Pergunta
O que é o platonismo cristão?
Resposta
O platonismo cristão utiliza a filosofia de Platão e ideias platônicas posteriores para ajudar a explicar a teologia cristã. O filósofo grego Platão (428–347 a.C.) influenciou o pensamento ocidental por mais de 2.000 anos. Suas ideias afetaram o mundo intelectual no qual o cristianismo se difundiu. O apóstolo Paulo entrou em contato com a filosofia grega durante seu ministério, especialmente em Atenas (Atos 17:16–32). Após a época dos apóstolos, teólogos cristãos utilizaram algumas das ideias de Platão para defender sua fé.
Os cristãos consideraram uma ideia platônica particularmente útil: a distinção entre o mundo físico, sujeito a mudanças, e uma realidade superior e imutável. Platão ilustrou os limites da compreensão humana com sua famosa alegoria da caverna. Ele descreveu prisioneiros que viam sombras na parede de uma caverna e as confundiam com a realidade. Quando um prisioneiro saía da caverna, descobria uma realidade maior, além daquilo que conhecera anteriormente.
Teólogos cristãos encontraram semelhanças entre o pensamento de Platão e o ensino bíblico sobre realidades invisíveis. Em 2 Coríntios 4:18, por exemplo, Paulo contrastou o que é temporário e visível com o que é eterno e invisível. O texto diz: "... na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas". No entanto, o cristianismo não adotou simplesmente a visão de Platão sobre o mundo físico. A Bíblia ensina que Deus criou o mundo físico e o declarou bom (Gênesis 1:31). Ensina também que Jesus se tornou humano e ressuscitou fisicamente dentre os mortos. Consequentemente, os cristãos aguardam a ressurreição de seus corpos e a vida eterna com Deus.
Agostinho de Hipona (354–430 d.C.) utilizou as ideias de Platão de forma mais eficaz do que qualquer outro teólogo. Embora tenha sido criado por uma mãe cristã, Agostinho rejeitou o cristianismo na juventude e explorou outras religiões e filosofias. Mais tarde, leu as obras de outros filósofos platônicos. As ideias deles o ajudaram a superar algumas de suas objeções intelectuais ao cristianismo. Em particular, ajudaram-no a compreender Deus como um ser espiritual e o mal como algo distinto de uma substância física.
O platonismo ajudou Agostinho a reconsiderar o cristianismo, mas não ofereceu tudo de que ele precisava. Ele via uma diferença fundamental entre o platonismo e o ensino cristão sobre Jesus Cristo, o pecado, a graça e a salvação. Embora Agostinho tenha utilizado conceitos filosóficos em obras influentes como Confissões e A Cidade de Deus, ele os inseriu em uma estrutura cristã. Sua obra exerceu forte influência sobre a teologia cristã ocidental e sua relação com Platão durante séculos.
As ideias de Platão também influenciaram a igreja de maneiras mais complexas. Seus ensinamentos sobre uma realidade maior e invisível levaram os cristãos a buscar significados ocultos em todas as histórias da Bíblia. Na visão deles, o sentido literal das palavras bíblicas representava apenas a interpretação inicial e mais básica. Seguindo os ensinamentos de Platão, alguns teólogos cristãos buscavam um sentido mais elevado e oculto nas passagens. Esse método, conhecido como alegoria, influenciou a leitura da Bíblia pela igreja durante séculos.
Na Idade Média, os estudiosos cristãos substituíram gradualmente Platão por Aristóteles. Tomás de Aquino, entre outros, recorreu a Aristóteles da mesma forma que Agostinho havia feito. No século XVI, os reformadores protestantes reagiram contra o uso, pela igreja, de filósofos não cristãos como Platão. Eles defendiam que os cristãos deveriam ler os grandes filósofos, mas acreditavam que as pessoas deviam estudar os ensinamentos bíblicos sem depender de Platão.
Ainda assim, Platão forneceu a muitos dos primeiros cristãos conceitos úteis para explicar sua fé. As ideias de Platão eram influentes entre as pessoas instruídas do mundo grego e romano. Ao utilizar conceitos familiares, os pensadores cristãos conseguiam explicar os ensinamentos bíblicos de maneiras que a sua cultura pudesse compreender.
Os pensadores cristãos não aceitaram a filosofia de Platão de forma acrítica. Eles adotaram algumas ideias, rejeitaram outras e modificaram muitas delas para que se adequassem ao ensino cristão. Sob uma perspectiva protestante, a filosofia pode ajudar os cristãos a explicar e defender a verdade bíblica, mas nunca deve determinar o que os cristãos creem. A influência de Platão na história do pensamento cristão permanece significativa.
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