Pergunta
O que é a vontade decretiva de Deus?
Resposta
A vontade decretiva de Deus refere-se ao Seu plano eterno que determina tudo o que acontecerá no mundo e ao longo da história. Como a palavra “decretiva” está relacionada a um decreto, esse conceito também é conhecido como os “decretos” de Deus. Várias características distinguem a vontade decretiva de Deus de Suas outras obras. Primeiro, Deus estabeleceu os Seus decretos antes da criação do mundo. Segundo, a Sua vontade decretiva é distinta dos atos que Ele realiza ao longo da história. Terceiro, os mandamentos e as leis de Deus são diferentes de Seus decretos. Examinar essas distinções ajuda a esclarecer esse aspecto da natureza de Deus.
A natureza eterna da vontade decretiva de Deus constitui o fundamento para a compreensão da doutrina. O Salmo 139:16 afirma que todos os dias de Davi estavam escritos no “livro” de Deus antes mesmo de qualquer um deles ter chegado. Jó 14:5 diz igualmente que “o número dos seus meses está nas tuas [Deus] mãos”. Juntas, essas passagens ensinam que Deus ordena soberanamente o curso de toda vida humana.
As Escrituras também ensinam que Deus planejou a vida, a morte e a obra salvadora de Jesus antes da criação do mundo. Efésios 1:4 afirma que Deus escolheu os crentes em Cristo “antes da fundação do mundo”. O próprio Jesus declarou que a Sua morte ocorreria de acordo com o plano predeterminado de Deus (Lucas 22:22). Mais tarde, os crentes afirmaram que Deus havia ordenado soberanamente a crucificação de Cristo de antemão (Atos 4:27–28).
A vontade decretiva de Deus também é distinta das ações que Ele realiza para cumprir os Seus propósitos na história. Visto que Deus existia antes da criação, os Seus decretos eternos são distintos dos atos que Ele realiza no tempo. As Escrituras indicam que esses decretos estão em grande parte ocultos do conhecimento humano (Deuteronômio 29:29). Em vez disso, as pessoas testemunham principalmente as obras de Deus na história, como o envio de Jesus ao mundo e a direção dos eventos em torno de Sua morte e ressurreição. Os crentes podem encontrar consolo em saber que os propósitos de Deus são eternos e imutáveis.
Os mandamentos e as leis de Deus são frequentemente referidos como a Sua “vontade preceptiva”. Ao contrário dos decretos de Deus, os Seus mandamentos podem ser desobedecidos. Os seres humanos pecam ao violar as leis de Deus, mas os decretos de Deus não podem falhar nem ser revogados. Essa distinção ajuda a explicar por que as pessoas permanecem moralmente responsáveis por suas ações. Aqueles que crucificaram Jesus violaram os mandamentos de Deus, embora suas ações tenham cumprido o plano soberano de Deus para a morte expiatória de Cristo. 1 Pedro 1:20 ensina que Cristo foi escolhido para essa obra “antes da fundação do mundo”.
Essas verdades levantam uma questão importante: se Deus decretou toda a história, isso significa que Ele causa o pecado? As Escrituras ensinam que a resposta é não. Embora possa parecer difícil entender como Deus pode permanecer soberano sobre a história enquanto os seres humanos ainda são responsáveis por suas escolhas pecaminosas, a Bíblia afirma ambas as verdades. Deus governa soberanamente sobre todas as coisas, mas os seres humanos cometem pecado voluntariamente e permanecem responsáveis por ele.
Os apóstolos reconheceram que a soberania de Deus e a responsabilidade humana coexistem. Em Atos 2:23, Pedro declarou que “homens ímpios” mataram Jesus, embora a Sua crucificação tenha ocorrido de acordo com o plano predeterminado de Deus. Pedro usou essa verdade para chamar seus ouvintes ao arrependimento e à salvação (Atos 2:37–39). Mais tarde, Pedro disse a outra multidão: “vocês rejeitaram o Santo e o Justo” e “mataram o autor da vida” (Atos 3:13–15). Os responsáveis pela morte de Jesus continuavam culpados de pecado, embora suas ações tivessem cumprido o decreto de Deus. Da mesma forma, Paulo ensinou que as pessoas nunca podem justificar o mal alegando que algo bom pode resultar dele (Romanos 3:5–8).
Em resumo, a vontade decretiva de Deus refere-se aos Seus decretos eternos que governam toda a história. Esses decretos são distintos das ações de Deus na história e diferentes de Seus mandamentos e leis. Os seres humanos continuam responsáveis por seus pecados, mas os crentes podem descansar na certeza de que os propósitos soberanos de Deus certamente se cumprirão.
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