Pergunta

Quando foi escrita a Carta aos Gálatas?

Resposta
Em meados do século I d.C., falsos mestres conhecidos como judaizantes espalharam doutrinas não bíblicas nas igrejas da Galácia, uma província romana. Em resposta aos seus ensinamentos legalistas, Paulo escreveu uma carta a essas igrejas, carta essa hoje conhecida como a Carta aos Gálatas. De acordo com evidências internas e externas, Paulo escreveu a carta em 49 d.C. ou logo depois, após a sua primeira viagem missionária e logo após o Concílio de Jerusalém em 49 d.C. (Atos 15:1–21).

Compreender a vida e o ministério de Paulo fornece evidências importantes sobre quando ele escreveu Gálatas. No versículo inicial, Paulo se identifica claramente: “Paulo, apóstolo — não da parte de pessoas, nem por meio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos” (Gálatas 1:1). Mais adiante, ele menciona a sua autoria em um apelo pessoal: “Eu, Paulo, lhes digo que, se vocês se deixarem circuncidar, Cristo não terá valor nenhum para vocês” (Gálatas 5:2). Essas referências fornecem fortes evidências internas de que o próprio Paulo escreveu a carta.

Paulo não apenas se identifica em Gálatas, mas também compartilha detalhes de sua própria vida. Por exemplo, ele escreve: “E, na minha nação, quanto ao judaísmo, levava vantagem sobre muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições dos meus pais” (Gálatas 1:14). Ele então descreve o chamado de Deus para sua vida e seu tempo na Arábia antes de voltar para Damasco (Gálatas 1:15–17). Em seguida, examinar os eventos na vida de Paulo, especialmente suas três viagens missionárias em Atos, ajuda a revelar quando ele escreveu Gálatas. O Concílio de Jerusalém ocorreu na primavera, entre a primeira e a segunda viagem missionária de Paulo (Atos 15). A questão principal diante daquele concílio era se os crentes gentios precisavam seguir a Lei mosaica para se tornarem cristãos — a mesma questão que Paulo tratou em sua epístola aos Gálatas.

Os judaizantes estavam pressionando os cristãos na Galácia a seguir a Lei de Moisés, então Paulo respondeu com palavras fortes. Ele escreveu: “Estou muito surpreso em ver que vocês estão passando tão depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual, na verdade, não é outro. Porém, há alguns que estão perturbando vocês e querem perverter o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:6–7). Devido à influência de falsos mestres, Paulo defendeu o verdadeiro evangelho, a mensagem de que a salvação vem pela graça, mediante a fé, independentemente das obras da lei. Paulo menciona o Concílio de Jerusalém em Gálatas 2:1–10. A decisão desse concílio está em total consonância com a sua mensagem aos gálatas.

Em resposta ao falso ensino dos judaizantes, Paulo proclama com ousadia e defende com firmeza as boas novas de Jesus. Ele diz que a salvação vem pela graça, por meio da fé. Paulo conhecia essa verdade em sua própria vida, escrevendo: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Escrita por volta de 49 d.C., a carta aos Gálatas mostra que, desde os primeiros dias da igreja, o evangelho era claro: a salvação é pela graça, mediante a fé em Jesus somente (cf. Efésios 2:8–9).