Pergunta
Quem foi Martin Bucer?
Resposta
Martin Bucer (1491-1551) foi um reformador protestante alemão. Originalmente, Bucer tomou os votos de frade dominicano e estudou com o renomado humanista católico Erasmo. Posteriormente, Bucer conheceu Martinho Lutero e teve a oportunidade de ouvir seus ensinamentos. Em 1521, ele se convenceu da afirmação de Lutero de que somente a fé é necessária para a salvação (Efésios 2:8–9) e que a Bíblia é a única fonte da fé (2 Timóteo 3:16).
Quando Bucer se mudou para Estrasburgo, na França, tornou-se pastor de uma paróquia e procurou difundir a Reforma na França e na Itália. Enquanto estava na França, Bucer conheceu João Calvino, que havia sido exilado de Genebra. Durante o tempo que passou com Calvino, Bucer influenciou as opiniões de Calvino sobre adoração e liturgia e encorajou o jovem teólogo a retornar a Genebra.
Um dos objetivos de Bucer era conciliar as diferenças entre as denominações reformadas. Por exemplo, os seguidores de Lutero e Zwingli discordavam sobre a teologia por trás da Ceia do Senhor (Marcos 14:22-25; Lucas 22:18-20; 1 Coríntios 11:23-25). Lutero defendia a visão da consubstanciação, que ensina que Cristo está espiritualmente presente nos elementos da Eucaristia. Zwinglio defendia a crença do memorialismo, que ensina que a Ceia do Senhor é realizada em memória do que Jesus fez pelos crentes na cruz. Bucer defendia uma visão intermediária entre as crenças de Lutero e Zwinglio e sustentava que os cristãos de ambos os campos poderiam se unir. Essa tentativa de conciliar as duas visões culminou no Colóquio de Marburgo, em 1529, mas não resultou na unificação que Bucer esperava.
Martin Bucer não apenas tentou reconciliar as denominações dentro dos círculos protestantes, mas também procurou diminuir as diferenças entre católicos e protestantes. Bucer participou das tentativas do imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico de promover a reconciliação entre católicos e protestantes no Colóquio de Regensburg, em 1541. Compartilhando alguns interesses políticos e doutrinários, ambas as partes concordaram em certas questões, mas a principal área de desacordo foi a justificação. Na declaração escrita do colóquio, a ideia de justificação bíblica foi retratada de maneira pouco clara e ambígua. Os protestantes sustentavam que as Escrituras ensinavam que as obras não são necessárias para a salvação (Romanos 3:28; 5:1-2), mas os católicos insistiram na inclusão das obras para aperfeiçoar a salvação. Martinho Lutero se opôs publicamente à declaração, e os membros protestantes do colóquio, incluindo Bucer, também rejeitaram a declaração. Devido aos seus esforços para promover a paz entre vários grupos, Martinho Bucer é considerado por alguns estudiosos como um dos primeiros defensores do ecumenismo.
Uma grande ênfase na teologia de Martin Bucer era a importância da fé em ação. Ele escreveu um livro em 1523 intitulado Instrução no Amor Cristão e acreditava firmemente que os cristãos deveriam demonstrar amor a todos: tanto aos incrédulos quanto aos crentes. Claramente, essa ênfase no amor cristão reflete os ensinamentos das Escrituras (ver João 13:34; Filipenses 2:4; Tiago 1:27).
Em 1549, Martin Bucer foi obrigado a deixar Estrasburgo e mudou-se para a Inglaterra a pedido de Thomas Cranmer. Enquanto esteve na Inglaterra, Bucer tornou-se professor de teologia na Universidade de Cambridge. Muitos estudiosos destacam a influência que Bucer teve na obra mais reconhecida de Cranmer, o Livro de Oração Comum. Este guia litúrgico para o culto influenciou a Igreja Anglicana, bem como muitas outras denominações protestantes.
Embora não seja tão conhecido quanto reformadores como Lutero, Calvino ou Zwingli, Martin Bucer teve uma grande influência e é mais conhecido hoje por seu compromisso com o diálogo.
English
Quem foi Martin Bucer?
