurece contra Ele, Deus nos deixa seguir o nosso caminho. Ele nos entrega a uma mente reprovada, incapaz de buscar a Deus. Nesse ponto, o pecado se torna o nosso deus.

Pode chegar um momento em um relacionamento humano em que algo semelhante acontece — quando o perdão já foi oferecido e a restauração foi possível, mas uma das partes se recusa a se arrepender e rejeita qualquer tentativa de reconciliação. Pode ser hora de encerrar esse relacionamento. As segundas chances deixam de funcionar. Terminar um relacionamento é o último recurso, mas, às vezes, é necessário (Mateus 18:17).

Deus faz tudo o que pode para nos conduzir ao arrependimento, oferecendo perdão e novas oportunidades (2 Pedro 3:9). Mas, se continuarmos a rejeitá-lo, essa oferta é retirada e, após a morte, não há mais oportunidades (Hebreus 9:27). A graça de Deus é o nosso modelo. Podemos oferecer segundas chances aos outros até o ponto em que um relacionamento saudável deixa de ser possível.