Pergunta

O que significa ter uma atitude de superioridade moral?

Resposta
Uma atitude de superioridade moral é o orgulho manifestado por meio de palavras ou ações quando as pessoas se consideram mais justas ou morais do que os outros, com base em seus próprios critérios de julgamento. Quando alguém adota um determinado estilo de vida ou se convence de certos comportamentos que não são necessariamente compartilhados por outros cristãos, pode começar a se considerar melhor do que aqueles que divergem dele. Uma atitude de superioridade moral é uma armadilha traiçoeira que pode facilmente nos aprisionar.

Deus frequentemente nos dá convicções pessoais específicas à medida que crescemos em nossa fé. Mas quando usamos essas convicções como uma coroa e criticamos abertamente aqueles que não as compartilham, estamos demonstrando uma atitude de superioridade moral. Por exemplo, um cristão pode ter a convicção de que não deve assistir a filmes exibidos nos cinemas. Devido aos filmes malignos geralmente exibidos lá, essa pessoa acredita que é errado apoiar financeiramente o cinema. De acordo com Romanos 14:14, seria errado para ele violar essa convicção e assistir a um filme. No entanto, essa convicção não é ordenada em nenhum lugar da Bíblia; portanto, se esse cristão começar a condenar outros cristãos que assistem a filmes adequados nos cinemas, ele desenvolveu uma atitude de superioridade moral.

Muitas pessoas com uma atitude de superioridade moral também caem na armadilha do legalismo. Os legalistas acreditam que o cumprimento das regras lhes garantirá o favor de Deus e, por isso, tendem a dar mais ênfase aos comportamentos externos do que às motivações internas do coração. Isso é o oposto das prioridades de Deus (1 Samuel 16:7; Lucas 16:15). Os fariseus legalistas da época de Jesus tinham atitudes de superioridade moral. Eles se consideravam especialistas no cumprimento da Lei de Deus e, portanto, mais próximos de Deus do que as outras pessoas, mas Jesus apontou que eles haviam perdido o sentido da Lei. Em Mateus 23:23, Jesus disse: “Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezam os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Mas vocês deviam fazer estas coisas, sem omitir aquelas!”

Quando adotamos uma atitude de superioridade moral, isso significa que começamos a nos comparar com outras pessoas, em vez de manter nossos olhos fixos em Jesus como nosso exemplo (2 Coríntios 10:12). Aqueles que se deleitam com essa atitude de superioridade moral costumam se aproximar de pessoas com quem possam se comparar favoravelmente. Eles mantêm essa atitude viva pensando: “Pelo menos eu não sou como fulano”. Vemos essa atitude demonstrada nas redes sociais. Algumas pessoas postam fotos de suas Bíblias abertas com um versículo do dia, apenas para depois fazer comentários rudes ou depreciativos em outras postagens. Pessoas que se acham superiores não participam respeitosamente de discussões sobre ideias; elas menosprezam, dão sermões e ficam com raiva quando desafiadas. Exigem respeito, mas raramente o demonstram. Falam em termos absolutos, mesmo quando a Bíblia não o faz. E muitas vezes distorcem um ou dois versículos bíblicos para provar que a sua opinião se aplica a todos, mesmo que a totalidade das Escrituras não apoie a sua ideia.

Embora nunca devamos abrir mão dos princípios fundamentais da salvação, da graça e da divindade de Jesus, outras questões que não são claramente abordadas nas Escrituras podem servir de base para o desenvolvimento de uma atitude de superioridade moral. É Deus quem define o pecado; não nós. Se uma mulher usa maquiagem, joias ou cores vivas nunca é abordado nas Escrituras, portanto, tais escolhas são entre ela e Deus. Temos a tendência de julgar uns aos outros sobre tudo, desde como as crianças são educadas até se alguém bebe vinho com moderação ou não. Quando vamos além de expressar nossos pensamentos como convicção pessoal e os apresentamos como regras para todos os outros, podemos desenvolver uma atitude de superioridade moral. Quando começamos a nos considerar melhores do que as outras pessoas porque não lutamos contra uma tentação específica ou porque mantemos um alto padrão em uma área de conduta, já estamos agindo com superioridade moral.

Não devemos confundir a atitude orgulhosa de quem se considera mais santo do que os outros com uma postura piedosa e baseada nas Escrituras. Por exemplo, tornou-se moda, mesmo entre cristãos professos, defender a homossexualidade como algo aceitável aos olhos de Deus. Aqueles que se opõem a esse pensamento com base nas Escrituras (Gênesis 19:1–13; Levítico 18:22; 20:13; Romanos 1:26–27; 1 Coríntios 6:9; Judas 1:7) são frequentemente acusados de terem atitudes de superioridade moral. No entanto, não é orgulho mostrar amorosamente aos outros o que a Palavra de Deus diz sobre um assunto. É a maneira como declaramos essa verdade que pode marcar a diferença entre a confiança na Palavra de Deus e uma atitude de superioridade moral.

Paulo abordou como evitar uma atitude de superioridade moral em Romanos 14. Na época dele, os temas polêmicos eram comer carne oferecida aos ídolos e quais dias considerar dias santos. Paulo instrui seus leitores a “deixarem de julgar uns aos outros. Pelo contrário, tomem a decisão de não pôr tropeço ou escândalo diante do irmão” (versículo 13). Em vez de desenvolver uma atitude de superioridade moral em relação àqueles que não compartilham de nossas convicções pessoais sobre questões não essenciais, devemos buscar maneiras de limitar as nossas próprias liberdades para não ofender um irmão mais fraco (versículo 15). A humildade, e não o orgulho, deve caracterizar a vida de um crente.