O que significa “a menos que aqueles dias fossem abreviados” (Marcos 13:20)?
Jesus dedicou tempo para falar aos Seus discípulos sobre o fim dos tempos em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21. O fim dos tempos, comumente chamado de Grande Tribulação, testemunhará o julgamento de Deus sobre um mundo incrédulo. Jesus disse que será um período de severidade sem precedentes: “Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo criado por Deus até agora e nunca jamais haverá” (Marcos 13:19). De fato, Jesus afirmou que, “se o Senhor não tivesse abreviado aqueles dias, ninguém seria salvo” (Marcos 13:20).
Em Marcos 13, Jesus aponta quatro sinais que precedem o fim dos tempos ou a Grande Tribulação:
- Engano espiritual (versículos 5–6)
- Conflitos internacionais (versículo 8a)
- Desastres naturais (versículo 8b)
- Perseguição aos cristãos (versículos 9, 12–13)
Então vem o pior: quando “a abominação da desolação” for revelada, alertou Jesus, os judeus que vivem em Jerusalém precisarão “fugir para os montes” (Marcos 13:14). Pois então virão os “dias de aflição” sem paralelo na história do mundo (Marcos 13:19). Será o período de tribulação mais severo de todos os tempos.
“Se o Senhor não tivesse abreviado aqueles dias, ninguém seria salvo. Mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, Deus abreviou tais dias” (Marcos 13:20). Com essa declaração, Jesus alude tanto à natureza terrível daquele período quanto à misericórdia de Deus. As pragas que recairão sobre a humanidade durante a Grande Tribulação serão intensas além da imaginação (veja Apocalipse 6—16). Se Deus permitisse que as pragas seguissem o seu curso completo, nenhum ser vivo sobreviveria.
Mas, em Sua misericórdia, Deus abrevia aqueles dias. Ou seja, Ele põe fim à Grande Tribulação antes que a humanidade seja destruída. O Senhor é “o Deus compassivo e gracioso” (Êxodo 34:6). No julgamento, sempre podemos encontrar a misericórdia de Deus:
em misericórdia, Deus poupou Raabe no julgamento de Jericó;
em misericórdia, Deus poupou Nínive após a pregação de Jonas;
em misericórdia, Deus poupou Zoar por causa de Ló;
em misericórdia, Deus poupou Noé do Dilúvio.
O princípio encontrado em toda a Escritura é que "a misericórdia triunfa sobre o juízo" (Tiago 2:13). Outro princípio é que Deus distingue os Seus filhos dos ímpios. Enquanto Abraão intercedia junto ao Senhor por Sodoma, ele expressou a confiança de que Deus jamais iria "matar o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio. Longe de ti! Será que o Juiz de toda a terra não faria justiça?" (Gênesis 18:25; cf. 2 Pedro 2:9).
Deus limitará a duração do período da tribulação por uma razão específica: "por causa dos eleitos, que ele escolheu" (Marcos 13:20). Os "eleitos" são pessoas que Deus escolheu em Cristo — os redimidos — e é por causa deles que Deus abrevia aqueles dias terríveis. Os crentes em Cristo recebem uma consideração especial (veja Marcos 13:27), e a própria presença deles no mundo garantirá a preservação de um remanescente da humanidade.
O apóstolo Paulo deixa este alerta para os pecadores que se recusam a abandonar seus caminhos: "Mas, por ser teimoso e ter um coração impenitente, você acumula contra si mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus" (Romanos 2:5). Deus será fiel em trazer o Seu "justo juízo", e será igualmente fiel em preservar os Seus eleitos. "Na ira", Deus se "lembrará da misericórdia" (Habacuque 3:2). Ele limitará as catástrofes; Ele abreviará os dias de desastre.
O que significa “a menos que aqueles dias fossem abreviados” (Marcos 13:20)?
