Pergunta
O que é a terapia da Gestalt, e ela é bíblica?
Resposta
Como a psicologia é o estudo do comportamento e da cognição humanos, as pessoas às vezes a veem como uma teoria abrangente da humanidade. Nenhuma teoria psicológica, no entanto, explica a totalidade da vida humana. É somente através do conhecimento de Deus que podemos compreender a Sua criação, especialmente as nuances da mente humana e a complexidade do comportamento humano. Somente na Palavra de Deus podemos encontrar diretrizes para viver nossas vidas conforme o propósito original. O valor da psicologia reside no fato de que algumas de suas teorias, quando filtradas pela verdade bíblica, podem oferecer aos cristãos perspectivas úteis.
Explicação da Terapia da Gestalt
Fundada por Fritz Perls, a terapia da Gestalt é uma abordagem existencial ao aconselhamento. Seu nome vem da palavra alemã Gestalt, que significa “forma”. No contexto das ideias de Perls, Gestalt refere-se a um todo unificado ou a algo que não pode ser separado em partes sem perder a sua essência. A terapia da Gestalt baseia-se na teoria do campo, na medida em que sustenta que uma coisa deve ser vista em seu ambiente para ser plenamente compreendida. Além disso, esse ambiente está em constante mudança; as conexões e os processos inter-relacionais são muito importantes. Perls via a personalidade de forma holística (em oposição à visão mecanicista adotada em terapias como o behaviorismo). Ele enfatizava o presente em detrimento do passado e o processo em detrimento do conteúdo. Hoje, a terapia da Gestalt não é praticada da forma como Perls a concebeu originalmente. Seus métodos são vistos como não particularmente favoráveis ao cliente, e os terapeutas da Gestalt atuais tendem a adotar uma abordagem mais suave.
A terapia da Gestalt pressupõe que os seres humanos estão constantemente em processo de devir e que o crescimento pessoal é possibilitado por meio da introspecção e do relacionamento com os outros. A terapia da Gestalt visa ajudar os clientes a se tornarem mais autossuficientes por meio da consciência de suas realidades internas e externas. Os terapeutas também ajudam os clientes a reintegrar ou “reapropriar-se” de quaisquer aspectos de si mesmos que possam ter renegado. Perls era conhecido por ser confrontador; ele às vezes frustrava intencionalmente os clientes a fim de aumentar a sua consciência. Em vez de promover o esforço consciente do cliente para mudar, os terapeutas da Gestalt seguem uma teoria paradoxal na qual a mudança é um produto da autoconsciência. Portanto, a chave para nos tornarmos mais pacientes é perceber que somos impacientes. O importante é sermos plenamente nós mesmos na situação atual; esforçar-se para se tornar o que “deveríamos” ser é desencorajado.
Os terapeutas da Gestalt ajudam os clientes a lidar com “assuntos pendentes”. Várias técnicas trazem as lutas emocionais do passado do cliente para o presente e o ajudam a trabalhar essas experiências. Os terapeutas da Gestalt veem a resistência do cliente em estabelecer contato com o seu ambiente como informativa — algo a ser explorado, em vez de simplesmente superado. O objetivo do terapeuta é ajudar o cliente a se concentrar no presente; o diálogo é uma parte importante do processo. Os clientes são encarregados de aumentar a sua própria consciência e de criar e responder a significados pessoais. Espera-se que os terapeutas sejam eles mesmos e se relacionem com os clientes de maneira pessoal. A capacidade do terapeuta de estar “no momento” com os clientes é mais importante do que a técnica que ele utiliza.
Comentário Bíblico sobre a Terapia da Gestalt
A terapia da Gestalt pode ser difícil de quantificar, pois é amplamente experiencial; no entanto, podemos comentar sobre alguns de seus conceitos subjacentes. O conceito de que as pessoas são seres integrados é preciso. Somos uma mistura complexa de muitas partes inter-relacionadas, incluindo coração, alma, mente e força (Marcos 12:30). Além disso, o ambiente é importante para quem nos tornamos (1 Coríntios 15:33).
No entanto, a terapia da Gestalt coloca uma ênfase indevida em seu tipo de autenticidade. A liberdade é vista como “o verdadeiro você”. Para os cristãos, a liberdade é encontrada na submissão ao Espírito Santo. Mais importante do que sermos fiéis a nós mesmos é sermos fiéis a Deus (Romanos 6:15-19). É a verdade que nos liberta (João 8:32) — livres para celebrar a nossa identidade em Cristo. Ele deve crescer, e nós devemos diminuir (João 3:30).
Além disso, há uma preocupação válida quanto à ênfase da terapia da Gestalt na autoconsciência. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto. Quem poderá entendê-lo?” (Jeremias 17:9). Confiar em nossas próprias percepções e criar um “significado pessoal” para nós mesmos não resultará em uma compreensão precisa da verdade. Ao mesmo tempo, os terapeutas da Gestalt são hábeis em apontar inconsistências, uma habilidade que pode ser útil para desmascarar a hipocrisia. Os terapeutas da Gestalt prestam atenção a comportamentos não verbais que contradizem as palavras do cliente e revelam o seu verdadeiro estado emocional.
O conceito de reintegrar partes de nós mesmos que renegamos pode ou não ser bíblico, dependendo da parte em questão. Se forem emoções que renegamos, então, certamente, é bíblico reintegrá-las. As emoções fazem parte do ser humano e fornecem informações úteis (João 11:35). Assumir nosso passado nos ajuda a ver onde Deus interveio e redimiu (1 Timóteo 1:12-14). Até mesmo admitir nossos próprios impulsos pecaminosos é útil. No entanto, os cristãos não devem ceder à sua natureza pecaminosa por nenhuma razão. Um crente não deve cair na mentira de que pecar é justificado se ele estiver simplesmente “sendo ele mesmo”. Os cristãos têm o poder do Espírito Santo para viver uma vida santificada em Cristo; eles estão sendo restaurados ao desígnio que Deus originalmente pretendia para a humanidade. Os cristãos foram renovados e são chamados a abandonar a natureza pecaminosa (Efésios 4:20-24).
A terapia da Gestalt pode ser útil para trazer à luz a tendência humana de enganar a nós mesmos e aos outros. Ela enfatiza a nossa necessidade de viver no presente sem nos afundarmos no passado ou temer o futuro. Sua ênfase em viver com autenticidade também é útil. Precisamos reconhecer a nossa dor e levá-la a Deus para que seja curada.
Um perigo da terapia da Gestalt é que ela confia na capacidade curativa dos próprios seres humanos — o relacionamento e a autenticidade são vistos como salvíficos; ser “quem você realmente é” é a suposta cura para os males da vida. A Bíblia declara que os seres humanos estão mortos, não meramente enganados. Precisamos de um Salvador para nos resgatar do pecado e nos restaurar à vida (Efésios 2:1-5). Precisamos ser libertos por meio do conhecimento da verdade objetiva de Deus (João 8:32).
Observe que grande parte dessas informações foi adaptada de Modern Psychotherapies: A Comprehensive Christian Appraisal (Psicoterapias Modernas: Uma Avaliação Cristã Abrangente), de Stanton L. Jones e Richard E. Butman, e de Theory and Practice of Counseling and Psychotherapy (Teoria e Prática de Aconselhamento e Psicoterapia), de Gerald Corey.
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O que é a terapia da Gestalt, e ela é bíblica?
