Pergunta

O que a Bíblia diz sobre o constrangimento?

Resposta
Segundo o Macmillan Dictionary, constrangimento é um “sentimento de nervosismo ou vergonha por causa do que as pessoas sabem ou pensam sobre você.” Um sinônimo próximo é vergonha. O sentimento de constrangimento é comum aos seres humanos e está ligado a outros problemas emocionais, como preocupação, medo e ansiedade — especialmente a ansiedade social.

O constrangimento pode surgir por diversos motivos, com diferentes níveis de gravidade. Um aluno pego colando e outro que é provocado por gostar de alguém podem sentir constrangimento. Independentemente da razão, a maioria das pessoas prefere evitar esse sentimento, pois ele é desconfortável.

A Bíblia tem muito a dizer sobre o constrangimento, embora a palavra seja rara nas Escrituras. O sinônimo vergonha aparece com mais frequência.

O constrangimento é mencionado pela primeira vez em Gênesis 2:25: “Ora, um e outro, o homem e a sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam”. Isso aconteceu antes da Queda, portanto a origem do constrangimento pode ser rastreada até o pecado. As coisas mudaram depois que Adão e Eva comeram o fruto. Então, o casal, que antes estava à vontade um com o outro, sentiu vergonha (Gênesis 3:7,10).

O constrangimento pode ou não ser pecado, dependendo do contexto. Sentir-se constrangido por Jesus e pelo Seu evangelho pode ser considerado pecado (Mateus 10:32–33; Marcos 8:38; Lucas 9:26), enquanto se preocupar com uma mancha na camisa não é. No entanto, o constrangimento geralmente está ligado ao pecado e ao ego. Perguntas como: “O que as pessoas pensam de mim?”, “Por que cometi o mesmo erro de novo?”, ou “E se soubessem o que fiz ontem à noite?” revelam as raízes desse sentimento.

Pedro é um exemplo de como o constrangimento pode estar conectado ao pecado e ao ego. Ele negou Jesus por medo e autopreservação. A tristeza que sentiu depois do cantar do galo surgiu do constrangimento pelo seu pecado (Mateus 26:69–74; Marcos 14:66–72; Lucas 22:55–62; João 18:15–18, 25–27). Judas sentiu remorso semelhante, mas a sua tristeza mundana não levou ao arrependimento (Mateus 27:3–10; 2 Coríntios 7:9–10).

O constrangimento também pode surgir pelas ações pecaminosas de outros ou por eventos traumáticos que distorcem a percepção de si mesmo. Vítimas de abuso e aqueles expostos a comentários degradantes constantes podem sentir vergonha, até mesmo de sua própria existência. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é outro gatilho.

É importante notar o constrangimento que pode vir de ser cristão. 1 Pedro 4:16 afirma: “Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe; pelo contrário, glorifique a Deus por causa disso.” O cristianismo bíblico não é popular, e todo seguidor comprometido de Jesus deve esperar ser ridicularizado, ignorado ou até odiado. Isso é particularmente evidente no evangelismo. Compartilhar a mensagem de Jesus é mais difícil em um mundo pós-moderno, mas ainda assim devemos pregar o evangelho e não nos constranger por causa dele (Romanos 1:16).

Sempre enfrentaremos constrangimento, mas há formas bíblicas de lidar com ele. Quando vem do ego e da necessidade de agradar os outros, devemos lembrar que a nossa identidade está em Cristo (1 Pedro 2:9; Colossenses 3:3–4; 2 Coríntios 5:17; Gálatas 2:20). Temos a aprovação plena de Deus e não precisamos buscar a validação humana (Colossenses 1:22; 1 João 3:1; Efésios 1:6; Romanos 5:1, 10).

O cristão que se sente constrangido por causa do pecado deve se consolar nas palavras de Romanos 8:1: “Portanto, agora não há condenação para os que estão em Cristo Jesus.” A obra redentora de Cristo é suficiente, e Deus está sempre pronto para restaurar qualquer comunhão quebrada. Também precisamos fortalecer a nossa confiança em Jesus e na verdade do cristianismo para não nos constranger dEle. Meditar nas Escrituras, orar, ouvir ensino sólido e participar de uma igreja saudável ajuda nesse processo. O estudo de apologética também é valioso.

Lidar com o profundo constrangimento que vem de abuso e trauma pode ser mais complexo e exige a ajuda de um terapeuta ou conselheiro cristão de confiança.