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Pergunta

O que é o transdispensacionalismo?

Resposta


O transdispensacionalismo é a visão de que Deus aplica os princípios da salvação de uma dispensação ou era da história bíblica a outra. Isso sugere que uma pessoa que vive hoje pode nunca ter ouvido as boas novas de Jesus Cristo, mas ainda assim responder positivamente à revelação geral, como a natureza e a consciência. De acordo com essa visão, essa pessoa poderia ser considerada categoricamente igual a um crente do Antigo Testamento. Dessa forma, Deus creditaria a fé dessa pessoa como justiça (Gênesis 15:6; Romanos 4:3). Aqueles que defendem o transdispensacionalismo argumentam que a justiça e a misericórdia de Deus se aplicam até mesmo àqueles que não ouviram o evangelho. Eles acreditam que Deus pode permitir diferentes meios de salvação nesses casos.

Tony Evans, ex-pastor evangélico e teólogo, explicou essa visão pela primeira vez em seu livro Totally Saved (Totalmente Salvo). Para Evans, se um pecador busca a Deus sinceramente, Deus aplicará a expiação de Cristo a ele, mesmo que lhe falte um conhecimento claro de Jesus. Evans baseia essa ideia na promessa de Jesus de que: “Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, a porta será aberta” (Mateus 7:8). Outro versículo-chave afirma que Jesus é o Salvador de todas as pessoas. Paulo escreve: “Pois é para esse fim que trabalhamos e nos esforçamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos, especialmente dos que creem” (1 Timóteo 4:10).

Evans afirma: “Se uma pessoa acredita que existe alguém lá em cima que criou esta [criação visível]… eu não sei quem Ele é, mas quero conhecê-lo… se essa pessoa tivesse um ataque cardíaco naquele momento, Deus não poderia condená-la e ser justo, porque Deus diz que quem busca encontrará”. Ele continua: “Visto que Deus faz essa promessa, se Deus não lhe der o Evangelho ou não lhe der uma revelação direta, então Ele terá que julgá-lo com base em outra dispensação” (Aqueles que não ouviram estão realmente perdidos? Salvação retroativamente compatível. Entrevista com Tony Evans no programa Christian Television Live, conduzida pelo Rev. Glenn Plummer na convenção da National Religious Broadcasters de fevereiro de 2002).

Os críticos argumentam que o transdispensacionalismo enfraquece o ensinamento bíblico de que a salvação é pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo. A fé salvadora é explícita, pessoal e baseada em Cristo (João 14:6; Atos 4:12; Romanos 10:9–10, 17). Romanos 10:9 afirma: "Se com a boca você confessar Jesus como Senhor e em seu coração crer que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo" (NAA). Romanos 10:17 esclarece que "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo" (NAA). Se a salvação fosse possível sem o evangelho, a ênfase de Paulo na pregação e no evangelismo centrados em Cristo seria desnecessária (Romanos 10:14–15).

Os defensores do transdispensacionalismo argumentam que seria injusto que Deus condenasse aqueles que não ouviram o evangelho. No entanto, Romanos 1:18–20 ensina que a revelação geral, que se refere ao conhecimento de Deus obtido por meio da criação, é suficiente para deixar a humanidade “indesculpável”. Embora a revelação geral revele a existência, a natureza e os atributos de Deus, ela não leva à salvação. Portanto, a revelação geral é suficiente para a condenação, mas inadequada para a salvação.

Dois exemplos bíblicos contestam o transdispensacionalismo. Primeiro, Cornélio, um homem devoto, não foi salvo por sua retidão moral. Deus enviou Pedro para pregar o evangelho a Cornélio, para que ele pudesse crer em Cristo e ser salvo (Atos 10:1–48). Em segundo lugar, o eunuco etíope precisou que Filipe lhe explicasse o evangelho antes que pudesse crer e ser batizado (Atos 8:26–40). Se o transdispensacionalismo fosse verdadeiro, esses homens teriam sido declarados justos apenas por buscarem a Deus. No entanto, Deus assegurou que eles recebessem conhecimento explícito do evangelho.

Os crentes do Antigo Testamento foram justificados pela fé, que antecipava a vinda do Messias (Hebreus 11:3). Sob a Nova Aliança, as pessoas são obrigadas a depositar a sua fé exclusivamente em Cristo. Atos 17:30 afirma: “Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora ele ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam” (NAA). A ignorância não salvará os pecadores, mesmo que o evangelho não lhes tenha sido pregado.

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