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Pergunta

Quem foi Charles Parham?

Resposta


Charles Fox Parham (1873–1929) foi um pregador e evangelista americano e uma das figuras centrais no surgimento do pentecostalismo americano. Foi Parham quem primeiro afirmou que falar em línguas era a evidência inevitável do batismo no Espírito Santo. Ele é frequentemente referido como o "Pai do Pentecostalismo Moderno".

Charles Parham nasceu em 4 de junho de 1873, em Muscatine, Iowa, que na época era uma região fronteiriça dos Estados Unidos. Ele enfrentou diversos problemas de saúde desde cedo, incluindo uma doença cardíaca que o incomodaria por toda a vida. Tornou-se metodista aos 13 anos, após participar de uma reunião evangelística. Ele lia avidamente, lecionava na Escola Dominical e tornou-se ministro aos 15 anos.

As crenças religiosas de Parham parecem ter sido influenciadas por duas experiências espirituais. Aos 13 anos, ele afirma ter sido banhado por uma luz. Aos 18 anos, ele afirma ter sido completamente curado de febre reumática e de um problema cardíaco. Embora essas condições tenham reaparecido mais tarde, Parham passou a ver a sua missão como levar cura aos outros.

Em 1890, Parham iniciou seus estudos de religião e medicina na Southwest Kansas College, em Winfield, Kansas. No entanto, uma recorrência de febre reumática quase lhe custou a vida e o levou a abandonar os estudos e retornar ao ministério. Parham foi licenciado como ministro e, aos 20 anos, assumiu o cargo de pastor temporário, mas cada vez mais se via em desacordo com os líderes metodistas. Grande parte do conflito se devia à sua inclinação para a doutrina da santidade, que se tornou mais proeminente em seus ensinamentos.

Em 1895, Charles Parham rompeu com a Igreja Metodista (rejeitando, ao mesmo tempo, todas as denominações) e iniciou o seu próprio ministério. Ele pregava a necessidade da conversão pessoal e também o retorno ao "cristianismo primitivo". Sua base de operações ficava em Topeka, Kansas. Parham expandiu o seu ministério para incluir uma missão de resgate, um serviço de emprego, um orfanato e um periódico. Em 1900, ele fundou uma escola bíblica.

A escola bíblica de Parham era gratuita e aberta a todos aqueles que estavam dispostos a abandonar tudo para seguir a Cristo. A Bíblia era o único livro didático. Sob a orientação de Parham, os alunos se convenceram de que os eventos em Atos 2 deveriam ser normativos para a vida cristã atual. Na véspera de Ano Novo de 1900, Parham conduziu um culto noturno com cerca de 75 pessoas que se reuniram para orar pela obra de Deus. De acordo com o próprio relato de Parham sobre o evento, ele impôs as mãos sobre uma aluna que começou a falar em uma língua que parecia chinês, embora ela só soubesse inglês. Durante três dias, ela foi capaz de falar ou escrever apenas “chinês” (a língua nunca foi confirmada) e não conseguiu falar ou escrever em inglês. Para Parham, isso era uma evidência da obra do Espírito de Deus, e ele continuou a partir daí. Parham acreditava que o dom das línguas envolvia falar em línguas humanas reais e seria uma ferramenta necessária para realizar atividades missionárias.

Em 1901, Parham encerrou a sua escola e iniciou uma turnê de pregação, levando alguns de seus alunos com ele. Suas reuniões eram muito concorridas, e relatos de "batismos no Espírito Santo", falar em línguas e curas foram divulgados.

Um dos últimos alunos de Charles Parham foi um afro-americano chamado William Joseph Seymour. Seymour levou o que havia aprendido com Parham para Los Angeles e fundou uma missão de resgate na Azusa Street. Milhares de pessoas começaram a assistir às pregações de Seymour, e como resultado, sua teologia (e a de Parham) se espalhou por toda parte. Muitos, se não a maioria, dos movimentos pentecostais modernos têm suas raízes na Azusa Street Mission (Missão da Rua Azusa).

Uma ruptura ocorreu entre Seymour e Parham por alguns motivos. Primeiro, Parham ficou consternado com o fato de os cultos de Seymour serem caracterizados por histeria em massa, caos e demonstrações extáticas de emocionalismo. Segundo, Parham era firmemente contra os cultos integrados, acreditando que os anglo-saxões eram descendentes das dez tribos "perdidas" de Israel e que negros e brancos deveriam ser segregados (Seymour não tinha permissão para sentar-se com o restante dos alunos de Parham na sala de aula). Em 1906, Parham denunciou publicamente Seymour e o "avivamento" da Rua Azusa.

Além de ensinar o anglo-israelismo, Parham também começou a defender a teologia aniquilacionista — o ensinamento de que as pessoas que vão para o inferno acabarão sendo aniquiladas, em vez de sofrerem punição eterna. Essas doutrinas e uma prisão no Texas fizeram com que Parham fosse visto de forma cada vez mais crítica por aqueles dentro do movimento e por aqueles que o relatavam de fora. Nessa época, Seymour passou a exercer mais influência sobre o movimento pentecostal do que Parham. No entanto, o movimento pentecostal que Parham ajudou a iniciar ganhou vida própria; em 1914, várias denominações haviam surgido, incluindo a Igreja de Deus em Cristo, as Assembleias de Deus, a Igreja Pentecostal Unida e a Igreja Pentecostal de Deus. Parham continuou a pregar, mas com influência cada vez menor. Ele faleceu em sua casa em Baxter Springs, Kansas, em 1929.

Charles Parham nunca viu onseu sonho de missões internacionais se realizar; seus alunos não utilizaram o dom das línguas para evangelizar o mundo. Sua principal contribuição teológica é equiparar o falar em línguas ao batismo no Espírito Santo. Outros grupos nos Estados Unidos já falavam em línguas antes de Parham. No entanto, Parham foi o primeiro a afirmar que o falar em línguas era a evidência necessária do batismo no Espírito. Muitos veem Parham como um herói, um gigante espiritual e um Elias dos últimos dias; outros o veem como um racista que se autopromove e que confundiu um fenômeno psicológico com a obra do Espírito Santo. O que é evidente é que Parham ignorou o ensino claro das Escrituras sobre o falar em línguas (1 Coríntios 12 deixa claro que nem todo crente tem o dom das línguas), e o seu ensino causou muitas distrações do evangelho nos últimos 100 anos.

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