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Pergunta

Qual é o problema em acreditar na revelação contínua?

Resposta


A revelação contínua é a crença de que Deus ainda hoje está revelando verdades novas e autoritárias. Diz-se que essas novas verdades estão no mesmo nível das Escrituras e podem complementar ou corrigir o que a Palavra de Deus já diz. O principal problema em acreditar na revelação contínua é que ela desafia a definitividade, a suficiência e a autoridade da Bíblia.

Em sua essência, a revelação contínua ensina que Deus ainda está revelando novas doutrinas, mandamentos ou verdades que todos os cristãos devem aceitar. Como a verdade, por sua natureza, não pode se contradizer e provém de um Deus absoluto com caráter absoluto, a verdade deve, da mesma forma, ser absoluta. Se a revelação da verdade pode continuar além das Escrituras, isso introduz a possibilidade de mensagens conflitantes, o que é impossível se ambas as fontes se originarem genuinamente de Deus.

É importante esclarecer que a revelação contínua vai além da obra contínua do Espírito Santo de iluminar as Escrituras e ajudar os crentes a compreendê-las (João 14:17, 26; 1 João 2:27; Efésios 1:17–18). Em vez disso, ela afirma que Deus continua a revelar verdades novas equivalentes à própria Bíblia.

Muitos grupos ao longo da história adotaram alguma forma de revelação contínua. Alguns alegaram novos livros proféticos, outros novos ensinamentos doutrinários e outros ainda novas visões com autoridade. Por exemplo, os Santos dos Últimos Dias (Mórmons) mantêm uma coleção de revelações “posteriores” codificadas em seu Livro de Mórmon, enquanto alguns grupos cristãos carismáticos alegam revelações mais subjetivas e contínuas. As Testemunhas de Jeová, os Adventistas do Sétimo Dia sob a liderança de Ellen G. White e a Igreja Mundial de Deus sob a liderança de Garner Ted Armstrong, todos alegaram ter um status revelatório especial.

A Bíblia se apresenta como uma revelação completa e suficiente; ou seja, contém tudo o que os crentes precisam saber de Deus. O apóstolo Paulo escreve: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16–17). Se a Escritura equipa os crentes “completamente”, nada mais é necessário para completar a revelação de Deus.

O livro de Judas menciona “lutar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas 1:3). A “fé” refere-se ao conteúdo do evangelho, e “de uma vez por todas” aponta para um corpo de verdade concluído e completo. O apóstolo João faz uma forte advertência contra acrescentar ou retirar algo da Palavra de Deus (Apocalipse 22:18–19). Embora essa advertência se aplique diretamente ao Apocalipse, ela reflete o padrão mais amplo da Bíblia. A Palavra de Deus não é algo que os seres humanos tenham liberdade para alterar ou ampliar.

Vários perigos surgem quando as pessoas afirmam que uma nova revelação é equivalente às Escrituras. O primeiro problema grave é que isso corrói a autoridade da Bíblia. Se novas revelações podem ser acrescentadas, a Escritura deixa de ser a Palavra definitiva. Ela se torna apenas uma parte da verdade de Deus, e revelações futuras poderiam substituí-la ou contradizê-la. Se a confiança na Bíblia enfraquecer, a identidade do cristianismo e sua mensagem consistente tornam-se instáveis, e a autoridade passa para quem quer que afirme ter recebido novas mensagens.

Em segundo lugar, a revelação contínua abre as portas para falsos ensinamentos. As Escrituras alertam os crentes para que “cuidem dos falsos profetas” (Mateus 7:15; veja também 1 João 4:1). Se os cristãos aceitam a revelação contínua, também devem aceitar o risco de que qualquer pessoa possa alegar falar em nome de Deus. Sem as Escrituras como padrão definitivo e objetivo, não há um teste decisivo para avaliar a veracidade de tais afirmações. Se a revelação é individual e fundamentada em experiências espirituais pessoais, em vez de na Palavra autoritária, cada pessoa fica livre para estabelecer suas próprias crenças, o que incentiva o relativismo religioso.

Em terceiro lugar, a revelação contínua confunde iluminação com revelação. O Espírito Santo ainda fala hoje, mas Ele fala por meio das Escrituras, não acrescentando novas doutrinas. Jesus prometeu que o Espírito “nos guiaria a toda a verdade” (João 16:13), e essa orientação diz respeito à compreensão correta do que Deus já revelou. Confundir iluminação com revelação leva as pessoas a elevar impressões pessoais ao status de autoridade divina.

Em quarto lugar, a revelação contínua desafia a suficiência de Jesus Cristo. O autor de Hebreus ensina que Deus falou de forma definitiva e completa a nós por meio de Seu Filho (Hebreus 1:1–3; veja também João 1:14–18; Colossenses 1:15–19; 2:9). Visto que Cristo é a revelação definitiva, alegar uma nova revelação sugere que a Sua obra estava incompleta.

Por fim, a abertura à revelação contínua que ultrapassa a de Cristo e a autoridade das Escrituras tem, historicamente, transformado grupos cristãos em seitas.

Ao longo das Escrituras, a revelação de Deus se desenrola em um padrão claro: Deus fala por meio dos profetas, por meio de Seu Filho e por meio dos apóstolos. Uma vez que o testemunho dos apóstolos se completou, o alicerce foi estabelecido (Efésios 2:20). Esse alicerce sustenta e mantém tudo unido. Ele não precisa ser reconstruído nem ampliado. Por essa razão, sustentamos que o cânone das Escrituras está fechado. Deus ainda orienta, convence, conforta e ilumina — mas Ele não acrescenta novas verdades.

Os cristãos podem afirmar com confiança que Deus ainda fala — por meio das Escrituras, pelo Espírito Santo, na consciência e por meio da igreja. No entanto, nenhuma dessas formas de orientação acrescenta nova doutrina ou revelação. Elas aplicam a Palavra de Deus, já consumada, à vida cotidiana. A crença na revelação contínua desvia o foco da Bíblia para as afirmações humanas. Confiar na revelação completa das Escrituras mantém os crentes ancorados na verdade que não muda.

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