Pergunta

O que é o sabatismo? O que é um sabatista?

Resposta
A palavra “sábado” deriva do hebraico e significa “sete”. O dia do sábado é o sétimo dia da semana — o sábado. A palavra “sábado” também passou a ser associada ao conceito de descanso. Por exemplo, um professor pode tirar uma licença sabática — uma licença temporária do ensino.

A observância do dia do sábado (sétimo dia) é um dos Dez Mandamentos em Êxodo 20:8–11: “Lembre-se do dia de sábado, para o santificar. Seis dias você trabalhará e fará toda a sua obra, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu animal, nem o estrangeiro das suas portas para dentro. Porque em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.”

A regra do sábado era claramente um mandamento para o antigo Israel, mas o sabatismo ensina que os cristãos de hoje devem observar o sábado. Um sabatista é um cristão professo que observa o sábado. Grupos com “Sétimo Dia” em seus nomes são grupos sabatistas (por exemplo, Adventistas do Sétimo Dia, Batistas do Sétimo Dia). As razões e o significado da observância do sábado variam desde aqueles que simplesmente acreditam que isso é algo que agrada a Deus até aqueles que fazem disso um requisito para a salvação, passando por grupos que veem a adoração no domingo (em vez do sábado) como a marca da besta.

A questão se complica ainda mais por alguns cristãos que acreditam que o domingo é o “sábado cristão” e que as proibições contra o trabalho foram transferidas do sábado para o domingo. Essa crença costumava ser muito mais comum nos Estados Unidos do que é hoje e se refletia nas “leis azuis”, que restringiam certas atividades no domingo, e no fato de que muitos, se não a maioria, dos estabelecimentos comerciais (incluindo postos de gasolina) fechavam aos domingos. Não era incomum que escritores cristãos mais antigos se referissem ao domingo como “o sábado”, e alguns até se autodenominavam “sabatistas”, de modo que o leitor moderno deve discernir cuidadosamente se o escritor é um “sabatista” do sábado ou do domingo. Os sabatistas modernos são observadores do sábado.

Vários pontos relativos ao sabatarianismo precisam ser esclarecidos:

1. Em nenhum lugar do Novo Testamento o domingo é chamado de “Sábado cristão”. Os cristãos nunca são ordenados a cessar o trabalho no domingo. O domingo é o dia cristão de adoração porque Jesus ressuscitou dos mortos no primeiro dia da semana (Lucas 24:1). Era prática dos primeiros cristãos reunir-se no domingo (Atos 20:7), mas, mesmo assim, nenhum mandamento do Novo Testamento estabelece o domingo como dia de descanso e/ou adoração.

2. A igreja primitiva debateu-se com a questão de como aplicar a Lei de Moisés aos judeus e gentios crentes. Alguns achavam que os judeus e gentios crentes deviam obedecer à lei para alcançar a salvação (Atos 15:1). Outros achavam que guardar a lei deveria ser o padrão de comportamento cristão, mas não era um meio ou requisito para a salvação (Atos 15:5). Alguns acreditavam que os judeus crentes precisavam continuar a guardar a lei, mas que os gentios não eram obrigados a fazê-lo. E alguns acreditavam que nenhum crente, judeu ou gentio, tinha a obrigação de observar o sábado ou qualquer parte da Lei da Antiga Aliança. O apóstolo Paulo se enquadra nesta última categoria:

• Romanos 14:5: “Alguns pensam que certos dias são mais importantes do que os demais, mas outros pensam que todos os dias são iguais. Cada um tenha opinião bem-definida em sua própria mente.” (Em outras palavras, a observância do sábado não é uma questão moral, mas de preferência pessoal e liberdade. Não se pode imaginar Paulo dizendo: “Um homem é fiel à sua esposa e outro tem várias amantes. Cada um deve estar firmemente convencido em sua própria mente do que deve fazer.”) Se uma pessoa deseja observar o sábado (no sábado ou no domingo) como uma prática saudável, tudo bem — mas é uma decisão pessoal.

• Colossenses 2:16–17: “Portanto, que ninguém julgue vocês por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

3. O dia de sábado tinha o propósito de prenunciar o descanso de Deus em Cristo, disponível para o cristão. Embora ter um dia de descanso fosse/seja uma bênção, é uma bênção muito maior descansar na salvação que Cristo oferece. “Portanto, resta um repouso sabático para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus descansou das suas. Portanto, esforcemo-nos por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo aquele exemplo de desobediência” (Hebreus 4:9–11). O contexto deixa claro que o descanso mencionado é a salvação em Cristo. A desobediência mencionada é a recusa em acreditar no que Deus prometeu. Se uma pessoa deixou de tentar merecer a salvação e simplesmente descansa na obra consumada de Cristo, ela está “guardando o sábado” conforme a intenção de Deus. Ironicamente, aqueles que insistem que é preciso guardar a lei do sábado para ser salvo estão, na verdade, trabalhando quando deveriam estar descansando e, assim, negando a si mesmos o verdadeiro descanso sabático.

O sabatismo não deve ser confundido com sabataianismo ou sabateanismo, que foi um movimento dentro do judaísmo impulsionado pelas reivindicações messiânicas do judeu otomano Sabbatai Tsevi (1626—1676).