Pergunta
O que é um pastor bivocacional?
Resposta
Para muitos pastores, ser pastor é o seu único trabalho. As exigências do ministério da igreja — preparação de sermões, ensino, evangelismo, visitas a hospitais, aconselhamento, administração, etc. — preenchem seus dias e deixam pouco espaço para qualquer outra coisa. Outros pastores, no entanto, percebem que precisam exercer um trabalho externo para complementar a sua renda e conseguir pagar as contas. Esses são os pastores bivocacionais.
Um pastor bivocacional (“dupla ocupação”) geralmente pastoreia uma igreja de menor porte ou serve em uma região com economia enfraquecida. O fato de sua congregação não conseguir lhe oferecer um sustento adequado é o que o leva a ser um pastor bivocacional. O chamado para o ministério continua presente, e o pastor atende a esse chamado; porém, preocupações práticas, como colocar alimento na mesa, exigem que ele tenha um segundo emprego e sirva à congregação como pastor bivocacional.
Alguns podem ver um argumento contra se tornar um pastor bivocacional no exemplo da igreja primitiva. Em Jerusalém, à medida que a igreja crescia rapidamente, os apóstolos viram-se envolvidos nas tarefas diárias relacionadas com a alimentação dos necessitados da sua congregação. Tomaram uma decisão, reunindo o povo e dizendo: “Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Por isso, irmãos, escolham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para os encarregarmos desse serviço. Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6:2–4). Essa passagem revela as prioridades apostólicas no ministério (oração e ensino da Palavra) e enfatiza a necessidade de os pastores compartilharem o fardo ministerial com outros, mas não contém nenhuma proibição contra ser um pastor com dupla vocação.
O apóstolo Paulo pode não ter sido um pastor com dupla vocação, mas foi, ocasionalmente, um missionário com dupla vocação. Quando Paulo estava em Corinto, “como era fabricante de tendas, assim como [Priscila e Áquila], ficou e trabalhou com eles” (Atos 18:3; cf. 1 Coríntios 9:1–15). Paulo também exerceu outra profissão quando estava em Éfeso: “vocês mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para o que era necessário a mim e aos que estavam comigo” (Atos 20:34). Em vez de ser um fardo para as igrejas onde ministrava, Paulo exercia o seu ofício e proveria para as suas próprias necessidades. Esse é praticamente o mesmo arranjo que o pastor com dupla vocação tem com a sua igreja.
Um pastor deve priorizar a pregação da Palavra (2 Timóteo 4:2), e um pastor com dupla vocação deve garantir que as suas prioridades permaneçam intactas, mesmo quando estiver trabalhando fora da igreja. O pastor com dupla vocação enfrenta o desafio de cumprir as suas responsabilidades tanto para com a igreja quanto para com o seu outro emprego. É essencial que os diáconos e outros membros da igreja ajudem a carregar o fardo do pastor com dupla vocação.
O pastor bivocacional frequentemente descobre que o tempo que passa na comunidade em seu outro trabalho proporciona oportunidades adicionais de ministério. Ao participar do mercado de trabalho, ele conhecerá novas pessoas, e os não convertidos terão a oportunidade de ver um seguidor de Cristo em ação. O pastor pode usar o seu segundo emprego como uma plataforma para alcance evangelístico e evangelização.
Não há nada de errado em ser um pastor bivocacional. Pode não ser a situação ideal, mas, em alguns casos, é inevitável. O ministério pastoral é um trabalho árduo, e o ministério com dupla vocação traz uma carga extra de trabalho e complexidades na programação e na definição de prioridades. As igrejas com um pastor com dupla vocação devem estender graça a ele e à sua família, apoiá-lo em seu trabalho e, à medida que a igreja cresce e reexamina seu orçamento, considerar a possibilidade de contratá-lo em tempo integral.
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O que é um pastor bivocacional?
