Pergunta
Quem são aqueles que estão "debaixo da lei" em 1 Coríntios 9:20?
Resposta
Em 1 Coríntios 9:20, Paulo escreve: "Para com os judeus, fiz-me como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da Lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da Lei, embora eu não esteja debaixo da Lei." Devemos tratar cada passagem das Escrituras como um lago nas montanhas. Toda fonte de água coletada tem algo fluindo para dentro e para fora dela, o que nos ajuda a entender por que e como a água está lá. Da mesma forma, 1 Coríntios 9:20 tem uma corrente de pensamento fluindo para dentro e para fora dela que nos ajuda a entender a discussão de Paulo sobre estar "debaixo da lei".
Paulo começa 1 Coríntios 9 defendendo os seus direitos e qualificações como apóstolo. Ele é compelido a se defender porque estava recebendo apoio financeiro de Corinto e de outros. As expectativas e o dinheiro são forças poderosas. Eles podem trazer consigo a alusão tangível de estar "sob uma lei".
Em 1 Coríntios 9:3-12, Paulo esclarece que o dinheiro e as expectativas não o tornariam empregado de ninguém, e nem eles, seus empregadores. Afinal, nós, seres humanos, trabalhamos naturalmente para atender às expectativas de nosso empregador e usamos o que ganhamos predominantemente em confortos carnais, como comer e beber, romance, possuir propriedades, etc. Chamamos isso de "direitos". Paulo entende esses "direitos" como a "lei" do mundo, mas ele tem algo melhor em mente quando fala sobre "estar sob" ou não "estar sob a lei".
Ele diz que não está usando seus direitos. Ele está sob uma "lei" mais elevada do que simplesmente buscar os confortos e suprimentos típicos que o trabalho e a vida proporcionam (1 Coríntios 9:12b). A sua recompensa tangível vem do compartilhamento do evangelho. Ele reinveste todos os recursos nesse trabalho (1 Coríntios 9:15-18). Quando chegamos a 1 Coríntios 9:19, Paulo afirma que não está trabalhando como um empregado da igreja de Corinto - sob a lei deles, por assim dizer. Em vez disso, a generosidade deles permite que ele sirva à lei do evangelho do Senhor sem impedimentos.
Quando chegamos ao versículo 20, Paulo fala sobre a tradição judaica de forma semelhante. Os judeus, sob a Lei de Moisés, tinham costumes, ritos e tradições, e também acrescentaram à lei de Deus as suas próprias regras que os colocavam "sob sua própria lei", semelhante à forma como um empregador espera perfeição de um trabalhador. Eles tinham de se apresentar para atender a um padrão que não era útil. Paulo apenas afirma que, em Cristo, ele tem a capacidade de entrar nos espaços da tradição mosaica, juntamente com as regulamentações criadas pelo homem, e até mesmo de entrar no jogo, mas, em última análise, ele está livre da exigência do que é imposto porque não é mais um empregado da Lei de Moisés, nem da invenção do homem. Ele trabalha para Deus. Portanto, Paulo pode dançar dentro e ao lado do legalismo, das expectativas criadas pelo homem e do dinheiro, e interagir e raciocinar com tudo isso, mas com maior liberdade. Ele não deve nada a ninguém. Ele deve apenas a Cristo por cumprir a lei e oferecer salvação e liberdade das exigências da lei.
Na carta de Paulo à Galácia, Paulo aprofunda a nossa compreensão desse conceito usando a imagem de uma prisão e de um carcereiro para esclarecer o nosso relacionamento com qualquer lei (especificamente, aqui Paulo se refere à Lei de Moisés):
"Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, no futuro, haveria de ser revelada. De maneira que a lei se tornou nosso guardião para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé. Mas, agora que veio a fé, já não permanecemos subordinados ao guardião" (Gálatas 3:23-25).
Estar sob a lei é como ser um prisioneiro trancado em uma prisão. Não temos liberdade para ir e vir como quisermos, mas somos obrigados. Um agente penitenciário, por outro lado, pode entrar e sair por sua própria vontade. Ele veste o uniforme e se submete ao ambiente fechado para trabalhar com e para os detentos, mas pode sair no final do dia. A única maneira de os prisioneiros terem a mesma experiência é alguém entrar, pagar sua fiança e libertá-los. É isso que a lei do evangelho faz.
A mensagem de Paulo sobre Jesus é a única maneira de sair de nossa cela de prisão "sob a lei". Ela nos dá a capacidade de viver para algo melhor. Viver para o evangelho transcende o dinheiro, a tradição ou qualquer coisa que possa ser esperada de nós. Isso nos permite servir aos outros de todas as formas possíveis para que desfrutem de liberdade semelhante.
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Quem são aqueles que estão "debaixo da lei" em 1 Coríntios 9:20?
