Pergunta
Quais são os salmos imprecatórios?
Resposta
O livro de Salmos é rico em poesia, louvor, alegria, tristeza e muito mais. Ele foi escrito por vários autores, inclusive o rei Davi. Há sete tipos principais de salmos encontrados nesse livro: salmos de lamentação, salmos de ação de graças, salmos de entronização, salmos de peregrinação, salmos reais, salmos de sabedoria e salmos imprecatórios.
Uma imprecação é uma maldição que invoca o infortúnio sobre alguém. Os salmos imprecatórios são aqueles em que o autor impreca, ou seja, invoca a calamidade, a destruição, a ira e o julgamento de Deus sobre os seus inimigos. Esse tipo de salmo é encontrado em todo o livro. Os principais salmos imprecatórios são os Salmos 5, 10, 17, 35, 58, 59, 69, 70, 79, 83, 109, 129, 137 e 140. A seguir, alguns exemplos da linguagem imprecatória extraída desses salmos:
"Declara-os culpados, ó Deus; que eles caiam por seus próprios planos. Rejeita-os por causa de suas muitas transgressões, pois se rebelaram contra ti" (Salmo 5:10).
"Levanta-te, Senhor! Enfrenta-os e arrasa-os! Com a tua espada livra a minha alma do ímpio" (Salmo 17:13).
"Derrama o teu furor sobre as nações que não te conhecem e sobre os reinos que não invocam o teu nome. Porque eles devoraram Jacó e destruíram as suas moradas" (Salmo 79:6-7).
"Feliz aquele que pegar os seus filhos e esmagá-los contra a pedra" (Salmo 137:9).
Ao estudar os salmos imprecatórios, é importante observar que esses salmos não foram escritos por vingança ou necessidade de vingança pessoal. Em vez disso, são orações que têm em mente a justiça, a soberania e a proteção de Deus. O povo de Deus havia sofrido muito nas mãos daqueles que se opunham a ele, incluindo os hititas, os amorreus, os filisteus e os babilônios (o tema do Salmo 137). Esses grupos não eram apenas inimigos de Israel, mas também eram inimigos de Deus; eram conquistadores degenerados e impiedosos que tentaram e falharam repetidamente em destruir o povo escolhido do Senhor. Ao escrever os salmos imprecatórios, os autores buscaram a vindicação em nome de Deus tanto quanto em seu próprio nome.
Embora o próprio Jesus tenha citado alguns salmos imprecatórios (João 2:17; 15:25), Ele também nos instruiu a amar os nossos inimigos e orar por eles (Mateus 5:44-48; Lucas 6:27-38). O Novo Testamento deixa claro que o nosso inimigo é espiritual, não físico (Efésios 6:12). Não é pecado orar os salmos imprecatórios contra os nossos inimigos espirituais, mas também devemos orar com compaixão e amor e até mesmo com ações de graças pelas pessoas que estão sob a influência do diabo (1 Timóteo 2:1). Devemos desejar a sua salvação. Afinal de contas, Deus "é paciente. . não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9). Acima de tudo, devemos buscar a vontade de Deus em tudo o que fizermos e, quando formos prejudicados, deixar o resultado final para o Senhor (Romanos 12:19).
O ponto principal é que os salmos imprecatórios comunicam um profundo anseio por justiça, escrito do ponto de vista daqueles que haviam sido poderosamente oprimidos. O povo de Deus tem a promessa da vingança divina: "Será que Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los? Digo a vocês que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando o Filho do Homem vier, será que ainda encontrará fé sobre a terra?" (Lucas 18:7-8; cf. Apocalipse 19:2).
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