Pergunta

Quais são alguns exemplos bíblicos de meditação?

Resposta
A meditação é o ato de concentrar as energias mentais em um tema específico, com o objetivo de alcançar uma resolução ou paz de espírito. A meditação bíblica restringe essa definição a um exercício espiritual centrado nas Escrituras. Na meditação bíblica, a pessoa acalma deliberadamente o coração e contempla determinados versículos, perguntando: “O que isso está me dizendo sobre a minha vida e a minha situação?” ou “O que isso está dizendo sobre Deus?” A meditação bíblica pode incluir oração, memorização da Bíblia e leitura. A meditação era comum nos tempos bíblicos, e Josué 1:8 a ordena, prometendo recompensa por meditar e obedecer às Escrituras: “Não cesse de falar deste Livro da Lei; pelo contrário, medite nele dia e noite, para que você tenha o cuidado de fazer segundo tudo o que nele está escrito; então você prosperará e será bem-sucedido.”

Os Salmos estão repletos de exortações para meditar sobre todas as qualidades de Deus. Os versículos bíblicos sobre meditação mostram as diferenças entre ela e a ioga ou outras formas de meditação não bíblica. Meditar corretamente eleva nossos corações em comunhão com Deus. Nosso foco está nEle, não em nós mesmos. Estamos internalizando as verdades encontradas em Sua Palavra, não buscando encontrar a verdade dentro de nós mesmos. O Salmo 119:15–16 aponta o objeto de nossa meditação: “Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito. Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.” O Salmo 77:12 diz: “Meditarei em todas as tuas obras e pensarei em todos os teus feitos poderosos.” Este versículo resume bem a meditação piedosa e deve ser a oração diária de todo cristão: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (Salmo 19:14).

O primeiro exemplo bíblico de meditação encontra-se em Gênesis 24:63, quando Isaque foi para o campo ao entardecer para meditar. Enquanto estava lá, viu o servo de seu pai voltando de Aram-Naharaim com Rebeca, que em breve se tornaria a noiva de Isaque. A forma como a Bíblia relata esse evento sugere que a meditação fazia parte da rotina habitual de Isaque. Não sabemos a natureza exata de sua meditação naquele dia, mas ele sabia que o seu pai havia mandado buscar uma esposa para ele. É provável que as meditações diárias de Isaque incluíssem orações por sua futura noiva, preocupações sobre se tornar marido e gratidão a Deus por não mais estar sozinho após a morte de sua mãe (ver Gênesis 24:67).

O rei Davi nos dá outro exemplo de meditação. Em 2 Samuel 7, o profeta Natã transmite a mensagem de que o Senhor não queria que Davi construísse uma casa para Ele. Em vez disso, Deus levantaria o filho de Davi (Salomão), a quem caberia essa honra. Em resposta a essa notícia, “Davi entrou e sentou-se diante do Senhor” (versículo 18). O restante do capítulo registra a oração de Davi a Deus como parte de sua meditação. “Sentado diante do Senhor” é uma boa descrição dos momentos em que aquietamos os nossos corações para comungar com Deus. Removemos as distrações, entramos em um espírito de adoração, oramos e permitimos que o Espírito Santo examine nossos corações e revele o que precisa ser mudado (Salmo 139:23). Nessa quietude, Deus frequentemente traz à mente passagens das Escrituras que aprendemos anteriormente e as aplica à nossa situação atual.

Por exemplo, um professor pode se debater com o pedido de um aluno particularmente irritante para que o leve de carro a algum lugar. Ele não quer fazer isso. Ele orou: “Senhor, eu faria isso por Ti, mas não quero fazer por ele. Já o ajudei o suficiente”. Mas ele não se limita à oração. Ele reserva um tempo para meditar sobre o Senhor e a Sua glória e, ao fazê-lo, um versículo vem à sua mente: “Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mateus 25:40). O professor agora tem uma orientação. Não apenas aprendemos mais sobre Deus quando meditamos, mas Ele pode falar conosco quando as nossas mentes estão focadas nEle.

O Salmo 1:1–2 incentiva a meditação: “Bem-aventurado é aquele [...] cujo prazer está na lei do Senhor, e que medita na sua lei dia e noite.” Ser bem-aventurado é ser espiritualmente próspero e favorecido por Deus. Mas como é possível meditar na lei de Deus “dia e noite”? Isso acontece quando a meditação se torna um hábito, parte do estilo de vida de alguém. Uma pessoa cheia do Espírito (Gálatas 5:16, 25) vive em um estado de meditação contínua, mesmo enquanto cumpre a sua rotina diária. Deus nunca está longe de sua mente, e cada imagem, som e acontecimento é mais uma oportunidade de compartilhar com o Senhor. “O trânsito está assustador hoje, Senhor. Obrigado por tua proteção.” “Aquela árvore-cercis está linda, Senhor! Ela me lembra da tua beleza e criatividade. Tua Palavra diz que todas as tuas obras te louvam (Salmo 145:10), e essa árvore certamente o faz!” Quando os nossos corações estão em sintonia com Deus, a meditação surge naturalmente e é uma boa maneira de nos mantermos longe do mal (Salmo 34:14–15).