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Pergunta

O que significa que aquele que sofreu na carne rompeu com o pecado (1 Pedro 4:1)?

Resposta


A Primeira Epístola de Pedro foi escrita aos primeiros cristãos que enfrentavam intensa perseguição e sofrimento. O objetivo principal de Pedro era encorajar esses crentes a permanecerem firmes na fé, apesar de passarem por provações difíceis. Ele escreve: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, estejam também vocês armados do mesmo pensamento. Pois aquele que sofreu na carne rompeu com o pecado” (1 Pedro 4:1, NAA).

O contexto imediato de 1 Pedro 4:1 pode ser estabelecido ao examinar os versículos anteriores. Em 1 Pedro 3:18–22, Pedro escreve sobre o sofrimento e o triunfo de Cristo. Ele enfatiza que “Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados”, o justo pelos injustos, “para nos conduzir de volta a Deus” (1 Pedro 3:18). Então, no capítulo 4, Pedro exorta os crentes a se armarem com a mesma mentalidade de Jesus Cristo. Anteriormente, Pedro escreveu: “Porque para isto mesmo vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos” (1 Pedro 2:21).

Qual era a atitude de Cristo em relação ao pecado? Ele veio a este mundo determinado a desferir um golpe mortal no pecado, vencendo-o de uma vez por todas (ver Colossenses 2:13–14). Apesar de ter sofrido muitas coisas terríveis (ver Isaías 53:3–5; Lucas 9:22), Jesus nunca se desviou de Sua missão (Mateus 1:21; Lucas 1:77). Ele ensinou a verdade sobre o pecado (Mateus 6:22–23; 7:17–19; 8:7; Marcos 7:20–23) e lidou com as suas consequências para nos dar vitória sobre o pecado em nossas vidas (ver Romanos 8:1–4).

Embora tenha demonstrado grande compaixão pelos pecadores, Jesus estava munido de uma atitude de “tolerância zero” em relação ao pecado. A nossa mentalidade deve ser a mesma, e o nosso objetivo determinado deve ser erradicar o comportamento pecaminoso. Nunca deixaremos completamente de pecar até que estejamos diante do Senhor no céu, mas devemos nos esforçar para não fazer do pecado um hábito (ver 1 João 2:28—3:9; 5:18).

Pedro não estava sugerindo que o sofrimento, por si só, purificará o pecado de nós ou nos fará parar de pecar; em vez disso, Pedro estava apontando para uma realidade espiritual mais profunda. O pensamento é este: um homem morto naturalmente deixa de pecar, e o cristão “morreu” com Cristo. “Fui crucificado com Cristo e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). O crente está morto, não no sentido físico, mas morto para o mundo, morto para o seu antigo eu. Portanto, espera-se que ele deixe de pecar. Paulo formulou a mesma verdade desta maneira em outra epístola:

... sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado. Pois quem morreu está justificado do pecado. (Romanos 6:6–7)

Pela fé, estamos unidos a Cristo a tal ponto que a morte de Cristo na cruz, de fato, garantiu a nossa morte para o mundo e para o pecado.

Aqueles que se identificam com Cristo em Seu sofrimento e morte reconhecem que o poder do pecado sobre eles foi quebrado. Eles têm uma nova vida nEle. Eles deixam de pecar ao assumirem um compromisso sincero de viver para Deus e rejeitar os desejos pecaminosos que antes os dominavam. “... no tempo que lhes resta na carne, vocês não vivam mais de acordo com as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus” (1 Pedro 4:2).

A santificação é o processo pelo qual os crentes são transformados à semelhança de Cristo. Envolve uma luta contínua contra o pecado e a busca da santidade (ver Romanos 12:1–2; Hebreus 12:14; 1 Pedro 1:15–16; 2:1–2; Efésios 1:4; 1 Tessalonicenses 4:3–7). No plano de Deus, o sofrimento na carne pode refinar e fortalecer a fé, além de aprofundar a nossa dependência dEle. Visto de uma perspectiva celestial, o sofrimento é frequentemente o meio pelo qual Deus santifica o Seu povo, ajudando-o a abandonar o pecado e a andar na justiça.

Em um mundo que busca evitar a dor e o sofrimento a todo custo, a afirmação de Pedro: “Quem sofreu na carne deixou de pecar”, desafia os cristãos a ver o sofrimento por uma perspectiva diferente. Ela nos chama a abraçar as dificuldades e a perseguição como uma oportunidade para o crescimento espiritual (Romanos 5:3–4; 2 Coríntios 1:9; Hebreus 12:11; Tiago 1:2–3). Sofrer por causa do evangelho é um sinal de nossa devoção a Jesus e um caminho para uma santificação mais profunda.

“Quem sofreu na carne deixou de pecar” significa a ruptura do crente com um passado pecaminoso e sua dedicação à busca da santidade. Rejeitamos conscientemente comportamentos, atitudes e hábitos pecaminosos e cultivamos um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo. 1 Pedro 4:1 nos chama a viver de maneira que honre a Deus e a perseverar diante da perseguição e das dificuldades, pois o nosso sofrimento não é em vão. Ele tem um propósito divino.

Lembre-se da promessa de nosso Senhor: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês" (Mateus 5:10–12).

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