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Pergunta

O que significa receber o reino de Deus como uma criança pequena (Marcos 10:15)?

Resposta


Em Marcos 10:13–16, Jesus está viajando pela Judeia quando algumas pessoas trazem seus filhos para que Ele os abençoe. Os discípulos, pensando que estavam protegendo o tempo e a dignidade de Jesus, repreendem os pais e tentam afastar as crianças. Jesus fica indignado com os Seus discípulos e responde: “Deixem que os pequeninos venham a mim; não os impeçam, porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade lhes digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele” (versículos 14–15).

Jesus não apenas permite que as crianças se aproximem dEle, mas também as apresenta como exemplos de humildade, confiança e receptividade — qualidades necessárias para aqueles que desejam receber o Seu Reino. Antes desse episódio, os discípulos haviam resistido aos ensinamentos de Jesus sobre o Seu sofrimento, esvaziamento e humilhação que estavam por vir (veja Marcos 8:32; 9:10, 19, 31–32). Eles demonstravam arrogância e independência, pensando que poderiam determinar os termos da salvação para Deus, em vez de humildemente aceitar o Seu plano. O Senhor aproveita essa oportunidade para esclarecer que o Seu Reino está aberto apenas àqueles que estão dispostos a abraçar a Sua mensagem de Servo Sofredor e Salvador. Aceitamos o plano do Senhor e recebemos o Seu Reino ao abandonarmos nosso orgulho e confiarmos em Suas palavras, assim como uma criança confia em um pai amoroso.

Nos dias de Jesus, as crianças ocupavam uma posição social extremamente baixa. Não possuíam autoridade e contribuíam pouco para a sociedade. Eram dependentes, vulneráveis e totalmente confiantes nos cuidados dos outros. Essas são qualidades que os adultos frequentemente resistem em admitir, mas que exemplificam a postura de um servo do Reino. Portanto, receber o Reino de Deus como uma criança significa aproximar-se dEle com fé simples, confiança e dependência.

As crianças não vieram a Jesus apresentando credenciais ou realizações. Vieram de mãos vazias, humildemente dependendo dEle para lhes prover tudo. Da mesma forma, a salvação não é algo que possamos conquistar por esforço humano, posição social ou mérito pessoal (Romanos 3:20–28; 4:4–5; Gálatas 2:16; 2 Timóteo 1:9; Tito 3:5). A Bíblia ensina que somos salvos “pela graça” e que “isso não vem de vocês; é dom de Deus” (Efésios 2:8). Um coração semelhante ao de uma criança reconhece a sua própria necessidade e recebe com alegria aquilo que Deus oferece gratuitamente.

Uma criança naturalmente acredita nas palavras de um pai amoroso. Essa confiança simples e sem obstáculos é o oposto da autossuficiência. O jovem rico, que se aproximou de Jesus logo após o episódio das crianças (veja Marcos 10:17–31), confiava em suas riquezas e realizações. Mas Jesus chamou os Seus seguidores a confiar somente em Deus (João 11:25–26; 14:1, 6). Provérbios 3:5 expressa essa mesma atitude: “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” A fé infantil repousa no caráter de Deus, e não em seu próprio raciocínio ou força.

Receber o Reino de Deus como uma criança também envolve humildade. As crianças não fingem ser maiores do que realmente são. Em Mateus 18:1–5, os discípulos perguntam: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chama uma criança para perto de Si e responde: “Em verdade lhes digo: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, de maneira nenhuma entrarão no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus.”

O orgulho resiste ao governo de Deus, mas a humildade o acolhe. As Escrituras nos dizem que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tiago 4:6; veja também 1 Pedro 5:5 e Provérbios 3:34). A salvação e a entrada no Reino de Deus pertencem àqueles que se abaixam o suficiente para recebê-las.

As crianças normalmente têm desejo de aprender e estão prontas para receber orientação. Os adultos, porém, muitas vezes complicam a fé com ceticismo ou endurecimento de coração. Deus deseja que os Seus seguidores permaneçam sensíveis, ensináveis e receptivos (Provérbios 12:1; 15:31–32; João 14:23–24; Tiago 1:19, 22–25). O Salmo 25:9 afirma que o Senhor “guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho.”

Ao abençoar as crianças, Jesus demonstrou que receber o Seu Reino é um presente, não uma recompensa. A palavra grega traduzida como “receber” (dexētai) em Marcos 10:15 significa acolher ou aceitar aquilo que é oferecido. Essa ideia concorda com as palavras de Jesus em Lucas 12:32: “Não tenha medo, ó pequenino rebanho; porque o Pai de vocês se agradou em dar-lhes o seu Reino.” Crianças não conquistam presentes; elas simplesmente os recebem com alegria.

Em Marcos 10:15, Jesus nos convida a deixar de lado nosso orgulho, nossa autossuficiência e nossas realizações espirituais, e a nos aproximarmos dEle com a simplicidade de uma criança — confiantes, humildes, dependentes e receptivos. Somente aqueles que recebem o Reino de Deus dessa maneira realmente entrarão nele.

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