Pergunta
O que diz a Bíblia sobre o classismo?
Resposta
O classismo é o preconceito dirigido a ou contra grupos de pessoas com base na classe social. O classismo abrange vieses fundamentados em padrões raciais, econômicos, educacionais ou étnicos. Em países como a Índia, o classismo é uma parte tão integrante da cultura que as pessoas raramente o questionam. As castas superiores jamais considerariam casar-se ou sequer associar-se a membros de castas inferiores. Em culturas mais ocidentalizadas, embora castas reconhecidas possam não existir, outras formas de classismo estão presentes.
O classismo não é novidade. Desde o início dos tempos que as pessoas têm encontrado formas de se dividir, honrando uns e desonrando outros. Na época em que Jesus nasceu, o classismo estava firmemente enraizado na sociedade judaica. Os samaritanos eram desprezados por causa da sua nacionalidade, e os cobradores de impostos eram desprezados por causa da sua profissão (Mateus 18:17; Lucas 18:11; João 4:9). Qualquer pessoa que não fosse judeu era considerada gentia e, portanto, impura. Os romanos invasores dominavam o sistema jurídico, e os fariseus e líderes religiosos dominavam tudo o que era espiritual. Todos os outros eram de segunda classe e deviam prestar a devida homenagem aos seus superiores (Mateus 5:42; 23:2–7). O classismo reinava, e os escribas e fariseus queriam que assim continuasse.
A chegada de Jesus ao mundo desmantelou a hierarquia social da época. Embora fosse, por direito, um rei, Jesus contornou o palácio de Herodes e escolheu nascer em uma família da classe trabalhadora. Ele enviou os primeiros anúncios de seu nascimento a um grupo de pastores — um degrau ainda mais baixo na escala social (Lucas 1–2). Como homem, Jesus poderia ter se tornado um fariseu e imposto sua posição elevada sobre todos os outros. Em vez disso, Ele comeu "com publicanos e pecadores" (Mateus 9:11). Ele era considerado um rabino — uma posição de grande prestígio —, contudo, jamais utilizou esse título para explorar ou menosprezar o próximo. Ele desafiou o classismo vigente em seu mundo ao escolher pescadores e um publicano como discípulos (Mateus 4:19; 9:9), ao honrar uma viúva pobre (Lucas 21:1–4) e ao perdoar publicamente uma mulher adúltera (João 8:1–11). Ele apresentou um samaritano como o herói de uma parábola (Lucas 10:25–37) e conferiu dignidade às mulheres, assegurando que fossem elas as primeiras a anunciar a Sua ressurreição (Lucas 24:1–10). Mais tarde, Ele derrubou ainda mais barreiras ao conceder uma visão a Pedro, dizendo-lhe: "Não chames impuro ao que Deus purificou" (Atos 10:15). Por meio disso, Pedro compreendeu que Jesus estava oferecendo a vida eterna tanto aos gentios quanto aos judeus.
O cristianismo é o grande equalizador, na medida em que destrói o classismo hipócrita. A Bíblia proíbe explicitamente o classismo na igreja (Tiago 2:1–4). Segundo a Bíblia, todas as pessoas são pecadoras e igualmente indignas de perdão (Romanos 3:23; 6:23). Todos nós teremos de comparecer perante Deus um dia, e nessa altura não haverá favoritismo (Atos 10:34). Quando Jesus assumiu os pecados do mundo, o Seu sacrifício estendeu-se a todos os que crêem (1 João 2:2). Paulo diz: "Pois todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos vocês que foram batizados em Cristo de Cristo se revestiram. Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus. E, se vocês são de Cristo, são também descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa" (Gálatas 3:26–29).
Costuma-se dizer que, aos pés da cruz, todos são iguais, e isso é verdade. O sacrifício de Jesus em favor dos pecadores anula todas as noções mundanas de classe, casta e posição social. Tanto o aristocrata como o indigente precisam igualmente do Salvador, são igualmente salvos pela graça através da fé e recebem igualmente uma herança eterna em Cristo.
Segundo as Escrituras, existem apenas duas “classes” de pessoas: aquelas que perecem e aquelas que estão sendo salvas (1 Coríntios 1:18; Romanos 3:22). Contudo, não há orgulho nem preconceito envolvidos. Trata-se de uma forma superior de classismo, na qual os redimidos servem aos não redimidos e atuam como ministros da reconciliação (2 Coríntios 5:18). Os cristãos não exercem domínio sobre a sua posição em Cristo em relação àqueles que ainda estão perdidos no pecado; pelo contrário, eles “tornam-se tudo para todos” (1 Coríntios 9:22) para alcançar o maior número possível de pessoas com as boas-novas.
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O que diz a Bíblia sobre o classismo?
