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Pergunta

Por que as crianças sofrem?

Resposta


“Com lágrimas se consumiram os meus olhos, a minha alma se agita; o meu coração se derramou de angústia” (Lamentações 2:11–12). O profeta Jeremias escreveu essas palavras depois de testemunhar crianças sofrendo e morrendo. Ele as viu desfalecer de fome e lutar para respirar; algumas até morreram nos braços de suas mães. Infelizmente, muitas pessoas hoje — tanto crentes quanto descrentes — conseguem se identificar com a angústia de Jeremias. Isso as leva a fazer perguntas difíceis, como por que as crianças sofrem. A resposta para essa pergunta começa com a compreensão de que o mundo não é como deveria ser por causa do pecado. No entanto, mesmo neste mundo caído, há esperança por meio de Jesus Cristo.

Jeremias não foi o único na Bíblia a ter o coração despedaçado pelo sofrimento de crianças. Davi clamou em agonia quando seu filho pequeno morreu (2 Samuel 12:16–23). Uma mulher de Sarepta, cujo nome não é mencionado e que já havia perdido o marido, sentiu dor e raiva pela perda de seu filho pequeno e direcionou sua frustração ao profeta Elias (1 Reis 17:18). Jó lamentou quando seus filhos adultos morreram em uma tragédia repentina (Jó 1:18–19). Maria viu seu primogênito, Jesus, morrer injustamente em uma cruz (João 19:25–27). Em histórias como essas, a Bíblia valida o luto daqueles que estão com o coração despedaçado, reconhece sua confusão e compartilha sua dor.

Além de se solidarizar com os que têm o coração despedaçado, a Bíblia explica a origem do sofrimento. Quando Adão e Eva se rebelaram contra Deus, o pecado entrou no mundo e corrompeu o Seu plano perfeito para a humanidade e a criação (Gênesis 3:1–7; Romanos 5:12). Como resultado, todas as pessoas, inclusive as crianças, podem vivenciar o sofrimento. Alguns sofrimentos decorrem de ações humanas, como abuso ou negligência. Outros resultam da condição quebrada do mundo caído, independentemente de ação humana direta, incluindo desastres naturais e doenças genéticas. Em ambos os casos, todo sofrimento provém do pecado.

Não é possível compreender verdadeiramente o que a Bíblia diz sobre o sofrimento sem saber como Deus respondeu a ele. A Bíblia revela que o sofrimento é temporário, pois um dia Deus lhe dará um fim (Apocalipse 21:4); Ele é limitado porque Deus é mais poderoso do que ele (2 Coríntios 4:8-9); e é passível de redenção porque Deus é capaz de usá-lo para o bem (Gênesis 50:20). Ignorar a resposta de Deus ao sofrimento é como um paciente que descobre ter uma doença mortal, mas se recusa a ouvir quando o médico diz que existe cura. A cura, neste caso, é Jesus.

Não há esperança em meio ao sofrimento fora de Jesus, pois não há cura para o pecado fora dEle. O evangelho — o convite para conhecer Jesus e ser salvo do pecado — é a resposta definitiva de Deus ao sofrimento (Marcos 1:15). Ele proclama o grande amor de Deus pelas pessoas, embora todos tenham pecado e careçam da Sua glória (Romanos 3:23). O pecado merece a morte eterna, mas Jesus oferece aos pecadores a vida eterna (Romanos 6:23).

Um exemplo da resposta de Jesus ao sofrimento encontra-se no relato de um pai desesperado que trouxe seu filho, o qual sofria há muitos anos. O menino não conseguia falar, sofria convulsões violentas e era atormentado por um espírito maligno que quase o matara. Temendo perder o filho, o pai implorou a Jesus: "Mas, se o senhor pode fazer alguma coisa, tenha compaixão de nós e ajude-nos" (Marcos 9:17–22). Jesus respondeu: "'Se o senhor pode'? Tudo é possível ao que crê" (Marcos 9:23). O pai do menino exclamou: "Eu creio! Ajude-me na minha falta de fé!" (Marcos 9:24). Essa resposta sincera reflete o que muitas pessoas sentem quando crianças sofrem: a fé está presente, mas a dúvida também. Em resposta, Jesus não repreende o pai do menino; em vez disso, Ele demonstra compaixão pelo filho (Marcos 9:25–27).

Essa história ilustra que, embora o pecado tenha corrompido o mundo, Deus está trabalhando para restaurá-lo ao Seu projeto original. Embora Deus não elimine instantaneamente toda dor e sofrimento, Ele acabará por fazê-lo para aqueles que conhecem Jesus (Romanos 8:28). Essa promessa oferece esperança aos que sofrem. Nas Escrituras, a esperança não é um mero desejo ou fingir que está tudo bem. A esperança significa confiar que Deus é bom e fiel, mesmo quando as circunstâncias sugerem o contrário (Hebreus 11:1). Essa esperança está ancorada no amor de Deus pelos que têm o coração quebrantado e na Sua promessa de que o sofrimento deles um dia chegará ao fim (João 3:16; 16:20).

É impossível amar verdadeiramente o próximo — como Deus ordenou que as pessoas fizessem — e permanecer indiferente ao sofrimento alheio (Levítico 19:18; p. ex., Lamentações 2:19). Foi por isso que Jairo implorou a Jesus por sua filha que estava à beira da morte (Marcos 5:22–23), e uma mulher siro-fenícia, cujo nome não é mencionado, também Lhe suplicou pela sua (Marcos 7:25–26). Eles recorreram a Jesus porque somente Ele poderia aliviar o sofrimento deles. Jesus veio ao mundo e morreu na cruz para começar a restaurar aquilo que o pecado havia destruído (João 1:14). Ele completará a obra que iniciou, no tempo perfeito de Deus.

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