Pergunta
O que é um tipo de Cristo? Quais são os tipos de Cristo no Antigo Testamento?
Resposta
Um tipo é um tipo especial de símbolo — algo que representa ou sugere outra coisa. O uso de símbolos é bastante comum na vida cotidiana — símbolos tipográficos (por exemplo, sinais de pontuação e emojis), pictogramas (por exemplo, sinais de perigo e sinais de faixa de pedestres) e símbolos religiosos (por exemplo, uma cruz). Um tipo é uma pessoa, coisa ou evento que prefigura outra pessoa, coisa ou evento no futuro. O cumprimento de um tipo é um antítipo. Os tipos que prenunciam Jesus são chamados de tipos de Cristo.
A tipologia é o estudo do uso de tipos na Bíblia, sendo que a maioria deles são tipos de Cristo. Quando dizemos que uma pessoa no Antigo Testamento é um “tipo” de Cristo, queremos dizer que ela se comporta de uma maneira que corresponde ao caráter ou às ações de Jesus no Novo Testamento. Quando dizemos que uma coisa no Antigo Testamento é “típica” de Cristo, queremos dizer que um objeto ou evento pode ser visto como representativo de alguma qualidade de Jesus.
Pessoas no Antigo Testamento que podem ser vistas como tipos de Cristo:
Melquisedeque. Esse rei e sacerdote de Salém encontrou Abraão e recebeu dízimos dele (Gênesis 14:17–20). O Senhor Jesus está ligado a Melquisedeque no Salmo 110:4; Hebreus 5:6–11; e Hebreus 6:20—7:28. No mínimo, Melquisedeque é um tipo de Cristo, prefigurando o ministério do Senhor. Também é possível que Melquisedeque fosse Jesus em uma forma pré-encarnada. Nesse caso, o sacerdote de Salém em Gênesis 14 não é, na verdade, um tipo de Cristo, mas era, na realidade, o próprio Cristo.
Isaque. O filho prometido a Abraão foi levado ao topo de uma montanha para ser sacrificado. Esse relato, em Gênesis 22, prefigura de muitas maneiras o ensinamento do Novo Testamento sobre a expiação, a oferta sacrificial do Senhor Jesus na cruz pelo pecado da humanidade.
José. A humilhação e a subsequente promoção de José (Gênesis 37–45) parecem corresponder à rejeição e à glorificação de Cristo.
Boaz. Como parente redentor no livro de Rute, Boaz é frequentemente visto como um exemplo de Cristo. Boaz redimiu Rute de sua grande necessidade, e ele era o único que podia fazê-lo. Da mesma forma, Cristo nos comprou para Si mesmo, fez de nós a Sua amada noiva e nos abençoou para todas as gerações.
Davi. Davi foi um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), um rei célebre (2 Samuel 5:4), “o amado salmista de Israel” (2 Samuel 23:1) e um matador de gigantes (1 Samuel 17). Jesus é o “Filho de Davi” (Mateus 20,30) e o antítipo do tipo representado por Davi.
Jonas. Esse profeta foi engolido por um grande peixe e depositado vivo em terra firme novamente três dias depois. Jesus usou isso como uma profecia, simbolizando Sua futura crucificação, sepultamento e ressurreição em Mateus 12:40: “Porque assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.”
Elementos do Antigo Testamento que podem ser vistos como tipos de Cristo:
O tabernáculo. O tabernáculo do Antigo Testamento é identificado como um tipo em Hebreus 9:8–9: “O primeiro tabernáculo [...] é uma parábola para a época presente.” Os sacrifícios eram um prenúncio de que Jesus se tornaria o nosso sacrifício definitivo (João 1:29). A entrada do sumo sacerdote no Lugar Santíssimo uma vez por ano prefigurava a mediação de Cristo, nosso Sumo Sacerdote. Quando o Filho de Deus entrou em nosso mundo, Ele se tornou o antítipo da antiga morada de Deus no deserto: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14, NAA).
Os diversos objetos do tabernáculo também podem ser considerados tipos de Cristo. Os pães da proposição prefiguram Jesus como o Pão da Vida (João 6:35). O candelabro representa Cristo como a Luz do Mundo (João 8:12). O altar do incenso é um símbolo da oração em nome de Jesus. O véu do tabernáculo é um tipo da carne de Cristo (Hebreus 10:19–20). Sua carne foi rasgada, assim como o véu quando Ele foi crucificado (Mateus 27:51), a fim de proporcionar entrada na presença de Deus para aqueles que estão cobertos por Seu sacrifício.
A serpente na haste. Seguindo a instrução de Deus, Moisés fez uma serpente de bronze e a colocou em uma haste para que o povo pudesse ser curado das picadas de cobras venenosas (Números 21:5–7). Então, “Moisés fez uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste. Quando alguém era mordido por alguma cobra, se olhava para a serpente de bronze, ficava curado” (Números 21:9). Jesus indicou que a serpente de bronze era um tipo de Si mesmo: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (João 3:14–15).
A rocha que deu água. Em duas ocasiões, Deus providenciou água para os israelitas por meio de uma rocha no deserto (Êxodo 17:1–7; Números 20:2–11). No Novo Testamento, revela-se que a rocha que forneceu água era um tipo de Cristo: “[Os israelitas] todos eles comeram do mesmo alimento espiritual e beberam da mesma bebida espiritual. Porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” (1 Coríntios 10:3–4; cf. João 4:13–14).
Maná. Durante o período em que Israel esteve no deserto, Deus providenciou milagrosamente pão do céu, chamado “maná”, para que o povo comesse (Êxodo 16). Depois de alimentar os cinco mil, Jesus comparou a si mesmo com o maná, fazendo também um contraste entre eles: “Eu sou o pão da vida. Os pais de vocês comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:48–51). As palavras de Jesus tornam possível considerar o maná como um tipo de Cristo.
O cordão de escarlate. Antes da batalha de Jericó, Josué enviou dois espiões à cidade. Sua presença foi descoberta, mas eles se esconderam na casa de Raabe, a prostituta, que morava na muralha da cidade. Eles conseguiram escapar quando “ela os fez descer por uma corda pela janela, porque a casa em que ela morava estava construída sobre a muralha da cidade” (Josué 2:15). Antes de partirem, os espiões prometeram a Raabe que sua vida seria poupada quando Jericó caísse, desde que ela amarrasse o cordão escarlate em sua janela (versículos 17–18). Raabe “os despediu, e eles se foram. E ela amarrou o cordão de escarlate na janela” (Josué 2:21), e Josué honrou a promessa feita aos espiões (Josué 6:22–23). O cordão de escarlate foi, portanto, o meio de salvar os dois espiões, Raabe e sua família. Isso pode ser facilmente visto como um tipo do sangue de Cristo, que nos salva.
A arca. Quando Deus enviou o grande dilúvio para destruir o mundo, Ele poupou Noé e sua família e, por meio deles, o futuro da humanidade. O meio de sua salvação foi uma arca que Deus ordenou que Noé construísse. Quando as águas do dilúvio se abateram sobre a terra, somente aqueles que estavam na arca sobreviveram. Todos os que não estavam na arca pereceram. A arca, então, torna-se um símbolo de Cristo — todos os que estão nEle serão salvos da ira de Deus, e fora de Cristo não há salvação (ver João 3:18).
Eventos do Antigo Testamento que podem ser vistos como tipos da obra de Cristo:
A conquista de Canaã. Sob a liderança de Josué, os filhos de Israel obedeceram ao Senhor e seguiram a Sua orientação. O resultado foi a vitória sobre todos os seus inimigos e o recebimento da herança que Deus lhes havia prometido. A conquista de Canaã é um tipo da obra de Cristo em nosso favor: à medida que seguimos o Senhor Jesus, Ele nos concede vitória sobre nossos inimigos espirituais e nos conduz a uma herança celestial. Curiosamente, os nomes Josué e Jesus têm o mesmo significado: “O Senhor é a salvação”.
As festas do Senhor. Cada uma das sete festas do Senhor no Antigo Testamento prenuncia um aspecto específico do ministério de Jesus:
A Páscoa (Levítico 23:5) é um tipo de Cristo, de acordo com 1 Coríntios 5:7: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.” O sangue de Jesus, nosso cordeiro pascal, foi derramado por nossos pecados, e Jesus foi crucificado durante a festa da Páscoa (Marcos 14:12). A primeira Páscoa marcou a libertação dos hebreus da escravidão no Egito, e a morte de Cristo marca a nossa libertação da escravidão do pecado (Romanos 8:2).
A Festa dos Pães Ázimos (Levítico 23:6) era uma festa de uma semana que começava com a Páscoa e apontava para a vida sem pecado do Messias (já que o fermento é uma imagem do pecado na Bíblia).
A Festa das Primícias (Levítico 23:10) prefigurava a ressurreição de Jesus como o primeiro de uma grande colheita do povo justo de Deus. Jesus ressuscitou neste mesmo dia, um domingo, o que é uma das razões pelas quais Paulo se refere a ele em 1 Coríntios 15:20 como as “primícias dos que dormem”.
A Festa das Semanas ou Pentecostes (Levítico 23:16) ocorria cinquenta dias após a Páscoa. Era uma das três “festas da colheita” de Israel e coincidia com a grande colheita de almas quando a igreja teve início (Atos 2). Foi no dia de Pentecostes que Deus derramou o Seu Espírito Santo e três mil pessoas responderam com fé ao evangelho.
A Festa das Trombetas (Levítico 23:24) era a primeira das festas do outono. Esse dia era um tipo do futuro arrebatamento da igreja, quando Cristo Jesus aparecerá nos céus para receber Sua igreja para Si mesmo. O arrebatamento é sempre associado nas Escrituras ao som de uma trombeta (1 Tessalonicenses 4:13–18 e 1 Coríntios 15:52).
O Dia da Expiação (Levítico 23:27) era um tipo profético da segunda vinda de Jesus, quando Ele retornar à Terra para reinar sobre Seu reino na Terra. Esse evento será o Dia da Expiação definitivo para o remanescente judeu, quando “eles olharão para... aquele que traspassaram”, se arrependerão de seus pecados e O receberão como seu Messias (Zacarias 12:10; cf. Romanos 11:1–6, 25–36).
A Festa dos Tabernáculos ou das Cabanas (Levítico 23:34) era a última das festas anuais e a mais alegre. A Festa dos Tabernáculos serve como um tipo do reinado milenar de Jesus, quando Ele mais uma vez habitará com Seu povo e restaurará sua terra (Miquéias 4:1–7).
O dia de sábado. O mandamento do sábado (Êxodo 20:8–11) é um tipo de Cristo, que nos proporciona um descanso sabático (Hebreus 4:1–11). Deus cessou Sua obra no sétimo dia da criação e convida Seu povo a entrar nesse descanso. Nem Moisés nem Josué foram capazes de proporcionar esse descanso (ver Hebreus 4:8), e Davi falou desse mesmo descanso que ainda é oferecido (Hebreus 4:6–7; cf. Salmo 95). É Jesus quem dá ao povo de Deus o verdadeiro descanso espiritual que Deus deseja para eles, e o dia de sábado era simplesmente uma figura de Sua obra consumada.
O tema das Escrituras, do início ao fim, é o Senhor Jesus Cristo. Direta e indiretamente, a mensagem de que Jesus salva transparece em cada página.
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O que é um tipo de Cristo? Quais são os tipos de Cristo no Antigo Testamento?
