Pergunta
Quem escreveu o livro de Êxodo? Quem foi o autor de Êxodo?
Resposta
O livro de Êxodo é o segundo livro do Pentateuco, ou Torá, da Bíblia Hebraica. Ele faz parte do que os cristãos chamam de Antigo Testamento. O título "Êxodo", derivado da Septuaginta grega, faz alusão ao evento central do livro: a saída dos israelitas do Egito para se tornarem uma nação do povo de Deus. A narrativa contida em Êxodo também abrange a entrega da lei no Monte Sinai, estabelecendo a base para a nação teocrática de Israel. O tema da redenção em Êxodo prenuncia elementos do Novo Testamento.
Como os outros livros da Torá, Êxodo foi escrito por Moisés. Deus escolheu encontrar-se com Moisés e instruí-lo face a face. Após o encontro, "Moisés escreveu todas as palavras do Senhor" (Êxodo 24:4).
Testemunhos tanto do Antigo quanto do Novo Testamento atribuem a Torá, inclusive o Êxodo, a Moisés. Por exemplo, 1 Reis 2:3 faz referência à "Lei de Moisés". Referências semelhantes no Antigo Testamento incluem Josué 1:7, Esdras 6:18, 2 Reis 14:6, Neemias 13:1 e Daniel 9:11. A identificação da lei como sendo "de Moisés" sugere claramente a autoria mosaica. A Torá era tratada como uma coleção unificada; portanto, qualquer menção aos escritos de Moisés abrange os cinco primeiros livros do Antigo Testamento.
No Novo Testamento, o melhor caso para a autoria mosaica de Êxodo vem do próprio Jesus, que citou Êxodo 20:12 e 21:17 e atribuiu as passagens a Moisés com as palavras "porque Moisés disse" (Marcos 7:10). Outras citações do Novo Testamento incluem Lucas 24:27, 24:44, Romanos 10:5 e 2 Coríntios 3:15.
Apesar do testemunho das Escrituras em favor da autoria mosaica do Êxodo, surgiram desafios à visão tradicional durante o século XIX. Muitos estudiosos passaram a considerar que o Êxodo é uma obra composta por diversos autores e redatores que viveram durante o exílio babilônico e utilizaram a tradição oral como sua principal fonte. Esses estudiosos propõem diferentes teorias para explicar a formação do Pentateuco, sendo a mais influente a hipótese documental, ou hipótese JEDP. O nome “JEDP” refere-se a quatro documentos-fonte que se acredita terem contribuído para a composição da Torá: o documento J (javista), o documento E (eloísta), o documento D (deuteronomista) e o documento P (sacerdotal, do inglês Priestly). A hipótese JEDP tem sido criticada por sua falta de evidências diretas — nenhuma cópia dos supostos documentos J, E, D ou P jamais foi encontrada, e tais documentos permanecem teóricos —, bem como por suas reconstruções complexas e dificuldades na datação desses materiais. Outras propostas incluem a hipótese suplementar e a hipótese fragmentária.
Embora reconhecendo a possibilidade de Moisés ter colaborado com escribas antigos na formação da Torá (plausível em uma sociedade coletiva), a visão tradicional da autoria do Êxodo permanece válida. Negar a autoria mosaica de Êxodo e do restante do Pentateuco levanta dúvidas sobre as Escrituras como um todo, incluindo as palavras de Jesus. Podemos confiar no testemunho inspirado pelo Espírito Santo de outros autores bíblicos.
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