Pergunta

Será que uma “sensação de calor no peito” é uma forma confiável de confirmar uma orientação de Deus?

Resposta
A expressão “sensação de calor no peito” descreve uma sensação de calor na região do peito. Certas tradições religiosas, como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (LDS), ensinam que essa sensação é uma forma de confirmar uma orientação de Deus. No entanto, a Bíblia não ensina que essa sensação de calor no peito seja uma abordagem sensata para o discernimento. Uma resposta física pode acompanhar a obra de Deus na vida de uma pessoa, mas as Escrituras são a forma definitiva e autoritária de discernir a verdade do erro (2 Timóteo 3:16–17; 2 Pedro 1:21–22).

A expressão “ardor no peito” tem origem nos ensinamentos da Igreja SUD. No Livro de Mórmon, Mórmon 10:4 diz: “E quando receberdes estas coisas, exorto-vos a que pergunteis a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com coração sincero, com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas, pelo poder do Espírito Santo.” Embora esse versículo não use a expressão “ardor no peito”, ele sugere que a principal maneira de Deus confirmar a verdade às pessoas é interna.

Uma referência mais direta ao ardor no peito na literatura SUD é encontrada em Doutrina e Convênios 9:8. Esse versículo contém uma referência clara a uma sensação de calor no peito como forma de discernir a ação de Deus: “Mas, eis que eu vos digo que deveis meditar sobre isso em vossa mente; então deveis perguntar-me se é correto, e, se for correto, farei com que o vosso peito arda dentro de vós; portanto, sentireis que é correto.”

Em contraste com os escritos sagrados da religião SUD, a Bíblia refuta a ideia de que os sentimentos de uma pessoa, por si só, possam distinguir entre a verdade e a falsidade. Os judeus de Bereia, um pequeno grupo de cristãos na Macedônia, ilustram a abordagem correta para verificar a verdade. Para testar o que era verdade, eles estudavam a Bíblia: “Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17:11). O exemplo dos bereanos mostra que a Escritura é a autoridade final do cristão, e não os sentimentos de uma pessoa.

Deus também deu às pessoas outras maneiras de ajudá-las a compreender a Escritura e discernir a verdade. A oração é uma forma importante pela qual os crentes verificam a verdade: “Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida” (Tiago 1:5). O Espírito Santo também guia os cristãos na verdade: “Porém, quando vier o Espírito da verdade, ele os guiará em toda a verdade. Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouvir e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer” (João 16:13). Outra fonte confiável são as pessoas sábias: “Não havendo direção sábia, o povo fracassa; com muitos conselheiros, há segurança” (Provérbios 11:14).

Uma passagem que as pessoas às vezes interpretam erroneamente nessa discussão é o relato de Lucas sobre o caminho para Emaús. Depois que Jesus apareceu aos discípulos na estrada, eles perguntaram uns aos outros: “Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (Lucas 24:32). Os corações “ardentes” dos discípulos refletem uma resposta entusiástica a Jesus. No entanto, seus sentimentos não foram a base de seu discernimento. Os discípulos já estavam conversando com o Senhor ressuscitado. Seus corações ardiam como resultado da verdade, não como um meio de descobri-la.

Deus fez com que as pessoas sentissem seus corações arderem de alegria quando encontram a verdade, mas tais sensações têm limites. Os sentimentos são uma resposta à verdade, não um meio de descobri-la. Em vez disso, segundo Jesus, a Palavra de Deus é a verdade (João 17:17), de modo que todos os sentimentos se submetem a ela.