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Pergunta

O que a Bíblia diz sobre a xenofobia?

Resposta


A xenofobia é o medo ou o ódio em relação a tudo o que é estranho ou estrangeiro, especialmente no que diz respeito às pessoas. Um xenófobo costuma nutrir uma forte aversão por pessoas de outras culturas. Acusações de xenofobia surgem, por vezes, em debates sobre a imigração ilegal ou sobre como um país deve responder a crises de refugiados. As pessoas também podem ser acusadas de xenofobia em discussões sobre racismo e discriminação ou se uma pessoa se recusa a interagir com pessoas de outra cultura, mesmo quando viaja para um país estrangeiro. A Bíblia tem muito a dizer sobre as nossas interações com outras pessoas.

A xenofobia é errada para um cristão. O livro de Gênesis deixa claro que Deus é o criador de todos os povos e que cada um de nós foi feito à Sua imagem (Gênesis 1:27). Ele ordenou a Adão e Eva que “sejam fecundos e se multipliquem” (Gênesis 1:28) e deu a mesma instrução a Noé após o dilúvio (Gênesis 9:1). Foi Deus quem dispersou os povos após o incidente da Torre de Babel (Gênesis 11), criando efetivamente uma situação em que sempre haverá aqueles que nos são estranhos. É claro que o pecado prejudicou a humanidade, mas a Bíblia em nenhum lugar indica que uma nacionalidade ou grupo étnico seja superior a outro. Na verdade, “não há diferença entre judeu e gentio, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:22–23), portanto, todos nós precisamos do Salvador. Apocalipse 5:9–10 e 7:9–12 indicam que o céu incluirá pessoas de “todas as nações, tribos, povos e línguas”.

Paulo e Silas se depararam com a xenofobia em Filipos, uma colônia romana na Macedônia. Após pregarem por vários dias, os missionários foram presos. A acusação que enfrentaram perante os magistrados estava repleta de xenofobia: “Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade, propagando costumes que não podemos aceitar, nem praticar, porque somos romanos” (Atos 16:20–21). É claro que tudo isso era mentira, e Paulo e Silas eram, sem o conhecimento de seus acusadores, eles próprios cidadãos romanos (versículo 37).

No Antigo Testamento, Deus dá instruções explícitas sobre a relação dos israelitas com diversos povos estrangeiros. Muitos dos mandamentos envolvem a separação de Israel das outras culturas, mas isso tinha a ver, em grande parte, com a manutenção da pureza espiritual. Os israelitas eram o povo escolhido de Deus e deveriam se destacar entre as nações. Mais especificamente, não deviam se envolver com a adoração de ídolos praticada pelas nações vizinhas. Deus havia proibido os israelitas de se casarem com os cananeus, em cuja terra eles iriam habitar (Deuteronômio 7:3), mas isso não tinha nada a ver com xenofobia. Tinha tudo a ver com limites espirituais e com a preservação da pureza espiritual de Israel (Êxodo 34:16). E mesmo esse mandamento tinha exceções. Salomão casou-se com Raabe, uma cananeia de Jericó (Mateus 1:5). Devemos “odiar” as coisas que não são de Deus, tais como falsos deuses e o pecado. Não se trata de odiar ou temer estrangeiros ou forasteiros; trata-se de rejeitar aquilo que é “estranho” à verdade de Deus.

Na verdade, no que diz respeito aos estrangeiros individualmente, o Antigo Testamento contém instruções para cuidar do estrangeiro e do forasteiro que vive entre o povo. Levítico 19:34 não poderia ser mais claro: “Tratem o estrangeiro que peregrina entre vocês como tratam quem é natural da terra; amem o estrangeiro como amam a vocês mesmos, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.” Êxodo 12:48–49 abre a celebração da Páscoa aos estrangeiros. Se um não israelita que vivesse entre os israelitas quisesse celebrar a festa, ele poderia fazê-lo — desde que fosse circuncidado primeiro. A estipulação de Deus de que nenhum homem incircunciso pudesse participar da Páscoa aplicava-se igualmente aos nascidos no país e aos estrangeiros. Era a lei da terra. Quando Moisés nomeou juízes para o povo, ele os instruiu: “Deem atenção às questões que surgem entre os seus irmãos e julguem com justiça entre um homem e seu irmão ou o estrangeiro que está com ele. Não sejam parciais no julgamento. Ouçam tanto o pequeno como o grande; não tenham medo de ninguém, porque o julgamento é de Deus. Porém, se a questão for demasiadamente difícil para vocês, tragam para mim, e eu a ouvirei” (Deuteronômio 1:16–17). Jeremias 22:3 diz: “Assim diz o Senhor: Pratiquem o direito e a justiça e livrem o oprimido das mãos do opressor. Não oprimam nem maltratem o estrangeiro, nem o órfão, nem a viúva. Não derramem sangue inocente neste lugar.” Deus frequentemente lembrava aos israelitas que eles também já haviam sido estrangeiros em terra alheia, e Ele os chamava a ter compaixão do estrangeiro que vivia entre eles (Deuteronômio 10:19; 23:7).

O Antigo Testamento ensina que Deus não faz acepção de pessoas e que o Seu plano de salvação é para todos os povos (Salmo 146:8; Atos 10:34–35). Sim, Ele escolheu os judeus e realizou o Seu plano de salvação por meio deles, mas de forma alguma Ele negligencia os estrangeiros. Rute, Raabe e sua família são exemplos claros disso. O Novo Testamento torna a salvação dos gentios por Deus perfeitamente evidente. Jesus veio porque “Deus amou tanto o mundo” (João 3:16). Gálatas 3:28-29 diz aos crentes: “Não há judeu nem gentio, [...] porque todos vocês são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.” Certamente não se trata de um Deus que chama o Seu povo a odiar ou temer pessoas de outras culturas. Na verdade, Jesus disse aos Seus discípulos: “Ide e fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19). Nada combate a xenofobia melhor do que a Grande Comissão.

Com Cristo em nossas vidas, não há espaço para a xenofobia. Odiar ou temer pessoas que nos são estranhas não é algo bíblico.

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