Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a ordenação?
Resposta
A definição moderna de ordenação é “a investidura do clero” ou “o ato de conceder autoridade pastoral ou poder sacerdotal”. Normalmente, pensamos em um culto de ordenação como uma cerimônia na qual alguém é comissionado ou nomeado para um cargo dentro da igreja. Frequentemente, a cerimônia envolve a imposição de mãos.
No entanto, a definição bíblica é um pouco diferente. A palavra “ordenar” na Bíblia refere-se a uma designação ou nomeação; por exemplo, José foi “ordenado” como governante no Egito (Atos 7:10); o administrador na parábola de Jesus foi “ordenado” para supervisionar uma casa (Mateus 24:45); os diáconos foram “ordenados” para servir à igreja de Jerusalém (Atos 6:1-6); e os pastores foram “ordenados” em cada cidade de Creta (Tito 1:5). Em nenhum desses casos o modo de ordenação é especificado, nem qualquer cerimônia é detalhada; as “ordenações” são simplesmente nomeações. A palavra pode até ser usada negativamente, como uma designação para punição (Lucas 12:46).
Atos 13 inclui um bom exemplo de uma nomeação ministerial: “Enquanto eles estavam adorando o Senhor e jejuando, o Espírito Santo disse: 'Separem-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.' Então, jejuando e orando, e impondo as mãos sobre eles, os despediram. Barnabé e Saulo, enviados pelo Espírito Santo, foram até Selêucia e dali navegaram para Chipre” (vv. 2-4). Nesta passagem, observamos alguns fatos importantes: 1) É o próprio Deus quem chama os homens para o ministério e os capacita com dons (Atos 20:28; Efésios 4:11). 2) Os membros da igreja reconhecem a clara orientação de Deus e a acolhem. 3) Com oração e jejum, a igreja impõe as mãos sobre Paulo e Barnabé para demonstrar o seu envio (cf. Atos 6:6; 1 Timóteo 5:22). 4) Deus opera por meio da igreja, pois tanto a igreja quanto o Espírito são descritos como “enviando” os missionários.
Paulo ordenava regularmente pastores para as igrejas que fundava. Ele e Barnabé orientavam a nomeação ou ordenação de anciãos “em cada igreja” na Galácia (Atos 14:23). Ele instruiu Tito a “nomear anciãos em cada cidade” em Creta (Tito 1:5). O próprio Tito havia sido ordenado anteriormente, quando “foi escolhido pelas igrejas” (2 Coríntios 8:19). Nas passagens acima, a ordenação de anciãos envolve toda a congregação, não apenas os apóstolos. A palavra grega usada em 2 Coríntios 8:19 para a nomeação de Tito e em Atos 14:23 para a escolha dos anciãos da Galácia significa literalmente “estender as mãos”. Era uma palavra normalmente usada para o ato de votar na legislatura ateniense. Assim, a ordenação dos líderes da igreja envolvia um consenso geral na igreja, se não uma votação oficial. Os apóstolos e as congregações sabiam quem o Espírito havia escolhido e responderam colocando esses homens na liderança.
Quando Deus chama e qualifica um homem para o ministério, isso ficará evidente tanto para esse homem quanto para o restante da igreja. O futuro ministro atenderá às qualificações estabelecidas em 1 Timóteo 3:1-16 e Tito 1:5-9, e possuirá um desejo ardente de pregar (1 Coríntios 9:16). É dever dos anciãos da igreja, juntamente com a congregação, reconhecer e aceitar o chamado. Depois disso, uma cerimônia formal de comissionamento — um culto de ordenação — é apropriada, embora de forma alguma obrigatória. A cerimônia de ordenação em si não confere nenhum poder especial; ela simplesmente dá reconhecimento público à escolha de Deus para a liderança.
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