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Pergunta

Qual é a voz de quem chama no deserto (Isaías 40:3; João 1:23)?

Resposta


Assim como Deus libertou os filhos de Israel do Egito ao levá-los pelo deserto, o profeta Isaías previu um tempo em que Deus libertaria novamente os judeus por uma região agreste ao retornarem da Babilônia para Jerusalém. Isaías não apenas viu esse momento de libertação com mais de 100 anos de antecedência, mas também ouviu "uma voz que clamava: 'No deserto preparem o caminho do Senhor! No ermo façam uma estrada reta para o nosso Deus'" (Isaías 40:3).

A voz de alguém chamando em Isaías 40:3 não tem nome e deve ser vista como um artifício poético na comunicação da profecia. A voz diz ao público de Isaías que Deus libertaria Israel do exílio na Babilônia, ordenando a construção de uma "estrada", por assim dizer, no deserto. Uma estrada no deserto é um motivo recorrente nas profecias de libertação de Isaías: "Haverá um caminho plano para o resto do seu povo que for deixado na Assíria, como houve para Israel no dia em que saiu da terra do Egito" (Isaías 11:16; ver também Isaías 35:8-10). O povo judeu passaria por uma jornada difícil ao retornar para reconstruir Jerusalém e seu templo, mas Deus abriria o caminho diante deles.

Como muitas profecias bíblicas, a voz de alguém chamando no deserto tem um cumprimento duplo. Mais imediatamente, ela previu a libertação dos judeus da Babilônia. Mais tarde, a anônima "voz do que clama no deserto" de Isaías é cumprida por outro profeta. A libertação definitiva de Israel viria por meio do ministério de Jesus Cristo. Mais de 700 anos após a visão profética de Isaías, a voz de alguém chamando no deserto aparece novamente - dessa vez de forma literal: "E foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados" (Marcos 1:4). João aplicou a profecia de Isaías a si mesmo, dizendo: "Eu sou a voz do que clama no deserto: 'Endireitai o caminho do Senhor'" (João 1:23). Todos os quatro escritores dos evangelhos citam Isaías 40:3, relacionando a voz de João e o seu ministério de preparar as pessoas para a vinda do Senhor com a voz mencionada pelo profeta Isaías (Mateus 3:3; Marcos 1:3; Lucas 3:4; João 1:23).

A autodescrição de João Batista como "a voz de quem chama no deserto" foi profundamente adequada. João não apenas ministrava no deserto da Judeia, mas Deus também o escolheu para apresentar a nação de Israel a Jesus Cristo e preparar o coração do povo para receber seu Salvador e Redentor (consulte Mateus 3:1-6). João pregava com ousadia, chamando as pessoas: "Arrependam-se, porque está próximo o Reino dos Céus" (Mateus 3:2). Depois que as pessoas confessavam seus pecados, elas demonstravam arrependimento ao serem batizadas e viverem vidas transformadas.

João reconheceu humildemente a sua posição inferior como apenas "uma voz". Assim como o mensageiro anônimo de Isaías, o papel de João como orador era insignificante em comparação com a obra de Cristo. Embora atraísse grandes multidões, ele nunca perdeu de vista o seu papel de coadjuvante: "Eu batizo vocês com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de carregar as sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mateus 3:11; veja também João 1:15, 27).

João foi enviado não para ganhar um nome e uma reputação para si mesmo, mas para pregar Jesus. Quando Jesus entrou no centro das atenções, João disse: "Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como o seu precursor" (João 3:28). João Batista ilustrou a natureza de apoio de seu papel com uma metáfora: "O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o escuta se alegra muito por causa da voz do noivo. Pois essa alegria já se cumpriu em mim. Convém que ele cresça e que eu diminua" (João 3:29-30).

Como cristãos, temos muito a aprender com a humildade de João como "a voz de quem clama no deserto". João entendeu que ele não era o ponto central de seu ministério. O apóstolo Paulo também entendeu isso, dizendo: "De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1 Coríntios 3:7). Como servos do Senhor, temos o privilégio de participar da obra de Deus, mas não somos a luz. Jesus Cristo é a luz do mundo (João 8:12). Somos meros reflexos dessa luz com o propósito de apontar as pessoas para Ele (Mateus 5:14-16).

Quando chegou a hora de o povo de Deus ser libertado da Babilônia, Deus removeu todos os obstáculos e os restaurou em sua terra. O "caminho do Senhor" foi endireitado. Quando chegou a hora de as pessoas serem libertadas do pecado, Deus novamente removeu todos os obstáculos, e Ele mesmo veio ao nosso mundo (João 1:14). Israel estava preso em um deserto espiritual quando a "voz de quem clama no deserto" de João Batista começou a clamar. Mas quando as pessoas abriram seus corações para Jesus Cristo - "o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6) - elas foram libertadas de sua escravidão espiritual.

Hoje, unimos nossas vozes às de João, proclamando a mensagem da salvação de Cristo a um mundo perdido e moribundo para que "a glória do Senhor seja revelada, e todos os povos a vejam juntos. O Senhor falou!" (Isaías 40:5).

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