Pergunta
Por que nos é ordenado: “Não falem mal uns dos outros” (Tiago 4:11)?
Resposta
Em sua carta do Novo Testamento, Tiago confronta a prevalência da vida mundana entre os seus leitores (Tiago 4:1–12). Ele aborda conflitos internos, desejos malignos, orgulho e amizade com o mundo. Ele chama os crentes a resistirem ao diabo, aproximarem-se de Deus, purificarem seus corações e humilharem-se diante do Senhor (Tiago 4:7–10). Então Tiago adverte: “Irmãos, não falem mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga o seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se você julga a lei, não é observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer. Mas quem é você para julgar o seu próximo?” (Tiago 4:11–12).
“Falar mal” significa “caluniar; acusar falsamente ou com intenção maliciosa; atacar o bom nome e a reputação de alguém”. Falamos mal uns dos outros quando usamos palavras para prejudicar a reputação de outra pessoa por meio de comentários odiosos ou condenatórios. Esse tipo de discurso inclui calúnia, fofoca, disseminação de informações prejudiciais ou desnecessárias, insinuações que geram suspeitas, linguagem desrespeitosa e menosprezo. Tiago proíbe esse tipo de fala porque ela viola a lei de Deus de amar o próximo (Levítico 19:18).
Esse ensino está em harmonia com temas mais amplos do Novo Testamento. Tiago já havia advertido que a língua pode colocar toda a vida de uma pessoa em um caminho destrutivo (Tiago 3:5–10). As palavras são poderosas porque revelam o que enche nossos corações (Mateus 12:34) e porque podem tanto edificar quanto destruir (Provérbios 18:21; Efésios 4:29).
Anteriormente, Tiago chamou o mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” de “lei régia” (Tiago 2:8). Jesus ensinou que os mandamentos de amar a Deus e amar o próximo resumem toda a Lei de Deus (Mateus 22:37–40; ver também Mateus 7:12; Romanos 13:8). Cristo deu aos crentes “um novo mandamento”: que amassem uns aos outros assim como Ele nos amou (João 13:34–35; 15:12–14; ver também 1 João 4:7–8, 11–12).
Falar mal viola a lei régia do amor porque trata o nome, a dignidade e o bem-estar do próximo como algo sem valor e descartável. Amar verdadeiramente os outros significa falar-lhes a verdade (Efésios 4:15; Provérbios 27:5–6), transmitir palavras que geram vida (Provérbios 15:4; 16:24) e promover restauração (Gálatas 6:1; Colossenses 4:6; 2 Coríntios 5:18–19), em vez de condenação e autopromoção (1 Coríntios 13:4–7; Gálatas 6:1–2).
Falar mal de alguém rompe a confiança e prejudica a unidade que Deus deseja construir em Sua igreja. Isso divide, reduz as pessoas a rótulos e espalha-se como um veneno. O Novo Testamento retrata os crentes como um só corpo (1 Coríntios 12:12–27); portanto, quando um membro ataca outro com palavras, todo o corpo sofre.
Da mesma forma, Paulo ordenou aos efésios: “Não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção. Que não haja no meio de vocês qualquer amargura, indignação, ira, gritaria e blasfêmia, bem como qualquer maldade. Pelo contrário, sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, como também Deus, em Cristo, perdoou vocês” (Efésios 4:29–32; ver também 1 Pedro 2:1; Colossenses 3:8–9).
Tiago expõe o orgulho espiritual como a raiz da linguagem caluniosa e crítica. Tentamos nos exaltar rebaixando outra pessoa. Ao fazer isso, colocamo-nos na posição de juiz, um papel que pertence somente a Deus (Romanos 14:10–13). Em vez de permitir que Deus lide com o pecado ou a falha de alguém, assumimos para nós o papel de julgar e condenar, uma atitude que sugere que sabemos melhor do que Deus como aquela pessoa deve ser tratada.
A Bíblia realmente chama os cristãos a exercer discernimento e a tratar o pecado com humildade e verdade (Mateus 7:1–5; 18:15–17; Gálatas 6:1). Enquanto o discernimento busca a restauração e a obediência a Deus, falar mal procura ferir, humilhar ou desprezar. Tiago rejeita o tipo de julgamento que age como se fosse definitivo, declarando que certas pessoas estão além da paciência de Deus, são indignas de misericórdia ou devem ser definidas pelo pior momento de suas vidas.
Nossa maneira de falar deve refletir a misericórdia que nós mesmos recebemos. “Porque o juízo é sem misericórdia sobre quem não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tiago 2:13). Deus não nos salvou expondo nossas falhas diante de todos, mas carregando nossos pecados e chamando-nos ao arrependimento (Romanos 2:4). Portanto, nossa fala deve ser “sempre agradável, temperada com sal” (Colossenses 4:6), “bondosa e compassiva” (Efésios 4:31–32) e especialmente cuidadosa quando alguém está fraco, ferido ou preso em pecado.
As Escrituras ordenam: “Não faleis mal uns dos outros”, porque o plano de Deus é formar um povo marcado pela humildade, pela verdade e pelo amor. A linguagem maldosa interrompe essa obra, ferindo o próximo, dividindo comunidades e usurpando o lugar de Deus como Juiz. Tiago nos chama de volta ao nosso devido lugar diante de Deus, a sermos misericordiosos para com os outros e a termos cuidado com nossas palavras. Obedecer a esse mandamento não significa permanecer em silêncio a qualquer custo, mas falar de maneira submissa a Deus, edificando os irmãos na fé e sendo moldados pela misericórdia de Cristo.
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Por que nos é ordenado: “Não falem mal uns dos outros” (Tiago 4:11)?
