Pergunta
O que é o taylorismo / a Teologia de New Haven?
Resposta
Nathaniel Taylor (1786—1858) foi um influente professor de teologia na Universidade de Yale de 1820 até a sua morte. Taylor fazia parte da denominação congregacionalista em Connecticut e nos demais estados da Nova Inglaterra. Ele é conhecido por se afastar do calvinismo tradicional, adotando uma visão mais positiva da natureza humana e dando maior ênfase ao papel do ser humano na salvação. Os escritos de Taylor sobre o calvinismo dividiram as igrejas protestantes nos Estados Unidos e ficaram conhecidos como Teologia de New Haven.
Taylor, como todos os teólogos americanos de sua época, viveu à sombra de Jonathan Edwards (1703–1758). Edwards foi talvez o teólogo de maior impacto na história americana. Criado pelos puritanos de Connecticut, Edwards escreveu muitos livros e panfletos sobre o calvinismo — um sistema de crenças controverso que ensina que Deus escolhe salvar algumas pessoas, mas não outras. Batizado em homenagem ao reformador protestante João Calvino, o calvinismo se baseia em muitos textos bíblicos, incluindo João 6, Efésios 1 e 2 e Romanos 9 a 11.
Durante a vida de Edwards, um novo ensinamento desafiou o calvinismo. O século XVIII testemunhou a ascensão do Iluminismo na Europa, que propunha uma visão muito mais otimista da natureza humana. Romanos 3:23 diz: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (NAA). Calvino e seus seguidores usaram esse versículo e outros (por exemplo, Romanos 5:12) para argumentar que o pecado fecha a mente das pessoas para Deus. Assim, Deus precisa usar o Espírito Santo para abrir o coração humano à necessidade de um Salvador.
Na visão calvinista, Deus abre o coração somente dos eleitos. No entanto, no século XVIII, alguns filósofos discordaram dessa ideia. Em vez disso, enfatizaram o amor de Deus e o livre-arbítrio humano na salvação. Em uma tentativa de defender o calvinismo, Edwards fez uma importante distinção em sua doutrina. Ele argumentou que os seres humanos possuíam o que chamou de “capacidade natural” — as faculdades necessárias para obedecer a Deus. No entanto, afirmou que lhes faltava “capacidade moral”, porque o pecado de Adão havia corrompido sua natureza moral. Embora pareça uma pequena diferença, o ensino de Edwards começou a dar maior ênfase ao papel da humanidade na salvação.
Taylor juntou-se a um grupo de professores que discutiram as ideias de Edwards nas décadas após a sua morte. De seu cargo em Yale, Taylor reinterpretou o calvinismo tradicional. Ele negou a crença de que o pecado de Adão e Eva tivesse qualquer efeito sobre as pessoas do futuro. Em sua visão, o Espírito Santo estava ausente dos seres humanos por causa do pecado. Por isso, os seres humanos tendem a pecar por conta própria. Taylor desenvolveu ainda mais as ideias de Edwards. Ele argumentou que Deus concedeu graça a todas as pessoas para que pudessem aceitar ou rejeitar o evangelho. Taylor reduziu o papel de Deus na salvação e enfatizou o papel dos seres humanos.
Além disso, o Segundo Grande Despertar (1790—1840) foi um evento importante que ocorreu durante a vida de Taylor. Durante essas décadas, pastores batistas, metodistas e presbiterianos pregaram para dezenas de milhares de americanos em todo o território dos Estados Unidos. Milhares de pessoas se arrependeram de seus pecados durante as reuniões de avivamento e professaram a sua fé em Jesus como o seu Salvador.
Taylor enfrentou desafios ao calvinismo vindos, de um lado, dos avivalistas conservadores e, de outro, dos liberais de Harvard e Yale. Sua resposta foi suavizar a doutrina calvinista da soberania total de Deus sobre a salvação, permitindo que os seres humanos desempenhassem um papel ativo. Hoje conhecida como Teologia de New Haven, a flexibilização dos ensinamentos calvinistas por parte de Taylor tornou-se popular na Nova Inglaterra e se adequava melhor à cultura teológica dos Estados Unidos.
Em resposta, alguns pastores conservadores contestaram a teologia de Taylor. Eles viam sua ênfase nos seres humanos como uma alteração do calvinismo e um reflexo de heresias antigas. Seus críticos mudaram-se para a Universidade de Princeton e, por fim, fundaram um novo seminário em Hartford, Connecticut. O pensamento de Taylor, no entanto, continuou a influenciar as igrejas protestantes nos Estados Unidos por meio da pregação de seus apoiadores. Taylor foi uma voz importante na história do cristianismo americano.
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