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Pergunta

O que significa "tirar a trave de seu próprio olho" (Mateus 7:4)?

Resposta


Em Seu grande Sermão da Montanha, Jesus Cristo às vezes empregou uma ferramenta literária conhecida como hipérbole para fazer uma afirmação. Em um desses exemplos, Jesus perguntou: "Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: 'Me deixe tirar esse cisco do seu olho', quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão" (Mateus 7:3-5).

Jesus desenhou uma imagem brilhante de alguém lutando com a delicada tarefa de tirar um pequeno cisco de serragem do olho de um amigo. Em contraste, uma tábua de madeira de tamanho considerável no olho dessa pessoa obstruía completamente sua visão. Tal façanha seria impossível. É evidente que Jesus não estava falando literalmente aqui. Em vez disso, Ele usou o exagero para mostrar a verdade de que as pessoas muitas vezes são cegas para suas próprias falhas, enquanto se concentram intensamente nas fraquezas dos outros. Esse segmento do sermão de Cristo abordou a tendência humana natural de ver falhas nos outros e de julgar o pecado deles, enquanto ignoramos, minimizamos ou desculpamos nosso próprio pecado.

Quando a mulher apanhada em adultério foi levada diante de Jesus, Ele confrontou a mesma questão dizendo aos escribas e fariseus: "Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!" (João 8:7). Jesus não estava desculpando o pecado da mulher, mas apontando a necessidade de coerência, honestidade e humildade ao julgar.

O Senhor quer que nos lembremos de que a lâmina do julgamento corta para os dois lados. Quando julgamos os outros, condenamos a nós mesmos também. Se não estivermos dispostos a nos avaliar com honestidade e precisão, prejudicaremos o nosso direito de examinar a vida dos outros. Jesus disse: "Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros" (Mateus 7:1-2; ver também Lucas 6:37-42). Paulo ensinou em 1 Coríntios 11:31: "Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados".

Infelizmente, a instrução de Cristo de "tirar a trave do próprio olho" é muitas vezes mal interpretada como uma proibição geral contra todo julgamento. Não podemos ignorar o fato de que Jesus disse que tanto o cisco quanto a trave deveriam ser removidos. Os crentes são, de fato, chamados a ajudar outros cristãos que se enredam no pecado. Paulo disse: "Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vocês, que são espirituais, restaurem essa pessoa com espírito de brandura. E que cada um tenha cuidado para que não seja também tentado" (Gálatas 6:1). Mas antes de podermos ajudar um irmão ou irmã no caminho certo - antes de podermos remover o cisco do olho de outra pessoa - precisamos primeiro lidar honestamente com o nosso próprio pecado.

Na ilustração do Senhor, o fato de haver uma "trave" em nosso olho, mas apenas um "cisco" no olho de nosso irmão, expõe a hipocrisia, a presunção e o orgulho que estão no cerne da questão. De alguma forma, não conseguimos discernir que nossos próprios pecados são mais graves do que aqueles em que nos concentramos nos outros. Criticamos os outros enquanto absolvemos a nós mesmos. No entanto, muitas vezes, as falhas que julgamos nos outros são as mesmas falhas que não suportamos admitir em nós mesmos.

A escolha do Senhor de uma ilustração envolvendo o olho também está relacionada à condição espiritual geral de uma pessoa: "Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!" (Mateus 6:22-23).

O Senhor chama todos os crentes para viverem vidas santas e piedosas (1 Pedro 1:14-16). Para fazer isso, nunca devemos nos esquecer de nossa propensão a ignorar nossas próprias falhas e, ao mesmo tempo, nos apegarmos arrogantemente a essas mesmas falhas nos outros. Toda impiedade é motivo de preocupação, seja em nós mesmos ou nos outros. Se esperamos ajudar e restaurar outra pessoa, precisamos encarar honestamente nossos próprios pecados e confessá-los - precisamos primeiro tirar a trave de nosso próprio olho.

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