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Pergunta

A “sobrevivência do mais apto” é compatível com a Bíblia?

Resposta


Darwin utilizou a expressão “sobrevivência do mais apto” para se referir a qualquer espécie que seja mais adaptável ao seu ambiente em constante mudança e, portanto, viva mais tempo e se reproduza. A adaptabilidade e a reprodução são as características mais bem-sucedidas que levam à continuidade da linhagem. Para discutir se o conceito de “sobrevivência do mais apto” é ou não compatível com a Bíblia, devemos analisar minuciosamente a premissa acima mencionada.

Em primeiro lugar, a evolução é uma teoria desenvolvida dentro do contexto das “ciências naturais”. Uma coisa é discutir qualquer tipo de sobrevivência em termos naturais entre coisas naturais (ou seja, árvores, terra e tudo o que diz respeito à paisagem) e outra coisa totalmente diferente é aplicar os mesmos critérios aos seres humanos, a quem a Bíblia descreve especificamente como muito mais do que naturais.

A palavra hebraica nephesh é usada predominantemente em referência à humanidade (Gênesis 2:7; 7:22; Eclesiastes 3:19). A Bíblia faz distinção entre aquilo que está apenas naturalmente vivo e aquilo que também está espiritualmente vivo. Se aplicássemos a ideia de “sobrevivência do mais apto” a um contexto espiritual, ela seria insuficiente, no mínimo, porque é um conceito fora do seu contexto — é uma ideia pequena demais para nadar nas águas profundas de definir o escopo completo da existência humana. A evolução reduz a capacidade humana, além de desvalorizar toda a criação.

Em segundo lugar, a ideia de “mais apto” sugere “melhor do que”. Esse conceito é estranho às Escrituras porque Deus avalia todos e tudo com o mesmo critério: a perfeição. Sua perfeição. Não há ninguém “apto”, exceto Ele. Qualquer coisa que não seja perfeita não se compara à natureza santa de Deus. Errar o alvo da perfeição é o que a Bíblia chama de pecado, e todo ser humano e cada canto da criação estão contaminados por ele (Romanos 3:23; 8:19–24; 1 João 3:4). O pecado, em sua essência, corrompeu e continua a apodrecer a ordem natural e espiritual das coisas. Não estamos evoluindo, mas involuindo. Estamos piorando.

Em terceiro lugar, deixados por nossa própria conta, sem a promessa de reprodução gloriosa feita à descendência de Abraão — de que Deus criaria uma família e um povo justo por meio de Cristo (Gênesis 12:1–3; Gálatas 3:16) —, nós geramos apenas destruição, a menos que algo ou alguém intervenha. Somente Deus pode intervir e abençoar a humanidade à medida que nos multiplicamos por Sua causa, pois, sem o evangelho, a multiplicação não é aliada da humanidade pecadora, mas nossa inimiga. Quanto mais a população humana pecadora se expande historicamente e, de uma perspectiva teológica, mais generalizado e destrutivo o pecado se torna, porque fazemos o que é certo para nós, não o que é amoroso (Juízes 21:25). Portanto, vemos, por exemplo, em Gênesis 12 que Deus teve que intervir e o fez mais de uma vez. Nesse caso, Ele se aproxima de Abraão e lhe promete uma “semente” de reprodução que será de um gênero perfeito. Essa semente crescerá e esmagará o inimigo e introduzirá um DNA reprodutivo totalmente diferente na criação (Gênesis 3:15). Um perfeito. Um que cura. Um que salva.

Essa “semente” prometida a Adão e Abraão — e sussurrada a muitos outros ao longo do Antigo Testamento — tornou-se um grito na pessoa de Jesus (Gálatas 3). Ele nos deu uma fonte perfeita e, por meio de Sua linhagem e Seu sangue, entramos em Sua linhagem familiar perfeita (Efésios 1:7–10). É uma família que dura para sempre e não é apenas natural, mas eterna.

Acho que poderíamos dizer que, por meio da “adequação” de uma semente, Jesus, nós “sobrevivemos”.

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